Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas.

Do tamanho dos meus sonhos

Sobre promessas e acordos consigo mesmo. Sobre agarrar as oportunidades, segundas chances e na possibilidade de se reinventar. Acreditar que sempre é tempo de se reagrupar e tentar algo novo; seja uma outra faculdade, trocar de emprego, de apartamento, de namorado, trocar de casca. E o que realmente importa, realmente se dar uma chance de simplesmente, tentar.


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Acredito que as pessoas se completam na sua incompletude, se encontram nas suas interseções, yin e yang, uma simetria perfeita de pessoas imperfeitas. Pois, tempestades, relacionamentos tsunamis são superestimados, só se consegue dividir e entrelaçar a vida com alguém se tiver tempo bom, bonança, calmaria, e claro, umas ondas de vez em quando.

A gente tenta juntar nossos pedaços, nossas cicatrizes, nossas dores e tudo o que faz o nosso coração bater e oferece ao outro, na espera que ele te aceite e te presenteie também com a melhor parte dele, com a sua melhor versão.

Na verdade somos todos afogados buscando um colete salva vidas, somos náufragos buscando terra firme. Somos todos errantes querendo acertar, achamos que sabemos das coisas, mas na verdade, isso é uma ilusão, uma cortina de fumaça, é nossa arrogância falando mais alto, porque na realidade, não sabemos de nada.

E tudo bem, também. Porque não precisamos saber de tudo, saber todas as respostas, estarmos sempre à frente. Isso é muita pressão, um peso desnecessário que colocamos em nossos ombros. Afinal, o que realmente importa é que estamos tentando, estamos buscando ou a procura de algo que não sabemos de forma exata o que é, mas saberemos quando finalmente encontrarmos.

Aquilo que nos alimenta, que preenche as nossas lacunas, mesmo aquelas que nem sabíamos que tínhamos, e de repente aquele vazio que nos acompanhava desde sempre, não existe mais. E tudo começa finalmente a fazer sentido.

Porque realmente precisamos de mais. Algo que não só nos preencha, mas algo que absolutamente nos transborde, nos tire do eixo, nos instigue a olharmos a nossa volta, a pensarmos diferente, a sonharmos ser melhores, a nos reinventarmos.

Na vida ansiamos por grandeza, queremos ser protagonistas da nossa história e a nossa vida está acontecendo agora, as coisas estão acontecendo nesse momento, e essa é a vida que queremos ter? Essa é a vida que escolhemos viver ou seguimos apenas em piloto automático? Essa é a pessoa que queremos ser?

São perguntas que ainda não tenho as respostas, mas a busca é importante, nos questionarmos, pois o tempo não pausa e nem retrocede e o ponteiro do relógio cisma em andar independente da nossa vontade, o tic tac pode assustar se nos deixarmos dominar.

Queremos mudar e não sabemos como, queremos nos reinventar, mas não sabemos nem por onde começar. Sabemos com convicção o que não queremos ser, o que não queremos fazer, o que não nos completa e o que não gostamos.

Estamos no caminho certo, estamos na busca da nossa melhor versão, daquilo que nos move e nos faz ser melhores do que somos. Obviamente, ainda estamos longe da linha de chegada. Mas para sermos honestos, só precisamos do primeiro passo.

Precisamos apenas daquele difícil primeiro passo longe dos nossos medos, dos nossos fantasmas, longe do que nos limita, longe da nossa zona de conforto, que de confortável não tem nada.

Afinal, não é uma corrida e sim uma maratona. Essas coisas tomam tempo, autoconhecimento, maturidade e uma sabedoria que só o tempo traz para saber esperar as coisas. E o ato de esperar, não é uma tarefa fácil. Quando estamos passando por um momento difícil ou uma má fase, precisamos de resultados. Precisamos de um estímulo, de um sinal, algo que nos diga que vai ficar tudo bem.

E é nesse momento que temos que confiar. Confiar nos nossos planos, na nossa intuição, no que acreditamos. Porque somos testados o tempo todo e durante as dificuldades, durante nossa versão de inferno particular, nós temos que seguir.

Apenas seguir. Um passo de cada vez, um pé atrás do outro. Continuar respirando, apenas continuar seguindo. Sim, as coisas vão melhorar. A maré vai se acalmar, a tempestade vai passar e você vai sorrir de novo. Mas importante, vai se sentir feliz de novo, vai se sentir conectado novamente com as coisas e as pessoas ao seu redor.

Então, continue acreditando. Continue ouvindo sua intuição, continue conectado com o que é importante pra você, com seus sonhos, com as metas que você traçou lá atrás. Às vezes, as coisas dão errado. As coisas quebram e às vezes não tem conserto. A vida te impõe coisas e situações que você se vê obrigado a lidar e administrar.

Mas absolutamente acredito, que quando damos um passo na direção do que acreditamos, do que realmente é importante e fundamental nas nossas vidas, o Universo todo se reorganiza pra caber e ajudar a realizar nossos sonhos.

A verdade é que temos sorte, pois tem pessoas que passam a vida inteira sem se questionarem, sem olharem para o lado, sem se conhecerem e seguem apenas respirando, com a marcha engatada, sem ao menos se permitirem, sem ao menos, viverem.


Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas..
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