choque sináptico

Isso não é um surto psicótico. Esse é um momento de clareza.

Matheus Martins

Quem quer flores depois de morto

Mais da mesma inovação

O mundo presenciou o lançamento do mais novo produto da já aclamada linha Iphone, que promete ser revolucionário. Depois do clima de mistério gerado e da badalação dos dias inicias, o que todos nos perguntamos é se algo realmente mudou ou se queremos apenas enganar a nós mesmos.


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Até a concorrência tem de admitir que a linha Iphone, da gigante americana Apple, é um sucesso inegável, até o final de 2012 estimasse que um total de 56 milhões de Iphones tenham sido vendidos ao redor do mundo, é obvio que essa marca é um tanto defasada até porque apenas no primeiro dia de pré-venda foram comercializados cerca de 4 milhões dos novos aparelhos da empresa (Iphone 6 e Iphone 6 Plus) e porque, claro, estamos em 2014 as vésperas de 2015.

Tanto o Iphone 6 quanto o Iphone 6 Plus nos fazem notar grandes melhorias em relação aos aparelhos antecessores da Apple; o processamento foi aprimorado tornando-os mais rápidos e ágeis ao navegar pela internet ou imergindo na infinidade de aplicativos que possuem, o design foi alterado causando um aumento da tela sensível ao toque e consequentemente dos celulares, os botões físicos foram realocados, a nova câmera tem uma definição mais sofisticada, sem contar a bagagem tecnológica que vem do Iphone original lançado em 2007. Em meio a tantos aprimoramentos técnicos e a uma sútil mudança na “cara” do dispositivo o que resta é uma ligeira sensação de “e o que mais?”, como se sentíssemos a falta de algo.

Muito do sucesso comercial da Apple tem origem na legião de fãs obtidos pela empresa ao longo dos anos. Para entendermos esse sucesso de Marketing temos que remontar aos primórdios da empresa. A Apple foi fundada em 1976 por dois Steve’s: Jobs e Wozniak, ambos se conheceram em convenções de eletrônicos apenas alguns anos antes da formação da empresa, Wozniak era um grande engenheiro e Jobs tinha o que podemos chamar de “visão” os dois arrecadaram dinheiro vendendo alguns artigos pessoais e assim surgiu a “Apple Computers Inc”, se somarmos a essa combinação um pouco de sorte podemos dizer que já é meio caminho andado para o sucesso. No entanto Wozniak não era apegado às questões administrativas e comerciais da empresa, coisa que Jobs, certamente, o era. Jobs tratou, desde o inicio, de moldar a Apple à sua maneira, fortemente influenciado pela cultura hippie, por desings minimalistas e pelos valores budistas, Steve procurou tornar da Apple uma força da contracultura na esfera tecnológica. O que Steve pretendia era criar uma empresa que incorporasse a inovação e a transformação em seu DNA mostrando que eles não seguiam os padrões como todas as outras empresas da época, tal pensamento culminou com os icônicos comercias; “Think Different” onde diversas personalidades mundiais, como Albert Einstein e Pablo Picasso, são associadas à imagem da empresa e “1984”, alusão ao livro homônimo de George Orwell, no qual um individuo, cansado das opressões, arremessa um martelo na imagem de um ditador, essas campanhas publicitárias contribuíram a consolidar a fama que Jobs tanto queria. Talvez pela filosofia ou pelo design, o fato é que a Apple conquistou um numero enorme de consumidores, mais que consumidores: verdadeiros fãs, com lealdade incomum se comparamos a outras empresas. Esses mesmos fãs ergueram a marca ao posto de mais valiosa do mundo, tirando o posto que outrora pertencera a Coca-Cola por muitos anos, esses mesmo fãs fazem filas nas lojas semanas antes dos lançamentos e fizeram desses mesmos lançamentos acontecimentos de proporções globais, esses mesmos fãs esperam por inovações fabulosas, esses mesmos fãs amam a marca e esses mesmos fãs protegem a Apple. Nesse ponto é que encontramos um problema que parece crescer com o tempo.

No dia seguinte a morte de Steve Jobs em meados de 2011, as ações da Apple no mercado experimentaram uma queda em seu valor, os acionistas acreditavam que junto com Jobs a inovação também havia partido, contudo com os lançamentos do Ipad e Iphone 4 (sucessos absolutos de vendas) um ano antes, tal previsão pareceria loucura para qualquer pessoa.

Porém, nos anos posteriores, podemos observar tendências alarmantes, a vantagem obtida pela Apple nos anos iniciais diminuiu consideravelmente, outras empresas como a Samsung, enxergando a enorme oportunidade do mercado de smartphones, assumiram grandes fatias no mercado, investindo pesado em tecnologia e pesquisa, lançando diversos produtos de qualidade, os novos Iphones, ambos, perdem quando comparados aos celulares top de linha das outras fabricantes. A real mudança, característica fundamental dos produtos da empresa, parece ter migrado para algum lugar, um lugar que o atual CEO, Tim Cook, teme em dizer não ter encontrado.

No fim a principal força da Apple parece se dissipar, o trunfo da empresa residia justamente em transformar artigos tão sólidos, complexos e nada atraentes como computadores, em algo desejável, algo sensual que é sinônimo de diferença.


Matheus Martins

Quem quer flores depois de morto.
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