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Um blog sobre cinema e coisas afins

Thomson Albuquerque

Cinéfilo e colecionador apaixonado pela arte da imagem em movimento. Diretor, roteirista e protagonista da sua própria vida.

A Metrópolis de Lang

Uma obra futurista ousada, atemporal e que até hoje surpreende pela sua magnitude. Conheça a Metrópolis expressionista de Lang, onde os feitos de seu cineasta são tão grandes quanto os seus arranha-céus.


Caros leitores, convido-os a embarcarem comigo por uma viagem a fascinante Metrópolis (1927) de Fritz Lang. O ano é 2026, no subsolo da suntuosa cidade-título estão os operários que, privados das visões dos arranha-céus, trabalham incessantemente para garantir que os ricos, que estão logo ali sobre as suas cabeças, na parte de cima da cidade, possam ostentar e gozar de todo o seu poder.

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Bem, o resto da trama pode parecer clichê com a mocinha revolucionária que desperta os interesses amorosos do filho do magnata da cidade, com o pai desolado que tenta pôr fim ao relacionamento e mais uma sucessão de fatos que culminam com o bom (?) e velho “Happy Ending”.

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O que de fato se sobressai na película de Lang, é a magnitude de seus cenários e de suas cenas realizadas em uma época em que quase não existia nenhum recurso tecnológico. Pesam a favor de tal feito, o orçamento relativamente portentoso, os estúdios gigantescos, a estética expressionista, o elenco e a direção coesa. As filmagens que duraram 9 meses e fizeram uso do impressionante número de 30 mil figurantes(!), deram vida ao primeiro robô da história do cinema, o qual fora parcialmente destruído na cena da fogueira, restando atualmente apenas uma réplica da invenção original. Outra perda, que até hoje desperta a curiosidade de muitos, foi de parte de algumas cenas do filme (cerca de 30 minutos!) que durante anos foram procuradas por vários pesquisadores até serem encontradas em 2008 na Argentina em uma cópia de 16 mm já bastante deteriorada pela crueldade do tempo. Das “novas cenas” foi possível recuperar muito material que antes só se tinha conhecimento da sua existência em virtude do roteiro do filme e de algumas fotos da época. Recomendo aos interessados em se encantar com este mundo futurista-expressionista que deem preferência à versão mais recente com o total de 148 minutos.

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Se o arrojado projeto visual de Metrópolis é pretexto suficiente para uma longa conversa sobre o tema, o que dizer de Brigitte Helm e de seu diretor? A atriz se desdobra em duas personagens, uma com atuação mais clássica e a outra com gestos mais expressionistas e um olhar vamp. Fritz Lang também não decepciona em sua manipulação dos efeitos de luz e sombra (marca do Expressionismo) e na sua condução do viés político e social do roteiro.

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Certa vez Lang afirmou em uma entrevista a Cahiers du Cinéma (1964) que “ Filmar é o mesmo que tomar uma droga. É um vício que eu adoro. Sem cinema, eu não poderia viver. Amo essa arte que, infelizmente, tornou-se uma indústria na maioria dos países.” De fato caro Lang, o cinema (ou até mesmo a arte em geral) parece ter perdido um pouco da sua magnitude, ver os nababescos cenários e a ousadia da Metrópolis que vos apresentei hoje me faz refletir se fazer cinema deixou de ser uma arte por excelência para se transmutar em algo volátil e passageiro ou se somos nós que, vivendo no superfície de nossa Metrópolis, nos abstraímos demasiadamente com o trivial.

Confira abaixo o trailer da película.


Thomson Albuquerque

Cinéfilo e colecionador apaixonado pela arte da imagem em movimento. Diretor, roteirista e protagonista da sua própria vida..
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