cine in sena a balada do cineasta comum

Coluna quinzenal de cinema e audiovisual

Thiago Sena

Cineasta e apaixonado por cinema. Ama western, filmes de ação, ficção científica e cultura pop. Cinéfilo no sentido: movimento francês da segunda metade do século XX. Fã da Nouvelle Vague e do cinema iraniano.©

Planeta dos macacos: César, O Imperador

Um olhar sobre Planeta dos Macacos: o confronto


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César, O Imperador

Na Roma antiga, Júlio César foi um governante que foi traído e assassinado por seus Senadores, gerando um grande caos e um período conturbado na sociedade, na política e na economia da cidade.

Essa metáfora parece ser o mote do filme "Planeta dos macacos: o confronto" (2014). Nele, temos a continuação do primeiro filme que dá início ao reboot/remake de uma das maiores sagas de ficção científica do cinema. No primeiro filme, "Planeta dos macacos: a origem", de 2011, vemos o novo começo da saga. Diferentemente do filme de 1968, que o mote era um astronauta que acidentalmente viaja no tempo para um futuro em que a terra e os homens são dominados por macacos, temos uma atualização e uma contextualização maior com o mundo atual.

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No filme de 2011, os macacos ganham vida através de um soro/gás que é utilizado para combater o mal de Alzheimer, a substância que é testada em chipanzés concede uma solução provisória para a doença, mas concede aos símios uma capacidade de raciocínio e uma inteligência equivalente e, em certos casos, como o do protagonista, superior. César, filho do primeiro símio que recebe o tratamento, é o resultado disso, ele lidera uma rebelião dos macacos, mas não contra os humanos, mas em prol da liberdade e do direto de viver deles na selva. Outra consequência do medicamento é o desenvolvimento de uma doença, um vírus que dizima a raça humana e dá o mote necessário para o segundo filme.

O segundo filme, de 2014, trata-se de um mundo com cenário pós-apocalíptico. Cronologicamente, passaram-se 10 anos do primeiro filme, já temos a sociedade dos macacos solidificada e César com sua família: um chipanzé mais velho e outro que acabara de nascer. Se o primeiro filme podemos adotar como moral o uso de animais para estudos científicos (o quanto isso pode ser cruel), no segundo a temática subjetiva é a falta de recursos e o caminho que nosso mundo está indo. Nele, os homens não têm energia e vivem refugiado em um prédio no centro de São Francisco, cidade dos Estados Unidos. E é justamente com a necessidade de recursos que eles vão à floresta em busca de reativar uma usina em busca de energia. Nesse meio, César é traído por um de seus macacos de confiança que inicia uma guerra contra os homens remanescentes, justamente como na Roma antiga, após o “assassinato” de César, um período conturbado se instaura na sociedade dos macacos.

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O caráter tecnológico do primeiro filme é levado a perfeição nesse. A captura de movimentos para dar reação aos macacos (sobretudo César) passa a realmente o que eles são capazes de sentir. É impossível não se apegar ao macaco César que - ao mesmo tempo é líder e generoso - tenta ao máximo proteger sua espécie e família. O filme em nenhum momento torna-se monótono e o clímax é muito bem desenvolvido. É um aprofundamento da primeira história e ao mesmo tempo um rompimento de vez com o cânone já desenvolvido na franquia de filmes anteriores. A origem e O confronto solidificam uma nova saga de filmes que em nada deve da original e que se distância da mesma.

César tem o perfil do Imperador e nos leva a acreditar em sua luta e seu filme. É um filme belíssimo para ver e rever.


Thiago Sena

Cineasta e apaixonado por cinema. Ama western, filmes de ação, ficção científica e cultura pop. Cinéfilo no sentido: movimento francês da segunda metade do século XX. Fã da Nouvelle Vague e do cinema iraniano.© .
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