caneta tinteiro

Rascunhos digitais. Textos analógicos.

Murilo Reis

Murilo Reis nasceu em Araraquara/SP. Mestrando em Estudos Literários pela Unesp, escreve para o site "Homo Literatus". É autor do blog "O paralelo" e do livro de contos "Identidades secretas" (Lamparina Luminosa, 2016)

O Chevalier de Edgar Allan Poe III

Terceiro e último artigo sobre a trilogia protagonizada pelo dedutivo detetive C. Auguste Dupin.


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É na escuridão que a mente humana resolve o mais complexo dos casos.

Ao contrário do assassinato, crime catártico mais abordado nas narrativas policiais por se tratar de algo irreparável, o roubo de um importante documento é o caso investigado em "A carta roubada", terceiro conto da trilogia Dupin, de Edgar Allan Poe.

De posse desse trunfo, o ministro D., ladrão que se faz propositalmente conhecido, tem nas mãos uma arma que lhe dá poder para realizar chantagens, com o intuito de subir na hierarquia política de sua sociedade.

Edgar Allan Poe constrói um sombrio cenário em que seu protagonista C. Auguste Dupin, envolto nas sombras de seu gabinete e em psicodélicas espirais de fumaça provenientes de seu cachimbo, analisa os fatos ocorridos, os erros e acertos da sempre limitada autoridade policial parisiense, provando ser o detetive de ocasião mais cerebral da ficção policial. O leitor é conduzido a uma busca minuciosa e científica, que percorre o mais ínfimo e estreito orifício, tudo com base nos relatos do inspetor G.

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O criminoso é matemático e poeta por formação. Sendo assim, esconde o documento em um lugar que foge da rotineira complexidade exercida por ladrões comuns. Durante sua ausência, a polícia adentra a casa em que mora o trapaceiro e se utiliza dos mais modernos equipamentos de inspeção microscópica. Vãos, assoalhos, miolos de livros. O mais improvável dos locais não escapa à atenção dos investigadores.

Somente Dupin se dá conta do simples, visível e ao mesmo tempo obscuro local onde se encontra a missiva. Mas para chegar à solução, mais uma vez o intelectual cavalheiro de olhar perdido, modos preguiços e de fala ponderada, vale-se de complexas reflexões, desta vez baseadas em jogos dedutivos realizados por meninos na escola e também nos relatos do inspetor G. a respeito das fracassadas incursões de sua polícia.

"A carta roubada" encerra a trilogia do nada errante chevalier de Edgar Allan Poe, o detetive amador mais profissional da literatura.


Murilo Reis

Murilo Reis nasceu em Araraquara/SP. Mestrando em Estudos Literários pela Unesp, escreve para o site "Homo Literatus". É autor do blog "O paralelo" e do livro de contos "Identidades secretas" (Lamparina Luminosa, 2016).
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