checkin

Pra quem quiser espiar, check-in. Quando cansar, check-out.

Ana Luiza Figueiredo

Curiosa que arranja tempo pra falar das coisas. Premiada em diferentes concursos literários, participa de algumas antologias. É autora do livro e e-book infantil O Mirabolante Doutor Rocambole (Selo Off Flip) – e vem mais coisa por aí

10 dicas para quem deseja mudar de ares literários

Quando a sua biblioteca deixa de ser tão interessante ou você percebe que a felicidade não está só na lista dos mais vendidos, é hora de procurar livros novos. Mas por onde começar?


Livros

Está pensando em variar suas experiências de leitura? Ter contato com narrativas mais rebuscadas (ATENÇÃO: ser rebuscada não significa usar palavras pomposas nem obrigar o leitor a reler cada página 10 vezes), que te façam pensar em outros assuntos, sentir emoções diferentes, refletir sobre novas questões e ver as coisas de um novo ângulo?

Bom, eu vivo tendo minhas fases de “Preciso de novidades! ”, então resolvi dividir algumas dicas que me ajudam durante essas mudanças literárias.

Aqui vão elas.

Na dúvida, escolha os clássicos

Os grandes livros foram consagrados por vários motivos, mas o principal é: são narrativas que inovam, que emocionam e que, justamente por falarem tão bem das experiências e sentimentos humanos, são atemporais.

Uma vantagem de começar pelos clássicos é que você vai conseguir identificar como o estilo dessas obras e autores influenciou outras obras e autores – dos mais premiados aos menos elogiados. E ficará surpreso em perceber como esses livros estão presentes nos filmes, ditados populares, músicas e propagandas que vemos por aí.

Outra vantagem é que quando essas obras caem em domínio público (e muitas já caíram) ganham uma edição mais caprichada do que a outra, além de adaptações. A editora Peirópolis, por exemplo, lançou a coleção Clássicos em HQ, na qual adapta vários clássicos da Literatura para os quadrinhos, mantendo nos balões e recordatórios apenas textos contidos na obra original.

Não tema os especialistas

Muita gente torce o nariz para críticos literários ou professores de Literatura muito especializados. Mas pense bem: essas pessoas gostam tanto de livros que passaram a vida inteira estudando sobre eles. Ou seja, podem dar ótimas recomendações e te fazer enxergar detalhes que talvez você não enxergaria se lesse aquela história sozinho.

Não se deixe abater pela fama de “esnobes” ou “fechados”. Num país de poucos leitores, o que a maioria dos críticos mais deseja é ter alguém com quem conversar sobre seus preciosos livros.

Peça indicações a leitores experientes

Sabe aquele amigo que tem o quarto, a sala e o escritório cheios de livros? Ou aquela amiga que vira e mexe cita algum autor/obra? Ou aquele conhecido que curte descobrir novos escritores, seja na internet, seja visitando sebos? Esse pessoal pode te apresentar livros bem legais. Rola até fazer uns empréstimos.

Abrace os infantojuvenis

Quando um livro infantil ou juvenil tem qualidade, encanta leitores de 2 a 100 anos. Provoca risos, nós na garganta, surpresas e questionamentos. Não é à toa que a maioria dos grandes autores tem pelo menos uma obra infantojuvenil – ou são exclusivos do gênero.

E nada de achar que são “mais bobinhos” por causa das ilustrações. Quando bem trabalhadas, engrandecem enredos e personagens, além de tornarem a leitura mais dinâmica. Elas podem acrescentar uma nova dimensão ao que é escrito, mostrar o oposto do que o narrador conta, complementar o texto, etc. Edições caprichadas pensam justamente na interação entre essas duas linguagens: a textual e a visual.

Por serem mais curtos, os infantojuvenis também são ótimos para quem busca adquirir o hábito de leitura, mas ainda não se sente atraído por um calhamaço de 500 páginas.

Não caia nessa de achar que são “leitura de criança” (aliás, o que há de errado em algo ser de criança?). Boa Literatura não tem idade.

Procure além da vitrine

Sabe quando você anda por aí com a impressão de que todas as livrarias têm exatamente os mesmos livros no estoque? Isso é porque as vitrines costumam ser bem parecidas, e não é por acaso que aqueles livros estão em de$taque.

A verdade é que tem muita coisa interessante escondida no cantinho da sua livraria favorita. Não se renda ao primeiro mostruário chamativo. Demore alguns minutos, explore as prateleiras menos visitadas. Às vezes, pela metade do preço, você descobre um livro com o dobro a oferecer.

