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Expressando os sentimentos como exercício para a alma

Christiane Afondopulos

Psicóloga e Advogada, mas que acima de tudo ama escrever e se encontrar em meio às palavras.

A onda do “selfie” nas redes sociais e seus reflexos numa sociedade dominada pelas tendências tecnológicas

Até que ponto uma tendência lançada pela via da tecnologia pode revolucionar, de modo positivo ou negativo, a forma como vivemos e interagimos? E mais adiante, como isso reflete nas diversas situações do dia-a-dia aos olhos do outro?


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A onda do “selfie”, como recente tendência das redes sociais, ganhou adeptos de todas as idades e faz parte do dia-a-dia das pessoas como algo divertido e descontraído, muitas vezes com a simples finalidade de mostrar um estado de humor, uma paisagem ao seu fundo ou um encontro de amigos que merece ser registrado. Isso é positivo? Acredito que sim, acho válido e coerente com o mundo moderno.

O problema é quando esse simples “clique” passa a ser tão habitual na vida do indivíduo, que de repente não consegue viver sem ele. E como tudo em excesso, o resultado é o risco do mergulho num estado febril em que não se consegue mais distinguir qualquer limite de tolerância.

Aí é onde entra o lado negativo desse fenômeno que invadiu e revolucionou as páginas das pessoas, as quais nem sempre são capazes de avaliar uma situação inadequada, constrangedora ou até mesmo desrespeitosa.

Não são raros os “selfies” em velórios, no meio de acidentes, templos sagrados, reuniões íntimas, com ar exageradamente provocante (até mesmo por crianças e pré-adolescentes), enfim, sem qualquer discernimento e consciência. Sim, algumas pessoas perderam totalmente a consciência diante dessa ferramenta e atingiram o ponto mais alto da alienação.

E isso reflete diretamente na sua forma de interagir com o mundo, que recebe estímulos deficientes a todo instante e os redireciona a outros indivíduos que, por conta da sua capacidade limitada de reflexão, adotam esse comportamento massificador.

Como se não bastasse, todo esse movimento vem acompanhado de uma vaidade típica das redes sociais, onde além de fazer o “selfie” é também preciso estar perfeito aos olhos do outro. E aí mais um acontecimento bizarro se estabelece, pois além de fazê-lo no local inapropriado, o indivíduo cria meios acrobáticos para sair impecável no “clique”.

Um retrato desastroso e triste que pode exemplificar isso, foi o dia em que presenciei um jovem casal fazendo um “selfie” dentro de um templo sagrado e, para que a foto saísse perfeita, utilizavam uma câmera adaptada a um suporte manual de mais ou menos 70 centímetros que esbarrava em qualquer um que se atrevesse a chegar perto deles! De fato eles não passavam desapercebidos e atraíam toda a atenção das pessoas que estavam no local. E pior, não demonstravam vergonha alguma.

Confesso que isso me causou estranheza e certo desconforto.

Parece que estamos diante de algo que merece ser pensado e refletido, não é?


Christiane Afondopulos

Psicóloga e Advogada, mas que acima de tudo ama escrever e se encontrar em meio às palavras..
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