certa relevância

Sem um assunto certa relevância eu não escrevo, tampouco sou lida.

Roberta Simoni

Roberta Simoni é escritora, escritora e escritora. Todas as outras funções que desempenha são menos relevantes aqui.

Ricardo Darín: por que amamos?

Entenda o que faz do ator portenho a personalidade mais importante do entretenimento argentino da última década!

Ricardo-Darin.jpg

Por causa dos seus belos olhos azuis? Pelos seus charmosos cabelos grisalhos? Ou amamos o Darín porque ninguém fala palavrões com tanta veemência e beleza como ele?

Até poderia ser, mas não é por nenhum desses motivos que o ator e diretor portenho, de 57 anos, se tornou a personalidade mais importante do entretenimento argentino da última década. No Brasil, seu trabalho começou a ser reconhecido e admirado de poucos anos pra cá, apesar dele já ter começado a brilhar nos palcos dos teatros nos anos 80 e, posteriormente, na década de 90, atuando em seriados para televisão argentina e, por fim, ganhando grande destaque no cinema, em 2000, com o filme Nueve Reinas (Nove Rainhas).

E por que demoramos tanto tempo para descobrir um artista multitalentoso como ele? Porque apenas cerca de 10% dos filmes produzidos pelos hermanos chegam a ser exibidos no Brasil. A triste verdade é que adoramos visitar Buenos Aires, tirar fotos no Caminito, assistir a espetáculos de tango, falar mal do Maradona e alimentar a rivalidade histórica que existe no futebol, mas conhecemos muito pouco da sétima arte, produzida com louvor no país vizinho. Por aqui, os produtores cinematográficos andam mais preocupados em transmitir - e imitar - os filmes enlatados de Hollywood (que arrecadam milhões em bilheteria), do que aprender com o cinema primoroso que é feito na Argentina e que a cada ano cresce numa velocidade bem superior a nossa.

Se hoje conhecemos um pouco mais do cinema argentino, muito disso se deve à popularidade alcançada por Ricardo Darín.

segredo.jpg

A primeira vez que o vi atuando, em 2010, no filme El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos) fiquei admirada. Acabei voltando ao cinema mais duas vezes no espaço de menos um mês para ver o mesmo filme. De lá pra cá, assisti tudo o que pude dele, e elegi como meus favoritos os filmes Un Cuento Chino (Um Conto Chinês), do diretor Sebastián Borensztein, El Hijo de la Noiva (O Filho da Noiva) e El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos), ambos do diretor Juan José Campanella. Recomendo fortemente.

O Filho da Noiva.jpg

E, afinal, por que amamos tanto esse argentino? Porque é impossível ficar indiferente a ele e à maneira como atua e vivencia a experiência na pele de cada personagem. Ele já é o espetáculo em pessoa. E se você acha que o Darín é admirável "só" porque ele é um ator carismático e talentoso, engana-se. Quando não está em cena, ele está sendo ele, o que, no caso, significa: um sujeito espirituoso, inteligente, extremamente simples e humilde, nada artificial e nem um pouco deslumbrado com o mundo da fama. Ou seja, mais admirável ainda por trás das câmeras.

Darín foi uma única vez à entrega do Oscar, afirmou não ter gostado da experiência e, por isso, não voltou mais. Nem quando o filme El Secreto de Sus Ojos ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o Prêmio Goya de melhor filme do ano, ele deu as caras por lá. Optou por assistir a premiação no conforto de sua casa, ao lado da mulher e dos filhos, abrindo mão do glamour, dos flashs da fama e da pompa do evento.

ricardo-darin-3.jpg

Além disso, o ator já se negou a filmar com o famoso e requisitado diretor americano Tony Sott (o convite não foi do Tarantino, como muitas matérias anunciaram de forma equivocada por aí), que certamente aumentaria consideravelmente seu sucesso internacional e o volume da sua conta bancária. Mas Darín afirma já se sentir realizado com sua carreira e, por enquanto, não tem a menor necessidade, tampouco a vontade de protagonizar um filme de Hollywood. Veja aqui um trecho da entrevista onde ele fala da sua relação com o dinheiro e o sucesso.

Entrevista.jpg

Se aos olhos da indústria cinematográfica Ricardo Darín é sinônimo de bilheteria, aos nossos olhos de espectadores, ele é um ator para o qual assinamos um "cheque em branco" e que, tão logo descobrimos que faz parte do elenco, pensamos: se ele está no filme, então deve ser bom.

Certa vez, ouvi uma fã do Darín dizer que passaria um dia inteirinho sentada na frente dele só o assistindo falar todos os tipos de palavrões possíveis, porque ninguém os diz como ele. Eu pegaria meu banquinho e sentaria bem ao lado dela, para assistir a isso e a tudo mais que ele diga ou que represente, porque poucas vezes na vida vi alguém encarnar diferentes papéis na dramaturgia, mantendo um tom irônico, viril e, ao mesmo tempo, terno.

Em outras - e curtas - palavras: ele arrasa!

Em 2014, Ricardo Darín participou de mais dois filmes: Relatos Salvajes (Relatos Selvagens), e Una Pistola em Cada Mano (que, em português, ganhou o título de O Que os Homens Falam), uma produção espanhola, atualmente em cartaz no Brasil. Eu ainda não assisti, mas ouvi falar muito bem e li excelentes críticas a respeito do filme, que parece ser repleto de diálogos ricos e atuações brilhantes, tanto que levou o prêmio de Melhor Elenco no Festival de Miami. Para quem ainda não conhece o trabalho desse adorável portenho, aí está uma excelente oportunidade!

darin.jpg


Roberta Simoni

Roberta Simoni é escritora, escritora e escritora. Todas as outras funções que desempenha são menos relevantes aqui..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/cinema// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Roberta Simoni