caos e prosa

Um pouco sobre tudo, um pouco sobre nada

Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa.
Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade

Idiocracy - Sobre a nossa crescente imbecilidade

Uma comédia despretensiosa que pode dizer muito mais sobre o nosso futuro do que gostaríamos.


Algumas vezes, um filminho bobo é uma boa pedida para aquelas tardes vazias de domingo. Mas mesmo nos filmes pouco pretenciosos, dá para encontrar algo a mais. Pensei nisso nesse fim de semana, quando assisti pela terceira ou quarta vez o Idiocracy (2006), escrito e dirigido por Mike Judge (criador de Beavis and Butthead ) e que conta com Luke Wilson, Maya Rudolph, Justin Long e Terry Crews no elenco. Para mim, é um dos melhores filmes distópicos já produzidos e que, infelizmente, nos trás um dos cenários mais prováveis.

O filme aborda o tema do paulatino emburrecimento da sociedade, levado até as últimas consequências, chegando ao ponto de o presidente do Estados Unidos ser um ex-ator pornô (interpretado pelo impagável Terry Crews que todos conhecem como o pai pão-duro do Cris de Todo Mundo Odeia o Cris). idiocracy capa.jpg

Em resumo, é basicamente a questão da evolução das espécies (ou seria involução?), com aqueles em maior quantidade dominando o meio. A humanidade chegou naquele ponto de burrice devido ao padrão de reprodução das pessoas dos diferentes níveis de inteligência. No filme, os intelectuais esperam o momento certo para ter filhos, e muitas vezes acabam não conseguindo, já que, vamos combinar, as condições ideais nunca chegam. Por sua vez, aquelas pessoas com baixo nível de inteligência não se preocupam com nada disso. Têm diversos filhos com várias pessoas diferentes. Nesse movimento, a proporção de pessoas inteligentes vai diminuindo até que não exista mais nenhum representante dessa espécie.

Esse é o contexto social em que conhecemos nosso herói, Joe Bauer (Luke Wilson), um militar que participou de uma experiência de hibernação em 2005 – quando era considerado um cara mediano. O experimento deu errado e ele só foi acordar 500 anos depois, quando a humanidade decaiu assustadoramente em seu nível intelectual de forma que Joe se torna a pessoa mais inteligente do planeta.

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Joe desempenhará um papel fundamental, ajudando, inclusive, a resolver problemas sociais como a falência da agricultura regada por uma espécie de Gatorade. Tudo isso com direito a situações muito engraçadas envolvendo pessoas e as máquinas burras criadas por elas. A prostituta Rita (Maya Rudolph), que acompanhou Joe no experimento, também vai parar nesse mundo onde o absurdo está em qualquer lugar para que se olhe.

Generalizações a parte, achei o filme muito bom como crítica social, como um alerta do para onde podemos estar indo. É claro que no mundo real, os inteligentes também se reproduzem; e que não vamos chegar no estágio de dar mais atenção às pesquisas para disfunção erétil do que de Alzeimer, gerando pessoas com ereções mais longas e que não se lembram para que servem, como no filme. Mas, acho que vale a pena a reflexão.

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No filme, um dos programas mais assistido é o "Oh! My Balls!", que consiste em um personagem que é atingido repetidas vezes nas partes baixas. Nesse momento você pode até pensar que estamos anos luz de distância dessa sociedade fictícia. Verdade? Quantas vezes não perdemos nosso tempo com vídeos não menos que idiotas que alguém postou no youtube ou nos enviou por rede social? Quantas das postagens mais populares não são aquelas bem bobinhas falando como se odeia a segunda-feira, ou as dietas? Quantos de nós (eu inclusive) não passamos a maior parte do nosso tempo livre brincando com nossos mágicos Smartfones, que parecem estar ficando mais inteligentes do que nós? É claro que este é um sinal de mudança social e da evolução tecnológica que nos traz incontáveis benefícios. Mas talvez esteja na hora de considerarmos as nossas escolhas e hábitos de entretenimento e cultura. Pois, se não dá para ficar alheio às redes sociais, Smartfones e todas essas outras coisas da nossa modernidade, também não dói buscar de vez em quando algo de melhor nível cultural para nos divertirmos, como um livro ou um filminho que nos ponha para pensar. Só para garantir, né. Vai que...


Thaís Messora

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