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Ana Luiza Figueiredo

Curiosa que arranja tempo pra falar das coisas. Premiada em diferentes concursos literários, participa de algumas antologias. É autora do livro e e-book infantil O Mirabolante Doutor Rocambole (Selo Off Flip) – e vem mais coisa por aí

13 coisas que uma mulher que não deseja ter filhos quer que você saiba

Diante de tantas falas e situações que se repetem, quem sabe essa lista-amiga ajude a esclarecer alguns pontos.


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Pois é, pessoal, eu não sou uma alienígena, nem uma ciborgue, muito menos alguma criatura mítica habitante dos confins da Terra (#chatiada). Sou apenas uma jovem mulher que, como muitas outras, não quer ter filhos.

*COMASSIM VOCÊ NÃO QUER SER MÃE, SÓ SE CONHECE O AMOR VERDADEIRO COM A MATERNIDADE, INSTINTO NATURAL DA MULHER!*

Calma, pega leve nos clichês. Aqui vai uma lista de 13 coisinhas que você precisa saber antes de discutir esse assunto com uma mulher que não planeja ter filhos.

1) Não querer ter filhos não significa que eu não goste de crianças.

Mas entre gostar delas e ser mãe delas existe uma enorme diferença. Posso brincar, conversar e aprender com uma criança sem ter responsabilidade nenhuma. Depois de meia horinha, a devolvo para os pais e pronto, sigo meu caminho feliz da vida. A dinâmica é totalmente oposta quando se é mãe.

2) E também não tem problema não ser fã de crianças.

Faz sentido que uma mulher que não seja chegada a crianças não queira ter filhos. É um pensamento muito lógico: não gosto de lidar com crianças, logo, não terei crianças. Muitos homens colocam a "falta de jeito com os pequenos" como motivo para não serem ou não quererem ser pais. Todo mundo leva numa boa. Por que com mulheres seria diferente?

3) Eu sei que posso mudar de opinião.

Já quis ser psicóloga, dentista e obstetra. Me formei em Publicidade e Propaganda. Mudar de ideia(s) ao longo da vida é normal e, quando se trata de decidir sobre a maternidade, eu sei que posso mudar minha opinião um dia.

Mas, por enquanto, essa é minha decisão, meu desejo, a forma como enxergo meu futuro. Gostaria de ser respeitada. Do mesmo modo que eu era respeitada ao dizer que queria seguir essa ou aquela carreira.

4) Dizer que não deseja ser mãe já engloba o ato de adoção.

Uma mãe que adota não é menos mãe do que aquela que gesta o bebê por nove meses. É família, sacrifício, cuidado e cobrança do mesmo jeito. Quando eu digo que não quero ter filhos, não importa se seriam gerados dentro ou fora de mim, planejados ou acidentais, biológicos ou adotivos. Eu não quero ter filhos. Ponto.

5) Optar por não ter filhos não significa que você não queira casar ou ter um(a) parceiro(a).

É engraçado explicar isso, mas há várias formas de construir um casamento e/ou relação duradoura. Algumas delas não envolvem filhos.

Supresaa.gif Surpresaaaa

Não ser mãe não é sinônimo de ser solteira ou não desejar se envolver sério com ninguém ou coisa parecida. Pode ser, mas não necessariamente é. Varia de pessoa pra pessoa. Como tudo na vida.

6) Eu mesma cuidarei de mim na velhice.

Essa explicação merece ser separada em tópicos:

1) É preciso ser muito autocentrado(a) para ter filhos pensando em troca de favores.

2) Ter filhos não significa que cuidarão de você na velhice. Todo mundo conhece pelo menos uma história de pais abandonados quando mais precisaram.

3) Meu estilo de vida será pensado para assegurar uma velhice o mais tranquila possível para mim, já que não contarei com pessoas mais jovens que seriam "encarregadas" dos meus cuidados nessa fase. Portanto, minhas economias e planejamentos vão sempre levar esse futuro em consideração.

4) Falando nele, existem casas de repouso maravilhosas por aí.

7) Minha decisão não está condicionada à presença ou à falta de um homem.

Não deixei de ter filhos porque "ainda não conheci quem me fizesse mudar de ideia" ou "não encontrei a pessoa certa pra formar uma família". A pessoa certa pra mim inclusive nem desejaria esse modelo familiar tradicional.

