chrizoca

Expressando os sentimentos como exercício para a alma

Christiane Afondopulos

Psicóloga e Advogada, mas que acima de tudo ama escrever e se encontrar em meio às palavras.

O QUE HÁ POR TRÁS DA CULTURA DO "NÃO ME RESPONDE"?

Quem nunca mandou uma mensagem ou um e-mail e ficou esperando por uma resposta que nunca chegou? Nesse caso, não se trata de relações afetivas, mas algo que vai muito além, que se estende para as relações de amizade e profissionais.


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Certa vez li uma entrevista de um francês sobre as maiores dificuldades que ele encontrou em viver no Brasil e os costumes estranhos aos seus.

Dentre alguns relatos, estava um fato que o incomodava muito e que ele dizia não entender: o motivo pelo qual os brasileiros não respondiam seus e-mails e mensagens. Isso acontecia na sua vida pessoal (nas rotinas do dia a dia) e também no seu ambiente de trabalho.

Quando li esse “desabafo”, percebi que de fato esse pode ser um costume dos brasileiros, e que não afeta somente estrangeiros que vivem aqui, mas também alguns de nós, naturais daqui, talvez pouquíssimos com um pensamento diferente.

Comecei então a tentar entender o “porque” dessas não respostas, não retornos, ignoradas colossais que recebemos todos os dias, seja num bate papo informal ou no trabalho, onde uma séria decisão muitas vezes depende da resposta do outro que nunca chega.

O que leva uma pessoa a ler um recado ou e-mail e simplesmente fazer de conta que não o fez? Deixar o outro no vácuo? Como se compromissos ou a mera boa educação não existissem?

Podem existir muitas coisas por trás disso, desde o descaso já enraizado na própria criação do indivíduo, até a falta de profissionalismo e seriedade que teoricamente deveriam acompanhar qualquer membro de uma equipe.

Independentemente dos motivos, o fato é que isso se tornou algo cultural entre os brasileiros e acontece frequentemente, despertando no outro os mais diversos sentimentos: alguns se decepcionam, outros se irritam, e assim vai.

Se isso é certo ou errado? Para aqueles que possuem esse costume, acredito que não pensem estar prejudicando, magoando ou ofendendo o outro de alguma forma, não possuem esse pensamento de respeito e consideração.

Já para a pequena minoria que se espanta com esse comportamento, isso vai muito além do simples ato, fazendo com que se crie todo um entendimento sobre uma personalidade um tanto negativa, uma educação prejudicada, um traço antiprofissional.

E não importa quantas vezes isso aconteça, essa pequena minoria, leal aos seus correspondentes, sempre irá se frustrar e se entristecer diante da falta da resposta do outro, pois essa é uma questão tão básica que nunca deveria fugir ao nosso cotidiano.


Christiane Afondopulos

Psicóloga e Advogada, mas que acima de tudo ama escrever e se encontrar em meio às palavras..
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