café não te deixa mais cult

Sabe o que há entre uma xícara de café e outra? Literatura, fotografia, cinema, música... Arte.

Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams).

O desabafo de um pseudoartista e as suas fotografias

É lamentável este estado de coisas em mim… Entristece-me. Hoje não irei criar uma matéria nova sobre um artista, seja ele fotógrafo ou escritor, como de costume no Obvious. Desta vez, comentarei um pouco sobre mim e os meus trabalhos. “Falamos tanto de artistas, mas o que se encontra por de trás do tal blogueiro do Obvious, além daquela descrição no fim da página de cada matéria?”, Perguntou-me, uma vez, um dos meus leitores. Assim, apresentarei minhas fotografias e o que me move a fazê-las.


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Hoje, eu, Marcelo Vinicius, não irei postar matérias de outros fotógrafos, escritores, enfim, de artistas em geral.

Hoje, irei postar meu próprio material e lhes contar o porque do meu envolvimento com a arte. Sim, não sou um grande artista, mas mesmo assim fotografo e escrevo há algum tempo. Estou preste a lançar um romance por uma editora do Rio de Janeiro, intitulado “Minha Querida Aline”, porém a parte no que tange a arte literária deixo para uma próxima matéria, aqui o nosso foco é na arte fotográfica, que é a outra em que me envolvo.

Assim, sem maiores pretensões, me considero fotógrafo e escritor. Isso não quer dizer que sou um grande artista (seja lá qual é o seu conceito de arte, que é tão polêmico no mundo das Artes e da Filosofia), isso quer dizer que foi devido a arte que consegui suprir um sentido existencial.

Não são também tão simples assim certas questões pessoais, pois pelos perrengues que passei e passo na vida (detalhes que não vem ao caso agora), são demandas muito grandes para que eu possa lidar com elas satisfatoriamente. É fácil dizer que sabemos lidar com situações, quando elas não são gravemente nossas. É muito fácil associar o nosso projeto de vida com o do outro e julgá-lo.

Por exemplo, seguindo o escrito de Martha Medeiros, se eu disser para você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir ao computador e ir à universidade – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer "te anima" e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquele que sempre fui, velho de guerra.

As crises existenciais não têm hora, lugar ou uma razão específica para estourar. De uma forma geral, tudo pode ser motivo para elas chegarem de mansinho e se apoderarem dos nossos pensamentos. Por isso, ao meu modo, para lidar com elas, tenho tentado encontrar algo na arte.

A arte pode ser a forma mais positiva de contornar e compreender os problemas que nos deixam pensativos. Há quem pinte quadros, componha músicas, escreva livros ou mesmo descarregue suas frustrações no esporte para encontrar o equilíbrio sentimental.

"As satisfações substitutivas, tal como as oferecidas pela arte, são ilusões, em contraste com a realidade; nem por isso, contudo, se revelam menos eficazes psiquicamente, graças ao papel que assumiu a vida mental", explica Freud.

Artistas das mais diversas áreas como Woody Allen, Van Gogh, Clarice Lispector, Dostoiévski, Kafka, Ray Charles e Fernando Pessoa são alguns artistas que transferiram e sublimaram suas dores existenciais por meio da arte. Allen, por exemplo, conseguiu transferir para seus filmes suas neuroses e sentimentos e enfrentá-los de forma divertida e inteligente.

Todo mundo passa por uma ou várias crises durante a existência. E, se não passou, ainda há de passar. Mas a única forma de fazer com que ela deixe de dominar nossos pensamentos é descobrir e compreender o que está por de trás dela. E muitos conseguem isso pela arte, é o meu caso. Fiz da arte um sentido para minha vida.

Então, como percebem, hoje não farei uma matéria para comentar de outro artista e suas implicações que o faz criar as suas próprias artes, como é de costume aqui no Obivous. Hoje comentarei de mim, na minha tentativa de fazer arte, só que, ainda que considere a literatura, já que eu escrevo também, hoje, de fato, vou dá ênfase a alguns dos meus trabalhos fotográficos. A arte fotográfica.

