caleidoscópio virtual

Um emaranhado de coisas sentindo sentido.

Érica Ariano

Apaixonada por tudo que é futurista e único, sofre de curiosidade latente e desprendimento de convenções. Também é louca por marketing e café - além de um monte de outras coisas em meio a tudo isso.

Quanto você pagaria para implantar talentos quase impossíveis em seu cérebro?

Quanto pagaria para ter memória perfeita, visão aprimorada, hiperfoco ou aquela jogada digna de um fenômeno do futebol? Quanto você pagaria para ter os conhecimentos que você mais deseja implantados diretamente em seu cérebro?


Foto Divulgação

Parece ficção, não? Matrix, né? Mas na verdade essa tecnologia não está tão longe assim de nós. A comunicação por impulsos elétricos entre o cérebro humano e as máquinas eletrônicas já vem sendo realizada há algum tempo, através do que conhecemos como interface cérebro-computador (Brain Computer Interface - BCI) e consiste na comunicação direta entre o cérebro humano e um dispositivo externo. Essas interfaces já são utilizadas para aumentar ou reparar funções motoras ou cognitivas dos seres humanos. Atualmente esses implantes no cérebro são como as cirurgias nos olhos antigamente – há riscos e só fazem sentido para um conjunto de pacientes. Ainda assim, isso já nos dá um certo sinal do que está por vir. Em entrevista ao Wall Street Journal, Gary Marcus e Christof Kock, dois dos mais conceituados pesquisadores do cérebro, explicaram como a utilização desses implantes será no futuro.

Imagem ilustrativa dos sinais elétricos no cérebro humano (Foto Reprodução).jpg

Segundo eles, assim que as descobertas tecnológicas avançarem um pouco mais, os implantes neurais deixarão de ser utilizados exclusivamente em pacientes com problemas graves, como paralisias, cegueiras ou amnésia e começarão a ser adotados por pessoas com menos deficiências traumáticas. Serão utilizados principalmente para melhorar a memória, a concentração mental e o humor.

Eles afirmam que em um primeiro momento, por óbvio, as pessoas resistirão a essa primeira geração de implantes por causa dos riscos contidos em algo tão novo. Mas determinadas áreas do governo americano já trabalham em programas de implantes cerebrais para melhorar a memória dos soldados feridos em guerra – como o programa contínuo de Darpa, uma agência do Pentágono que investe em tecnologia de ponta. Essas agências continuarão investindo nesse tipo de pesquisa, porque qual exército não tem interesse em que seus soldados tenham hiperfoco, memória perfeita para mapas e pouca necessidade de dormir durante dias a fio?

No campo do aprendizado, por exemplo, uma primeira geração de implantes, poderá ajudar os jogadores da elite do golf a melhorarem suas tacadas, e uma segunda geração já será capaz de transformar jogadores de fim de semana em jogadores de elite pulando totalmente a necessidade de anos de prática. Os pesquisadores concordam que isso não acontecerá na próxima década, mas talvez em 20 ou 40 anos já será possível algo assim. Eles acreditam que bem antes disso até mesmo o Google Glass já será considerado primitivo. Por que você projetaria imagens próximas aos seus olhos se você as pudesse guardar em sua memória para que sua mente as interpretasse diretamente?

Foto Divulgação

Mas quanto você acha que custaria um implante desses? Quanto você estaria disposto a pagar por isso? O homem da engenharia do Google, Ray Kurzweil, acredita que este tipo de tecnologia terá preços cada vez menores e, até o final desse século, todo mundo será capaz de suportar algum tipo dessa tecnologia. Muitos de nós estaremos ligados dos pés ao cérebro, diretamente na nuvem.

Mas e a ética na utilização disso tudo. A maior preocupação de alguns pesquisadores é com relação à “equidade e segurança”. As faculdades, por exemplo, já são bastante elitistas, como será possível aos mais pobres competirem com aqueles que têm o recurso financeiro para pagar por esses implantes de aprendizado? Além disso, implantes cerebrais, podem ser vulneráveis a hackers. O que aconteceria se um deles acessasse o cérebro de outra pessoa?

Será que esses dispositivos farão nossa sociedade mais feliz, mais pacífica e mais produtiva?Aparentemente, aqueles que tiverem condições de adquirir esse tipo de implante irão superar os demais em diversos aspectos e essas diferenças vão modificar nossa sociedade de uma maneira que ainda é impossível prever. Enquanto isso só nos resta sonhar com o que está por vir.


Érica Ariano

Apaixonada por tudo que é futurista e único, sofre de curiosidade latente e desprendimento de convenções. Também é louca por marketing e café - além de um monte de outras coisas em meio a tudo isso..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/tecnologia// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Érica Ariano