caos e prosa

Um pouco sobre tudo, um pouco sobre nada

Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa.
Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade

O Grinch - Baseado em Fatos Reais

Se você, como eu, fica se perguntando se as pessoas lembram o real sentido do Nata, então este filme é quase obrigatório nessa época do ano. Fatos como o consumismo desenfreado, a competitividade nas decorações e os problemas com o envio e recebimento de encomendas pelos Correios são abordados por esse filme que conta com a maravilhosa atuação de Jim Carey.


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Um filme que virou tradição no meu Natal é o Grinch. Sei que quem já cruzou com ele enquanto zapeava pelos canais da TV pode ter ficado com a impressão de ser um filminho idiota, desses que você só vai assistir quando não for capaz de encontrar absolutamente nada melhor. Bom, a intenção desse texto é tentar te mostrar um outro lado do filme que as vezes não damos muita atenção.

O Grinch é tipicamente aquele filme que pode ser considerado para crianças, mas que possui piadas que só os adultos entendem (no mesmo estilo do Shrek), do tipo quando um bebê chega flutuando em uma cestinha na porta de um casal (é assim que se têm filhos na história) e o marido diz: “Querida, nosso bebê chegou!”, e depois olhando mais de perto, fala baixinho “Ele é a cara do seu chefe”. Ou quando o Grinch fala que o Papai Noel mora lá em cima só para fugir do Imposto de Renda. Isso faz dele uma ótima pedida para assistir com os filhos e ao mesmo tempo dar boas risadas. É um filme indicado para quem ama ou detesta o clima natalino; para todos aqueles que, como eu, lá em meados de outubro se espantou com a musiquinha ir-ri-tan-te da Leader Magazine informando que já era Natal naquela loja.

O melhor do filme é que ele joga na nossa cara, de forma satírica, os absurdos que nos rodeiam na época das festas de fim de ano e de como o verdadeiro significado do Natal é negligenciado pela maioria. É uma crítica ao nosso consumismo desenfreado, ao exagero de comidas, a ficar horas em filas para comprar presentes e a tantas outras bobagens sem lógica que fazemos em prol do “espírito natalino”.

Um dos pontos fortes para mim é a parte que mostra o aumento exponencial da demanda recebida pelos Correios no último mês do ano e do tratamento carinhoso com que nossos pacotes recebem dessa maravilhosa empresa (que tanto nos aborrece em dezembro extraviando nossas encomendas ou atrasando a entrega). Qualquer semelhança com a realidade NÃO é mera coincidência.

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O desespero e exagero na decoração da casa com muitas luzes também é abordado no filme. Mais uma vez, igual vemos no nosso mundo. Não que esse mal afete todas as pessoas, há quem faça uma decoração natalina de bom gosto e sem tantas luzes. Mas, falando francamente, quem não teve a oportunidade de passar na frente de pelo menos uma casa com tanto brilho que chegava a ofuscar a visão neste mês? Isso sem falar na competitividade entre os vizinhos para ver quem tem a casa melhor enfeitada, o que, até onde eu sei, é o oposto do que deveria ser nossa atitude, pelo menos no Natal. Enfim...

Mas, afinal de contas, quem é esse tal de Grinch? Ele é o protagonista do clássico conto de Dr Seuss, “Como o Grinch Roubou o Natal”, que simplesmente odeia essa época do ano em que trenós e Papais Noéis invadem a nossa vida. O personagem verde e feioso vive numa caverna no alto de uma colina de onde observa os despautérios que os habitantes da cidade de Quemlandia praticam na iminência da chegada do bom velhinho. Na companhia do vira lata Max, decide que está na hora de acabar com aquela festa horrenda cujo eixo central são os presentes que serão descartados antes do ano seguinte, indo parar na montanha que nosso amigo verdinho chama de lar. O plano é roubar todos os presentes, comidas, árvores e afins para que todos em Quemlandia fiquem infelizes e assim impedir a chegada do Natal. Simples e engenhoso, como todo bom plano. Infelizmente, não dá certo e os Quem acabam, com a ajuda da garotinha Cindy Lou, recuperando o verdadeiro espírito do Natal e que irá tocar até mesmo o pequeno coração do vilão-herói da fábula.

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A interpretação do Jim Carrey, na pele desse monstrinho verde que ninguém sabe exatamente o que é, dispensa maiores comentários. Com as milhões de expressões faciais do ator, o personagem salta aos nossos olhos de uma forma que chegamos quase a crer que ele realmente existe. E eu fico aqui meio sem saber se o motivo de eu gostar tanto desse filme é a atuação impecável do protagonista, as verdades sobre a sociedade que aparecem no filme ou a minha identificação com o Grinch – com quem compartilho características como a ironia; o jeito caricato e irreverente; a indecisão com as roupas e a relutância a participar de eventos sociais sem sentido. Talvez seja um pouco de cada.

Resumidamente, os absurdos natalinos retratados no filme são: os quilos de comida que enfiamos goela abaixo; as árvores do tamanho de prédios; o consumismo que nos leva a comprar o que não precisamos e iremos destinar em breve ao lixão; o carro novo com que o prefeito de Quemlandia presenteia sua noiva, fornecido generosamente pelos contribuintes (tá bom, esse absurdo acontece durante todo o ano). Falando sério, o que isso tudo tem a ver com comemorar o nascimento de Jesus?

Talvez todos nós precisemos de vez em quando que um carinha estranho e maluco como o Grinch roube todos os nossos presentes, nossa ceia e símbolos do Natal (como árvores e pisca-pisca) para que possamos nos lembrar do verdadeiro significado dessa data e, é claro, do aniversariante.


Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa. Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade .
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