Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas.

Muito além do que se vê

Precisamos falar sobre gênero e sobre sua definição arbitrária que normatiza o que é um papel de um homem e de uma mulher, de um menino e de uma menina e o que são características atribuídas ao gênero masculino e o gênero feminino.


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É importante refletirmos sobre o status quo, ou seja, sobre o que é preestabelecido como uma verdade absoluta para podermos avançar e nos desprendermos de ideias arcaicas que não servem mais e que não abarcam todas as diversas manifestações que envolvem a individualidade de cada um.

A nossa sociedade define as pessoas por causa do gênero em detrimento da sua essência, por isso não é de se espantar que ela seja tão preconceituosa e castradora quando alguém não se enquadra nem em um e nem em outro. Quando possuem características de ambos, sem se definir como nenhum deles, como a androginia.

Como pode as nossas características pessoais, a nossa personalidade ser definida apenas pelo nosso sexo, regulando como as mulheres e homens devem se comportar? Ou seja, não se tem liberdade e emancipação sobre si. É preciso se comportar de uma forma que se espera de uma mulher e de um homem dentro desse rótulo.

Então se você é uma menina não pode gostar de brincar de bola, jogar vídeo game ou esportes? Se você é um menino e quer brincar de casinha, passar roupa ou de boneca, você não pode só por ser do sexo masculino?

Menina só pode gostar de rosa e brincar de boneca e menino de azul e jogar bola? Tudo bem se for assim, se isso for uma escolha legítima da criança. Mas e se seu filho não gostar de esportes e sua filha não gostar de maquiagem, qual é o problema?

É mais importante que seu filho, que sua filha faça o que gosta, que seja uma criança feliz ou o que os outros vão pensar dele ou dela se eles não seguem o padrão e o estereótipo esperado? As pessoas de forma geral, principalmente os pais, se preocupam muito com que os outros vão pensar sobre seus filhos, sobre o que vão falar deles, sobre o que os vizinhos, a família, o que a comunidade que eles pertencem vai pensar.

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Às vezes, eles nem se importam tanto, nem os incomoda a individualidade dos seus filhos ou como eles a expressam, mas sim o que os outros vão dizer e se vão ficar fazendo fofoca dos seus filhos e filhas por aí.

Com isso, muitas vezes por pressões externas e não por escolha própria, os pais esmagam a individualidade, a personalidade e a forma de se expressar das crianças. Querem acabar com qualquer característica, modo de agir, e de se vestir deles que seja interpretado como diferente. Querem que eles entrem na marra dentro desse molde, que se comportem de uma maneira que seja esperada que um menino e uma menina ajam. Mas afinal, que maneira é essa?

Não só os pais fazem isso, os “amiguinhos” também fazem e podem ser extremamente nocivos, destruindo autoestima e a espontaneidade das crianças. Não se engane, as crianças podem ser cruéis, com o pretexto de estar apenas brincando, debocham, ridicularizam e humilham os que são um pouquinho diferente do grupo, menino ou menina, sofrem chacota diariamente na sala de aula, na rua ou no prédio que moram.

É inegável que essa questão evoluiu bastante nos últimos tempos, está sendo debatida e deve ser tratada como uma pauta importante principalmente na área da educação que precisa acompanhar as mudanças para poder apoiar de forma eficaz crianças e adolescentes, já que eles passam a maior parte do seu tempo dentro da escola e eles devem ter uma política de tolerância zero com qualquer tipo de discriminação e bullying.

Vale lembrar que temos cada vez mais representações e isso é positivo, pois gera o debate sobre o assunto, ajuda a minar essa prisão na qual os gêneros são submetidos e por consequência a estereotipação precoce das crianças.

O importante é o diálogo, cada vez mais conversar, ouvir e buscar entender o universo de cada um e que as pessoas são diferentes, independentes do gênero, cada um é único e tem o direito de se expressar e de ser quem é, de estar à vontade na própria pele sem a patrulha, sem o preconceito que está no olhar do outro.


Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas..
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