Já deu de condicionar as escolhas de uma mulher à presença ou à falta de homens, né? Podemos pensar, agir e sentir por conta própria, obrigada.

8) Não sou amargurada, ressentida, má, triste ou egoísta.

Não ter filhos, muitas vezes, é um ato de responsabilidade e consciência. Há milhares de motivos pelos quais uma mulher pode não desejar a maternidade: a forma excludente como as mães são tratadas, dificuldades de inserção no mercado após ter filhos, a situação crescente de violência e escassez em que se encontra o mundo, o modo como crianças são tratadas no Brasil, a falta de amparo financeiro e psicológico para criar os filhos, inabilidade para lidar com questões relativas ao cuidado com a criança/adolescente, traumas pessoais, problemas familiares, entre outros.

Essa mulher pensou em cada um deles e tomou a decisão que julgou mais acertada. Ela levou em conta essa vida que surgiria, e qual tratamento seria destinado a ela. Que obstáculos enfrentaria, em que contexto cresceria, quais seriam suas oportunidades. É um nível de reflexão que, infelizmente, muitos pais não têm ao aumentar a família.

Mulheres que não desejam filhos acabam pensando mais nas consequências da maternidade do que boa parte daqueles que as condenam.

9) Minha escolha não ofende nenhuma mãe.

Parem com essa mania de achar que uma mulher afronta ou desrespeita as mães e/ou mulheres que desejam ser mães ao dizer que não quer ter filhos. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quero mais é que as mães sejam amparadas, valorizadas e compreendidas. Minha decisão pessoal não é um insulto à decisão pessoal de outras mulheres. Do mesmo modo que respeito as que desejam e/ou vivem a maternidade, só espero que também respeitem meus planos de não ter filhos.

10) Chega da piada da louca dos gatos.

Ou a de que vou ficar pra titia. Ou a de que vou morrer de arrependimento. Ou a de que serei babá gratuita pros filhos das amigas [quero nem ter o meu, quem dirá cuidar do filho alheio].

O que essas piadas têm de engraçado? Elas só mostram o seu preconceito comigo e com as minhas decisões. Não importa se nos conhecemos há muito ou há pouco tempo. Minha reação será a mesma:

Oh gif Afe, melhore

11) Minha missão na Terra não é procriar.

Já tá cheio de gente no planeta e não faltam pessoas dispostas a colocar mais serumaninhos no mundo.

Relaxa que a extinção da espécie não será por minha causa.

12) Ser mulher não equivale a ser mãe.

Nem toda mulher quer um buquê de flores, nem toda mulher quer usar maquiagem, nem toda mulher quer cozinhar no domingo e tchan tchan tchan tchan: nem toda mulher quer ser mãe \o/

A ideia de que uma mulher só é completa com a maternidade é extremamente restritiva e injusta, inclusive com as próprias mães. Reduz todas as suas qualidades e conquistas ao segundo plano. Qualquer coisa que faça vale menos do que ter (ou não ter) tido filhos.

Crenças como essa continuam impedindo que mulheres tenham mais oportunidades e expandam seus horizontes.

13) Eu não lhe devo satisfações.

Eu não preciso enumerar todos os motivos pelos quais não quero ser mãe toda vez que o assunto "maternidade" entra na roda de conversa. Eu não preciso andar com uma placa escrita "Desculpe, não quero ter filhos" pendurada no pescoço. Eu não preciso ouvir todas as mil e uma ~alegrias~ que a vida de mãe proporciona, porque eu não quero essa vida.

O que faço com o meu corpo e futuro dizem respeito a mim. Se eu escolho consultar outras pessoas sobre isso, é uma decisão própria, baseada na minha vontade, e as pessoas com quem eu conversar serão personagens secundários nessa história. A protagonista da minha conduta e dos meus desejos sou eu.

E se eu nunca lhe pedi opinião, conselho ou informação sobre maternidade, é porque não acho que você seja relevante para ajudar a construir meu posicionamento. Você não foi convidado(a) pra essa conversa então, por favor, mantenha-se fora dela.

Como já diz a canção:

a vida é minha eu faço o que eu quiser.gif E tenho dito ;)


Ana Luiza Figueiredo

Curiosa que arranja tempo pra falar das coisas. Premiada em diferentes concursos literários, participa de algumas antologias. É autora do livro e e-book infantil O Mirabolante Doutor Rocambole (Selo Off Flip) – e vem mais coisa por aí.
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