Faça parte de um clube de assinatura

Um caminho interessante tanto para mudar de ares literários quanto para se tornar um leitor mais assíduo é fazer parte de um clube de assinatura de livros.

Existem uns bem legais, com especialistas ou escritores convidados que selecionam um livro por mês. Esse livro é entregue na sua casa e geralmente vem acompanhado de algum mimo, além de revistas e textos complementares que ajudam a explorar a obra por inteiro. Como assinante, você ganha acesso a fóruns e grupos de discussão.

Outra estratégia é apenas acompanhar as redes sociais desses clubes e, se o livro de algum mês te interessar, você o compra ou aluga de uma biblioteca.

Contos também têm seu charme

Assim como as crônicas, são ótimos para conhecer o estilo de um autor sem ter que começar por sua obra-prima.

As coletâneas são rápidas de ler, agradam todos os gostos e costumam ter um preço acessível.

Existem bons concursos literários que disponibilizam as antologias das crônicas/poesias/contos vencedores gratuitamente, em e-books ou bibliotecas. No caso de concursos organizados por casas editoriais, é comum que vendam a obra resultante, como no caso da Canal 6 Editora e da LiteraCidade.

Muitos dos autores premiados já estão na estrada há vários anos e quem sabe, ao ler o texto de algum deles, você não se interesse em conhecer seu mais novo lançamento? Vale a tentativa.

Pesquise sobre os livros que você pretende ler

Sabia que O Pequeno Príncipe foi dedicado a um amigo judeu do autor, prisioneiro em um campo de concentração, e que por isso a metáfora da estrela é tão presente? Ou que O Apanhador no Campo de Centeio é apontado por muitos estudiosos como “o inventor da adolescência”?

Buscar curiosidades e conhecer o pano de fundo sobre os livros que te indicam ou que você deseja ler é um jeito não apenas de estimular a leitura, mas de enxergar a obra com outros olhos.

Confie nos selos

Prêmios literários tradicionais e os selos de Altamente Recomendável são indicativos confiáveis sobre a qualidade de um livro. Ele foi rigorosamente selecionado entre centenas e até milhares de obras, por gente que entende do assunto.

Também é interessante dar uma olhada nos livros/obras (no caso de concursos de inéditos) finalistas. A concorrência é sempre acirrada, e com certeza eles podem ganhar um espaço na sua estante.

Divirta-se!

Mergulhar no vasto universo da Literatura, provando seus diferentes gêneros (ou falta de gêneros), estilos e narrativas deve ser prazeroso. Não precisa ser maçante, obrigatório, um item para marcar como “confere”.

Se a sua jornada por novas experiências literárias se tornou estressante e cansativa, pare um pouco. Distraia a cabeça com outras coisas, volte aos livros que te deixam mais confortável, leia uma resenha ou outra...

Conhecer outros tipos de Literatura precisa responder a uma vontade que vem de dentro. É ela que te atiça a querer descobrir novos horizontes, ler mais livros, discutir assuntos variados. Ao ter contato com autores e histórias diferentes, você permite que essa vontade cresça. Então é só deixá-la fluir entre as páginas.

Mas não force a barra. Afinal, a intenção é percorrer essa estrada de forma natural, não competir numa maratona.

Mais Livros.JPG

Bom, essas foram as minhas dicas. Para finalizar, deixo aqui o nome de algumas editoras (que não me pagaram nada para publicar isso) responsáveis por projetos bem interessantes, nos ramos mais variados:

Kazuá, ÔZé Editora, 7 Letras, Grua Livros, Miguilim, Carpe Diem, Oito e Meio, Terracota, Selo Off Flip, Pulo do Gato, Reformatório, Lote 42, Peirópolis, Biruta, Demônio Negro, Poetisa, Manati Produções Editoriais, Terceiro Nome, Callis, Fino Traço, Jujuba, MOVpalavras, Penalux, Edições de Janeiro, Canguru, Gato Leitor, Editora 34, Aletria, Quatro Cantos, Patuá, Rovelle, Dedo de Prosa, Bambolê, Livrinho de Papel Finíssimo, e por aí vai.


Ana Luiza Figueiredo

Curiosa que arranja tempo pra falar das coisas. Premiada em diferentes concursos literários, participa de algumas antologias. É autora do livro e e-book infantil O Mirabolante Doutor Rocambole (Selo Off Flip) – e vem mais coisa por aí.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/literatura// @obvious, @obvioushp //Ana Luiza Figueiredo