caos e prosa

Um pouco sobre tudo, um pouco sobre nada

Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa.
Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade

Sobre a Mística de Ser Escritor

Como é dura a vida de um aspirante a escritor...


escritor.jpg Há um mito bastante difundido na nossa sociedade de que os escritores são pessoas com talento para escrita e que para ser escritor basta ter tal dom e a disposição para sentar e escrever um livro. Como se os escritores já nascessem prontos. Basta ter lido muitos livros e uma fagulha de iluminação divina.

Isso faz parecer que a escrita é uma arte inata, algo que não pudesse ser aprendido. Nada poderia ser mais errado do que isso. Comparando com outras artes, quando vemos um grande violinista tocando, admitimos que, logicamente, ele tem um talento para música. Entretanto, ninguém espera que ele tenha aprendido a tocar sozinho, recebendo aquilo que hoje faz como se fosse uma epifania. A mesma coisa ocorre com um grande pintor. Ele não nasceu o artista de vanguarda que é. Pelo contrário, foi necessário muito esforço, disciplina e estudo para materializar o seu talento. Teve que aprender a trabalhar com texturas, tonalidades das cores, perspectiva e ponto de fuga.

Acredito o argumento ficou claro. A questão que me incomoda é como no Brasil há tão poucas escolas de escrita. Porque, sim, a escrita é uma arte, mas isso não anula a técnica. O talento não anula a disciplina; o comprometimento em ler; em treinar; em se aprimorar; em escrever, reescrever e refazer mais uma vez.

Aristóteles, nos idos do século IV antes de Cristo, já havia desmistificado a arte de contar histórias e a explicado na “Poética”. Assim, parece muito estranho e até mesmo atrasado em nosso país a carência de escolas de escritores. escritor 2.jpg Há alguns, é verdade, mas a demanda ainda é muito maior do que a oferta. Uma coisa que eu achava ser uma impressão minha – mas acabei descobrindo que outros escritores também perceberam isso – é que existem muitos textos que auxiliam escritores em sua jornada de aprendizado e 90% deles não está traduzido para o português. É obvio que no mundo contemporâneo saber ler em inglês não é necessariamente algo surreal, mas ainda acho que o mercado nacional carece de livros que ensinem a arte de ser escritor. A prova disso é fácil de se obter, basta digitar writing na busca da Amazon e você encontra uma enxurrada de resultados, tantos que até fica sem saber qual livro comprar.

Em português não é bem assim. Há bons livros sobre o assunto, é verdade – os meus preferidos são o recém lançado no Brasil “Sobre a Escrita” do Stephen King e “A Jornada do Escritor” do Crhistopher Vogler.

Também há cursos interessantes, como o Jardineiro de Ideias (do site ficção em tópicos), o da Fábrica de Textos ou mesmo os ministrados na Estação da Letras no Rio de Janeiro; isso sem contar a oficina do Assis Brasil no Rio Grande do Sul, que eu espero um dia ter a disponibilidade de tempo para participar. Mas ainda assim, não se compara ao mercado internacional.

Por isso, queria fazer um apelo para que entendêssemos que a escrita pode (e, inclusive, deve) ser aprendida, refinada e desenvolvida. Espero que os escritores da próxima geração possam ter mais chances de aprender essa arte sem ter que recorrer aos textos em inglês.


Thaís Messora

Breve e inconstante, mas sempre intensa. Dona de uma mente inquieta e atitude dispersa. Para o bem ou para o mal, vivendo de verdade .
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