caos e prosa

Um pouco sobre tudo, um pouco sobre nada

Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa.
Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade

Por uma Vida Mais Livre - Na Natureza Selvagem

Numa sociedade que pressiona, exigindo cada vez mais, a servidão e ode ao sucesso são epidemias da contemporaneidade. Mas como se livrar disso? Temos o exemplo de Chris McCandless...


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Dirigido por Sean Penn, com uma fotografia de tirar o fôlego, baseado em fatos reais e no livro homônimo que conta essa história tocante. Se nada disso foi suficiente para te deixar curioso para assistir Na Natureza Selvagem, devo acrescentar sua trilha sonora foi composta com primor por Eddie Vedder especialmente para o filme. Espero que tenha ficado mais interessado agora, pois vou falar um pouco sobre ele.

Quem é cinéfilo, ou pelo menos grande amante da arte como eu, acaba assitindo milhões de filmes bons. E ruins também. Sinceramente, perdi a conta de quantas porcarias que não valem nem 15 minutos do nosso tempo já assisti até o final.

Mas de vez em quando, a gente se depara com um filme que ultrapassa a barreira do mero entretinimento e que efetivamente meche com alguma coisa dentro de nós. Um filme que classifico dessa forma é o Na Natureza Selvagem (2007).

Baseado na vida de Christopher McCandless, um rapaz de família abastada que, cansado de conviver com as mentiras e com a hipocrisia ao seu redor, abandona uma vida de conforto material e um futuro promissor para buscar uma experiência de vida mais real, longe daqueles que denomina “pessoas de plástico”. Sem dar satisfação, some depois da formatura buscando no isolamento algo mais do que a sociedade vinha lhe oferecendo.

Inspirado em autores como Tolstoi (autor de Guerra e Paz, que defendia o natural) e Thoreau (insubmisso ao sistema, autor de A Desobediência Civil e Walden - ou A Vida nos Bosques) parte sem dinheiro rumo ao Alasca, fugindo da banalidade do cotidiano, das relações superficiais, do viver para trabalhar e ganhar dinheiro. Como uma forma de manifesto, muda de nome para Alexander Supertramp.

into the wild 2.jpg Foto de Chris em frente ao ônibus que foi sua morada na solidão do Alasca.

A personalidade do Alex/Chris foi capaz de encantar, não só quem assistiu ao filme ou leu o livro (eu fiz os dois), mas também diversas pessoas que tiveram a oportunidade de estar em algum ponto de sua jornada. O exemplo dele é tão forte e apaixonado que acaba nos incitando a seguir seu exemplo. E, mesmo que a maioria de nós – me incluo nessa lista – não esteja disposto a abdicar dos confortos que a vida moderna nos proporciona como água encanada e quente, internet banda larga e tantos outros a ideia de desaparecer no meio da natureza, deixando para trás tudo o que há de ruim na nossa sociedade, poder se encontrar consigo mesmo e perder por lá é tentadora.

Ainda que não queiramos fazer como ele – já que essa experiência pode ser muito radical – é possível aprender com o legado deixado e viver uma experiência mais livre e menos conivente com os absurdos que são cometidos em prol desse conforto que tanto prezamos.

A ideia não é abolir o capitalismo – até mesmo porque ainda não se encontrou uma alternativa realmente viável a ele – mas torná-lo mais humano, mais suportável, menos selvagem. Nesse sentido, mesmo pequenas atitudes são válidas: dar bom dia ao motorista do ônibus; ir a pé ao mercado; questionar nossos gastos e reduzir o consumo desnecessário; desapegar um pouco dessa mega mania que nos foi imposta de que temos que “vencer na vida” e que não seremos bons de verdade enquanto não fizermos isso; tomar banho de chuva; dizer não para regras que não fazem sentido; lembrar que o dinheiro e sucesso profissional são invenções da humanidade e não o contrário.

Podia seguir listando por muito tempo, mas acho que deu para entender o espírito da coisa. Te convido a pensar no assunto. Enquanto isso, fique na companhia de Eddie Wedder com Society, minha preferida da trilha sonora do filme.


Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa. Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade .
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