Todos os meus projetos têm uma temática própria, às vezes uma arte abstrata, expressionista, mais conceitual, simbólica ou às vezes uma expressão direta mesmo ou de denúncia social, sem mistério aparente.

Como o fotógrafo Kyle Thompson, encontrei também, por mim, a arte como forma de expressão e de me libertar de uma depressão. As fotografias, independente da temática, são quase sempre com uma pessoa, uma personagem sozinha, porque em geral sou uma pessoa solitária (não no sentido de não conviver com ninguém, mas por ter o meu mundo particular ao extremo) e isso se reflete nas fotografias que faço.

Fotógrafos que admiro? Kyle Thompson, Francesca Woodman, Sebastião Salgado, Jimmy Nelson...

Obs.: aqui é meu blog oficial, apresentando alguns dos meus trabalhos, acessem: http://marceloviniciusartes.blogspot.com.br

Como não venho mostrar fotografias de outros artistas, hoje venho mostrar, então, as minhas. Confira as fotografias abaixo:

Projeto fotográfico intitulado 'Filhos da Natureza'

[...] Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar..." (Fernando Pessoa)

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Projeto fotográfico 'La niebla y el espejo'

"A certeza é fatal. O que me encanta é a incerteza. A neblina torna as coisas maravilhosas" (Oscar Wilde)

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Projeto fotográfico 'Pessoas simples são a riqueza do meu lugar'

Este projeto teve suas fotografias selecionadas, entre outras de outros estudantes universitários do Brasil, pela “Revista Movimento”, da UNE – União Nacional dos Estudantes. Como também foram selecionadas pelo "Panorama 2014 - Mostra de fotografias", do MAC - Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, em Feira de Santana-BA, e para exibição em telão HD pelo "I Festival de Fotografia do Sertão", de âmbito nacional.

“É pelo cansaço da luta dos honestos que os desonestos apostam em uma vitória...” (Anônimo).

"És tu Brasil, ó pátria amada, idolatrada Por quem tem acesso fácil a todos os teus bens Enquanto o resto se agarra no rosário, e sofre e reza À espera de um Deus que não vem" (Hebert Vianna).

É incrível que não precisemos ir longe para ver o fato dessa letra de Hebert Vianna e dessa frase de autoria até então anônima, pois só nos basta prestar atenção em uma feira livre qualquer, por exemplo.

Alguém já foi à feira livre, mas não para comprar e sim para só observar os rostos daquele povo simples? Já reparou que encontramos muitos com um ar pensativo? Viram as suas expressões?

Esse meu projeto fotográfico intitulado “Pessoas simples são a riqueza do meu lugar” tenta nos levar a uma reflexão de problema social, mas tendo como ponto ou alvo o óbvio que está na frente dos nossos olhos e que podemos ver e sentir, em um lugar que é tão banal, o contraste evidenciado de um lado pelas pessoas carentes, sem as suas necessidades básicas bem atendidas, como uma má alimentação, e, de outro, a fartura de alimentos. Esse lugar que é tão banal é a feira livre, porém muitos não se dão conta desse contraste.

Um povo que deveria estar vivendo sua terceira idade com boa qualidade de vida, afinal batalhou em toda a sua existência por uma forma digna de viver, porém, a realidade é outra: é preciso trabalhar, porque o que ganha não dá para viver, ou melhor, sobreviver. É preciso continuar, mesmo sem força, mesmo que o corpo reclame e alma peça socorro, porque reclamar é privilégio para poucos, infelizmente. Essas fotos me fazem lembrar uma frase do poeta Mário Quintana: “o pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso”. E sem teorias, a quem sofre importa menos explicar as causas do que dar um sentido ao sofrer.

Confira, então, as fotos abaixo e reflita você mesmo sobre isso:

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Espero que tenham gostado dos meus trabalhos fotográficos, que são um tanto modestos, até porque não busco ser o melhor, mas sim fazer o que eu gosto. Não estou aqui para provar nada. Nem cobrando técnicas perfeitas. Meu propósito é outro: a arte, para mim, é uma questão de necessidade pessoal, o resto é consequência.

Abraços e beijos!

* Matéria original para o Obvious


Marcelo Vinicius

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” (Ansel Adams)..
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