Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas.

O poder transgressor da sétima arte

Nos dias atuais, quais são os ingredientes infalíveis para um bom filme? O que te motiva a sair do conforto da sua casa para as salas de cinema? O que te cativa, o que te emociona, o que te faz rir em um filme? Estamos por vezes, à deriva, a procura de um filme para chamar de nosso.


foto 1.jpg

Diante das evoluções tecnológicas, a forma como os filmes são feitos e idealizados mudaram drasticamente. E observamos, às vezes, que a maior preocupação na criação de um projeto cinematográfico é um som surround e os efeitos especiais. Um exemplo disso é a avalanche de filmes em high definition projetados especialmente para as telas em terceira dimensão, podendo destacar as animações e as franquias de super-heróis. Tendo como carro-chefe a Pixar ou a Marvel Comics, respectivamente, os estúdios Walt Disney tem saído na frente diante desses formatos que tem demonstrado serem mais do que rentáveis, mas sem dúvida, sucesso garantido nas bilheterias.

foto 2.jpg

Atestando a boa fase, a Marvel Comics, a atual galinha dos ovos de ouro da Disney, lançou seu calendário de estreias previstas até o ano de 2019 totalizando dez lançamentos, todos com o objetivo de dar vida aos super-heróis dos quadrinhos. Não podemos negar o visível poder de influência e o fascínio que essas histórias trazem para a tela e a legião de seguidores fiéis. Vide a comic con, evento anual que possui uma imensidão de fãs que se fantasiam e se caracterizam para celebrar a cultura pop, seja na televisão, filmes, mangás e animes.

O último lançamento da franquia é o filme Guardiões da Galáxia. Nessa aventura que se passa no espaço, conta a trajetória de cinco personagens dúbios e de moral questionável que através das circunstâncias se unem através de um objetivo em comum: salvar a vida dos habitantes de Xandar e recuperar a joia do infinito, ou seja, tentar fazer algo altruísta pela primeira vez em suas vidas.

foto 3.jpg

É inegável como esse nicho arrasta milhões de fãs para as salas de cinema e é extremamente bem sucedido e lucrativo para os estúdios, não apenas a Marvel, mas sua concorrente, DC Comics, devido à quantidade de estreias programadas até 2019 por ambos os estúdios. Um dado interessante que reflete esse sucesso é o filme Os vingadores que estreou em 2012 e ocupa o terceiro lugar no ranking dos filmes de maior bilheteria de todos os tempos, segundo o site Box Office Mojo.

Essa tendência dos filmes blockbusters com os seus artifícios tecnológicos, nos levam a pensar na dicotomia quantidade versus qualidade. Pois dificilmente ambas andam de mãos dadas. E o que realmente importa em um filme: uma boa história ou sucesso de bilheteria? O que faz de um filme ser bom ou medíocre? O ato de ir ao cinema, para os cinéfilos, se assemelha a um rito, tal qual a missa é para o crente. Não é apenas um “programa” ou “passeio”, é um evento. Selecionar entre vários filmes, escolher com uma precisão quase cirúrgica e se preparar para se deliciar com uma boa história.

Sim, o essencial de um filme é a história que é contada ao longo da trama, os diálogos inteligentes, a entrega dos atores as personagens, o olhar do diretor explicitando através das tomadas escolhidas, das nuances e sutilezas seu estilo como cineasta e artista. Demonstra na escolha da iluminação, do ângulo filmado e do zoom da sua câmera, o seu olhar sobre o mundo, sobre o que o envolve e o que é importante para ele. Simplesmente é a sétima arte em seu ápice desenrolando diante dos nossos olhos.

foto 4.jpg

Sair de um cinema emocionado, tocado, alegre ou feliz é o que justifica sua ida, a priori. É estarmos diante de algo tão magnífico que nos transforma, nos faz questionar, refletir, argumentar, não somos mais os mesmos, essa imersão nos acrescentou algo.

Pois, um dos fatores mais primordiais de um filme é o fato de se identificar e associar-se com a narrativa contada. É importante para nós, enquanto público, nos conectarmos a tal ponto com o enredo que o sentimento de empatia seja instantâneo e irresistível.

Ir ao cinema é a forma mais barata de análise, pois nos vemos através do outro, dos seus dilemas, das suas dificuldades e através da afinidade, conseguimos nos colocar no lugar do outro, no papel de observador, como se a nossa própria vida fosse o filme e nós fossemos ao mesmo tempo personagens e espectadores. Conseguimos realizar através de um distanciamento pragmático, uma análise mais honesta e sincera das nossas próprias vidas, que por muitas vezes, nunca o faríamos.

Nós sentimos a verdade quando ela é contada, o olho no olho, a delicadeza de uma narrativa minuciosa e atenta. A experiência cinematográfica, na melhor das hipóteses, nos causa uma catarse, nos tira do eixo, nos arranca da nossa zona de conforto. Às vezes, nos coloca frente a frente com nossos medos, nossos demônios, nossas dores, pois nos confronta e põe nossas convicções em xeque junto com nossos prejulgamentos.

Acredito no poder indubitável das palavras, na sua força e na sua capacidade de transformar, de transgredir, de mudar um status quo. Podendo fazer uso de um livro, de uma peça, ou de um filme. Não podendo nunca ser subestimado o valor de uma boa história, de um diálogo ágil, de uma peça fascinante, de um livro que nos transforma por completo.

foto 5.jpg

Nós, enquanto seres humanos, somos pouco, necessitamos de mais, ansiamos mais que o mundano, o comum, o banal, precisamos da arte e de sua expressão artística para dar forma, cor e formato aos nossos dias, a nossa vida.

A arte muda tudo, nos resgata do cotidiano, do preestabelecido, do que é convencionado. Pois não queremos apenas subsistir, queremos ser senhores do nosso próprio destino, queremos guiar a nossa própria vida, termos o leme em nossas mãos, não queremos ser passageiros e figurantes da nossa própria história.


Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/cinema// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Ana Carolina Garcia
Site Meter