caminhos do conhecer

Poesia, Literatura, fotografia, música, cinema e outros suportes.

Renata Ferreira

Alguém que escreve para não sufocar, mas não gosta.
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Robin Williams: Mídia e Suicídio

O suicídio é um tema que desperta um misto de fascínio e terror, pois configura um enigma, um fenômeno incompreensível, por se tratar de agressão fatal ao próprio indivíduo. A aparente falta de sentido leva a reflexões diversas: sociológicas, psicológicas, filosóficas, religiosas, numa tentativa de compreensão, porém, ao mesmo tempo, se quer fugir do assunto tabu em nossa sociedade, o Vazio indiscernível em torno da morte obriga o pensamento a uma busca de sentido onde se esgotou o sentido.


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O suicídio é um tema que desperta um misto de fascínio e terror, pois configura um enigma, um fenômeno incompreensível, por se tratar de agressão fatal ao próprio indivíduo. A aparente falta de sentido leva a reflexões diversas: sociológicas, psicológicas, filosóficas, religiosas, numa tentativa de compreensão, porém, ao mesmo tempo, se quer fugir do assunto tabu em nossa sociedade, o Vazio indiscernível em torno da morte obriga o pensamento a uma busca de sentido onde se esgotou o sentido:

Sem poder pensar na morte, parece que nos restam apenas duas soluções: ou bem pensar sobre a morte, em torno da morte, a propósito da morte, ou bem pensar em outra coisa que não a morte, e, por exemplo, a vida. (JANKÉLÉVITCH: 1966, p.34)

O suicídio tem um pequeno espaço na mídia, salvo os casos de pessoas que são “conhecidas” pela população, cuja notícia é inevitável. Neste caso, deveríamos ter a notícia desprovida de detalhes. A omissão dos detalhes evitaria a ocorrência de novos casos.

Já foi comprovado que notícias veiculadas na mídia estimulariam pessoas depressivas a cometerem suicídio. O Dr. J. M. Bertolote, especialista em Distúrbios Mentais (Organização Mundial de Saúde) elaborou um documento preocupado com o grande número de suicídios motivados pela mídia, direcionado à todos os profissionais de comunicação.

A mídia possui um papel importante na sociedade contemporânea fornecendo uma vasta gama de informações de formas diversas. Influenciam fortemente as atitudes, crenças e comportamentos nas comunidades, e têm um papel importante na prática política, econômica e social. Devido a esta influência, a mídia pode também possuir um importante papel na prevenção do suicídio. Com a morte de Robin Willians, averiguamos tudo que a mídia deveria evitar: uma enxurrada de reportagens sem cuidado e sem ética. Compreendemos a necessidade de informações quando morre alguém tão querido, como o ator. Mas, é bizarro perceber os rumos das informações, dos péssimos jornalistas e pseudo-jornalistas que temos, principalmente na internet.

Não vi reportagens que aproveitaram a situação para esclarecer a população sobre algo, que segundo pesquisas, é atualmente uma das três principais causas de morte. Há tempos, o jornalismo perdeu sua função social, não deveria estar na cadeira de comunicação social. Hoje o objetivo é apenas entretenimento.

Explorando a temática

Segundo Durkheim, no capítulo Do suicídio como fenômeno social em geral, temos que analisar a situação exterior em que se encontra colocado o agente. Os homens que se matam tanto podem ter sofrido desgostos familiares ou decepções de amor-próprio, como podem ter passado pela miséria ou pela doença etc. O autor afirma que os fatos mais diversos e mesmo os mais contraditórios da vida podem servir igualmente de pretexto para o suicídio.

Na temática do suicídio Durkheim nos chama atenção para os seguintes fatores, primeiro, a natureza dos indivíduos que compõem a sociedade; segundo, a maneira como estão associados, ou seja, a natureza da organização social; terceiro, os acontecimentos passageiros que perturbam o funcionamento da vida coletiva. Portanto, só as características gerais da humanidade são suscetíveis de provocarem algum efeito. Para o autor há três tipos de suicida:

• Suicida egoísta. A pessoa se mata para não sofrer mais;

• Suicida altruísta. A pessoa se mata para não dar trabalho aos outros (geralmente pessoas de idade);

• Suicida anômico. A pessoa se mata por causa dos desequilíbrios de ordem econômica e social.

Não é minha intenção, fazer uma análise completa do livro ou citá-lo em detalhes, mas sim despertar o interesse nas pessoas que lessem meu modesto texto. Há milhares de pessoas depressivas ao nosso lado, seja parente ou amigo, colega de trabalho ou faculdade, que poderiam cometer suicídio a qualquer momento. É como poderíamos ajudar estas pessoas? Não sei. Mas se cada jornalista, blogueiro, artista ou não compreendesse a dimensão dessa causa morte, aproveitaria seu espaço nas mídias em geral, para produzirem textos que cumprissem melhor o papel social.

