Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas.

Por um mundo com mais momentos em preto e branco

Se você curte filmes antigos, os clássicos, aqueles filmes em preto e branco, esse texto é pra você. Se você nunca se deliciou, nunca se deixou levar por esse gênero cinematográfico, esse texto pode ser pra você. Cinéfilos, uni-vos!


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Hoje em dia, assistir a um filme antigo, seja preto em branco ou não, é um descanso mais do que bem vindo e às vezes, até fundamental nesses nossos tempos modernos, onde estamos cercados de vários apetrechos tecnológicos como smart tvs, high definition e filmes em 3D.

Notadamente eu não vivi essa época de ouro dos filmes antigos, dos clássicos que são referências na sétima arte até hoje como Bonequinha de Luxo, O Poderoso Chefão, Laranja Mecânica, dentre outros tantos. Mas, como muitos da minha geração, fomos beneficiados com esse legado cinematográfico, pois filme bom não tem idade, não tem prazo de validade. O que realmente importa é se te toca ou não a gente, se nos inspira, se nos encanta.

Assisti esses dias ‘Dizem que é pecado’, um filme com Cary Grant, galã e protagonista de vários filmes da época como ‘Tarde Demais para Esquecer’, um clássico de 1957. O filme conta a história de Grant como Dr. Noah Praetorious, um médico que se apaixona por uma jovem que foi sua paciente, pois se aproxima dela para auxiliá-la a lidar com uma gravidez indesejada. Vi esse filme em um dia comum de trabalho, despretensiosamente, pois estava começando na televisão e me vi atraída de tal forma que vi até o final.

Quando o filme acabou, senti uma paz, uma tranquilidade, uma sensação gostosa que não sabia de onde tinha vindo. Mas, depois me dei conta que a leveza do filme, a elegância, a graciosidade e os diálogos inteligentes tinham me transportado para aquela época que de certa forma, as coisas eram mais simples ou assim me parecem como espectadora. Senti uma nostalgia, uma saudade daquilo que não vivi, senti uma falta daquilo que não conheci.

Percebi que foi uma pausa bastante oportuna dos filmes atuais cheios de efeitos especiais, fundos verdes e 3D’s. Filmes esses, que se preocupam primeiramente com a alta definição da imagem, com o som surround do que com a qualidade do filme enquanto trama, enquanto história. Os efeitos especiais estão em detrimento da qualidade do roteiro, da narrativa que será desenvolvida no filme, da criação dos diálogos, da mensagem que será passada, do seu conteúdo.

Acredito que o cinema, como outras expressões artísticas tem como objetivo não apenas entreter, mas também nos fazer refletir, nos fazer pensar, analisar, nos levar ao exercício contemplativo.

Não me entenda mal, não estou sendo saudosista e nem romantizando o passado, mas apenas observando a massificação dos filmes blockbuster em detrimento aos filmes mais alternativos e independentes. Pois, eles não conseguem competir no circuito com esses grandes estúdios focados em quantidade, em qual será a nova franquia de super-herói e não na qualidade das películas. Porque possuímos sim, atualmente grandes diretores como Woody Allen, Tarantino, Almodóvar, Lars Von Trier, dentre outros que se mostram preocupados com a essência, a integridade de um roteiro bem escrito e querem apenas contar uma boa história.

Não é um preconceito, nem um julgamento quanto aos gêneros dos filmes, mas sim uma preocupação dessa homogeneização de tudo e nos filmes também não é diferente. É importante ver que somos tantos e muitos, que é mais do que necessário termos várias e tantas representações possíveis. Porque com isso, preservamos e respeitamos uma das coisas mais importantes dentro de um projeto criativo: um olhar único, aguçado, que tenha um senso crítico que seja autêntico, que tenha diversidade ou novas formas de ver as coisas.

Então, meus amigos, quando passar aquele filme vintage na tevê, se permita ser encantado, ser transportado para outra época, outro momento. O movimento está em alta, pois uma rede de cinemas, toda semana exibe filmes clássicos em high definition em suas telas. Para aqueles que já conhecem, vale a pena relembrar e assistir seus filmes preferidos na telona de cinema e para aqueles que nunca assistiram ou desconhecem, se permitam ser levados para outro tempo, para além de você mesmo.

E você, já viu um filme em preto e branco hoje?


Ana Carolina Garcia

Vivo entre a ponta da caneta e o papel, entre o clique no teclado e a história que desabrocha na tela. Apaixonada incondicionalmente por séries, Los Hermanos e filmes do Woody Allen. Acredito que tudo fica melhor ao som de uma música e com um bom livro a tiracolo. Escrevo para o blog A razão de toda pressa e o site Engramas..
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