João Lopes

Sei um segredo, você tem medo

Boyhood e a beleza da vida comum

Aclamado pela crítica, o drama 'Boyhood - Da Infância à Juventude' lança-se na história do cinema de modo despretensioso para jamais ser esquecido. Anunciado como último filme do diretor Linklater, o longa reconta a vida de todos nós, nos oferecendo a realidade como a mais bela forma de arte.


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O drama americano do diretor Richard Linklater, Boyhood – Da Infância à Juventude, lançado este ano (2014), começou a ser filmado em 2002 e demorou todo esse tempo, onze anos, para ser gravado. Linklater foi capaz de acompanhar o amadurecimento das personagens em suas vidas reais ao longo destes anos enquanto explorava isso na gravação do próprio enredo.

Altamente elogiado pela crítica, o longa tem aprovação de 99% dos críticos. Para o The Guardian trata-se de ‘um dos melhores filmes de nossa época’, e para a revista Rolling Stone estamos falando do ‘melhor filme de 2014, uma obra-prima despretensiosa’.

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Somente este ano o 'despretensioso' Boyhood já levou os prêmios de Melhor Diretor, Prize of the Guild of German Art House Cinemas e o Premio do Júri do Festival de Berlim, além de ter arrematado outras premiações nos festivais 2014 SXSW Film, San Francisco International Film e Seattle International Film, e, além disso, lidera indicações no Globo de Ouro sendo lembrado em cinco categorias.

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Mason, protagonizado pelo ator Ellar Coltrane, inicia as gravações aos seis anos de idade e somente as finaliza ao completar dezoito anos, filho de pais divorciados, o jovem mora com a sua mãe e irmã, e levam uma vida comum tendo as relações cotidianas e inevitáveis a qualquer pessoa.

Durante os 39 dias em que se deram as gravações, ao longo dos onze anos, percebemos como cada personagem amadurece, como a personalidade do jovem Mason se forma e muda conforme a necessidade dos tempos e, sobretudo, como a vida comum é impressionantemente encantadora.

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Ao demonstrar a realidade da maioria das nossas relações – de modo tão desapegado da necessidade de representar qualquer tipo de clímax – o diretor nos sensibiliza por meio da tela a encarar a realidade com maior naturalidade e já não encontramos o descompasso que a ficção nos impõe, mas somos capazes de nos encontrar com a realidade com olhos de maior generosidade.

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Boyhood torna-se, enquanto o assistimos, um filme de nossa vida diária, fragmentos de nossa história contados com naturalidade e beleza – e, por vezes, expõe traços da nossa personalidade, problemas que estão presentes em todas as famílias, dúvidas e anseios não somente juvenis como também aqueles que se escondem no coração adulto.

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Além disso, o drama retoma uma ‘função da arte que estava esquecida’ como diria o filósofo suíço Allain de Botton, pois ao simplesmente registrar o amadurecimento das personagens, as falas triviais ou um casal de namorados comendo em um restaurante, ele faz com que nos sintamos em casa, identificados sensivelmente com a nossa vida moderna e cotidiana, como se a própria arte nos apontasse o que há em nós de mais humano.


* Ficha técnica

Título: Boyhood (Boyhood – Da Infância à Juventude)
Direção: Richard Linklater.
País: Estados Unidos.
Gênero: Drama.
Duração: 2h45 min.
Censura: Livre.
Elenco: Ellar Coltrane, Ethan Hawke, Patricia Arquette.


João Lopes

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