Dados para ir além (Texto abaixo foi retirado do site ABC da saúde, na seção psiquiatria):

SUICÍDIO: A palavra suicídio (etimologicamente sui = si mesmo; -caedes = ação de matar) foi utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737 e significa morte intencional auto-inflingida, isto é, quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso, decide tirar sua própria vida. De acordo com dados atuais da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa que a cada 30 segundos uma pessoa se mata. Estima-se que para cada pessoa que consegue se suicidar, 20 ou mais tentam sem sucesso e que a maioria dos mais de 1,1 milhão de suicídios a cada ano poderia ser prevista e evitada.

O suicídio é atualmente uma das três principais causas de morte entre os jovens e adultos de 15 a 34 anos, embora a maioria dos casos aconteça entre pessoas de mais de 60 anos. Ainda conforme informações da OMS, a média de suicídios aumentou 60% nos últimos 50 anos, em particular nos países em desenvolvimento. Cada suicídio ou tentativa provoca uma devastação emocional entre parentes e amigos, causando um impacto que pode perdurar por muitos anos.

Probabilidades

Através da observação dos casos de suicídios, pode-se constatar que há certos fatores que estão relacionados a uma maior ou menor probabilidade de cometer o suicídio. Por exemplo, as mulheres tentam o suicídio 4 vezes mais que os homens, mas os homens o cometem (isto é, morrem devido a tentativa) 3 vezes mais do que as mulheres. Isso se explica pelo fato de os homens utilizarem métodos mais agressivos e potencialmente letais nas tentativas, tais como armas de fogo ou enforcamento, ao passo que as mulheres tentam suicídio com métodos menos agressivos e assim com maior chance de serem ineficazes, como tomar remédios ou venenos. Doenças físicas, tais como câncer, epilepsia e AIDS ou doenças mentais, como alcoolismo, depressão e esquizofrenia, são fatores relacionados a taxas mais altas de suicídio. Além disso, uma pessoa que já tentou cometer o suicídio anteriormente tem maior risco de cometê-lo. A idade também está relacionada às taxas de suicídio, sendo que a maioria dos suicídios ocorre na faixa dos 15 aos 44 anos.. Motivos: As pessoas podem tentar ou cometer suicídio por diversos motivos. • numa tentativa de se livrarem de uma situação de extrema aflição, para a qual acham que não há solução;

• por estarem num estado psicótico, isto é, fora da realidade;

• por se acharem perseguidas, sem alternativa de fuga;

• por se acharem deprimidas, achando que a vida não vale a pena;

• por terem uma doença física incurável e se acharem desesperançados com sua situação;

• por serem portadores de um transtorno de personalidade e atentarem contra a vida num impulso de raiva ou para chamar a atenção.

Indicadores de Risco

O suicídio é algo que, em geral não pode ser previsto, mas existem alguns sinais indicadores de risco, e eles são: • tentativa anterior ou fantasias de suicídio,

• disponibilidade de meios para o suicídio,

• ideias de suicídio abertamente faladas,

• preparação de um testamento,

• luto pela perda de alguém próximo,

• história de suicídio na família,

• pessimismo ou falta de esperança, entre outras.

Pessoas que apresentem tais indicadores devem ser observadas mais atentamente. Entretanto não se pode ter certeza alguma a respeito pois a ideia de morrer pode mudar na mente da pessoa, de um momento para outro. Como encaminhar quem está com risco de suicídio Quando a preocupação a respeito de um risco de suicídio ocorrer em relação a uma pessoa, esta deve ser encaminhada a uma avaliação psiquiátrica, em emergências de hospitais que trabalhem com psiquiatria, para que se possa avaliar adequadamente o risco e oferecer um tratamento para essa pessoa. Esse tratamento poderá ser uma internação, quando for avaliado que o risco é muito grave, ou tratamento ambulatorial (consultas regulares com psiquiatra), ocasião em que é feita uma avaliação das circunstâncias da vida da pessoa, se ela tem uma família que possa estar presente, observando-a e fornecendo-lhe suporte, e à qual, ela própria, apesar da vontade de se matar, possa comunicar isso e pedir ajuda antes de cometer o ato. Quando alguém estiver pensando em cometer suicídio é importante comunicar essa ideia para que outros possam ajudá-lo, pois quem está se sentindo tão mal a ponto de pensar que a morte é sua única saída, com certeza precisará de ajuda para sair dessa.

1-Faute de penser la mort, il ne nous reste, semble-t-il que deux solutions: ou bien penser sur la mort, autour de la mort, à propos de la mort, ou bien penser à láutre chose qu´à la mort, et par exemple à l avie”

2-Informação retirada do artigo : O suicídio motivado pela mídia, publicado no site : http://manassesqueiroz.blogspot.com/2005/12/o-suicdio-motivado-pela-mdia.html

Bibliografia DURKHEIM, Émile. O suicídio. Os pensadores: Abril cultural JANKELEVICH, Jan. La Mort. Paris:Flamarion, 1966. http://www.abcdasaude.com.br/psiquiatria/suicidio


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