caneta tinteiro

Rascunhos digitais. Textos analógicos.

Murilo Reis

Murilo Reis nasceu em Araraquara/SP. Mestrando em Estudos Literários pela Unesp, escreve para o site "Homo Literatus". É autor do blog "O paralelo" e do livro de contos "Identidades secretas" (Lamparina Luminosa, 2016)

O trio parada dura de Chicago

Russian Circles e seu "Station", álbum silenciosamente devastador.


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Muitos dirão que o vocal é importantíssimo e imprescindível para o rock.

Se pensarmos em bandas como Queen e Led Zeppelin, sem dúvida, é difícil imaginá-las sem seus respectivos Freddie Mercury e Robert Plant. Porém, muitas vezes somente a trama que se desenrola entre os instrumentos é o suficiente para se fazer boa música. Afinal, o próprio Zeppelin já fez grandes achados instrumentais como "Moby Dick" e "Bonzo's Montreux".

Russian Circles é um trio de Chicago formado por Mike Sullivan (guitarra), Brian Cook (baixo) e Dave Turncrantz (bateria) que aposta somente na potência de seus instrumentos. O álbum "Station", lançado em 2008, é um belo selecionado de verdadeiras pérolas instrumentais.

Leveza, peso, técnica, porrada, derretimento cerebral.

"Station" é rock metalizado de primeira, coisa fina mesmo, que fará os fãs da clássica "Orion", do clássico álbum "Master of Puppets" do Metallica, viajarem nos riffs destruidores e repentinos desse trio que bem poderia ser classificado como "parada dura".

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Tal como um certo "The Dark Side Of The Moon", de uma certa banda chamada Pink Floyd, é uma sequência que deve ser ouvida ordenadamente, sem skips forward ou coisas do gênero. Uma faixa progressiva é a preparação para o terreno árido e pesado da outra.

Destaque para cinquenta porcento das seis ótimas faixas: "Harper Lewis" e seu baixo inicial poderoso, que nos obriga a seguir seu ritmo com a cabeça. Esse mesmo baixo potente se une às guitarra e bateria pesadamente intensas na faixa-título. E "Youngblood" é daquelas que possuem começo levemente progressivo para penetrar na mente com um final dilacerante e arrebatador.

Russian Circles e seu "Station" são a prova de que muitas vezes o silêncio vocal pode ser o mais ensurdecedor dos mecanismos musicais.


Murilo Reis

Murilo Reis nasceu em Araraquara/SP. Mestrando em Estudos Literários pela Unesp, escreve para o site "Homo Literatus". É autor do blog "O paralelo" e do livro de contos "Identidades secretas" (Lamparina Luminosa, 2016).
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