Ruth Sasaki

Assistir um filme, ou ler um livro, é deixar de ser quem sou e viver em um novo corpo, uma nova pele, e ter novas e diferentes sensações e sentimentos. Escrevo para dividir essas personagens com pessoas viciadas em experimentar outras formas de sentir.

Grizzly Man, o meu Pequeno Príncipe

O olhar de uma Astróloga com o Ascendente em Peixes e a Lua em Câncer, a respeito de um documentário racional e analítico. Só para demonstrar que tudo depende do olhar do observador. Conheça, através do meu olhar, Timothy Treadweel, e depois assista ao documentário-filme de Herzog -"O Homem Urso". Escolha com qual dos dois olhares pretende ficar, ou deixe que suas lentes interpretem e sintam quem foi o Pequeno Urso Homem!


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Ainda muito pequena me deparei com o prazer da leitura, me encantava poder ir para mundos distantes, em épocas medievais, mágicas, futuras. Antes mesmo de ficar viciada na sétima arte, as letras já me encantavam, guardo até hoje um livro que li no primário - Soprinho de Fernanda Lopes de Almeida - foi meu preferido por anos, até que um dia, ganhei o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint Exupéry e por ele também me apaixonei. O Pequeno Príncipe é uma unanimidade, as pessoas o amam, no facebook vemos várias citações, a mais comum e conhecida é - "você é responsável por tudo aquilo que cativa".

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Há anos não leio o livro nem vejo o filme baseado no best seller de Antoine, sinceramente pouco me lembro do Pequeno Príncipe no meu dia a dia atribulado. Até que resolvo assistir o documentário- filme "O Homem Urso", baseado na história de Timothy Treadwell. O diretor, Werner Herzog, mistura cenas reais filmadas pelo próprio Timothy a declarações de pessoas que o conheciam e as suas próprias opiniões em relação ao personagem. O filme, é mais um daqueles que permanecem dentro da mente e da alma do espectador por um longo tempo após acabar. Não sou critica de arte, muito menos profunda conhecedora das obras de Herzog, portanto, não esperem encontrar aqui uma análise profunda do filme, do diretor e de sua obra. Minha visão, é a de alguém que conheceu uma história, viu o homem que foi o objeto de estudo do cineasta, e simplesmente resolveu deitar um olhar menos crítico do que aquele que Herzog derramou sobre Timothy.

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A meu ver, Timothy tem a inocência e a paixão que o Pequeno Príncipe carregava consigo. Me parece que Timothy, assim como o Príncipe, também não veio desse planeta, e durante toda sua vida, caminhou pelo deserto. O amor pela sua flor única, especial e delicada, se assemelha ao amor de Timothy- nosso pequeno príncipe perdido nas florestas do Alasca- pelos ursos, e pasmem, Timothy é amigo não de uma, mas de várias raposas.

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Mas ao contrário do personagem de Antoine, o nosso Príncipe, não buscou conhecer verdades e saiu pelo mundo, ele odiava a civilização, as pessoas na visão dele eram as destruidoras do seu "paraíso pardo" cada vez mais escondido, sozinho, e encontrando dentro de si seus fantasmas e monstros, ele se escondia daqueles que o faziam se sentir inadequado.

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Como o Principezinho, não entendia nada sobre fronteiras. O nosso Homem Urso rompeu os limites entre o mundo dos homens e os dos animais, eles o toleraram e até o ajudaram -acredito que a troca não tenha sido equilibrada- porém, o dia em que a natureza falou mais alto chegou, e nosso homem urso foi devorado juntamente com sua namorada no seu "paraíso pardo"

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Timothy, assim como o viajante das estrelas, via nos animais um lado humano- e aqui a palavra humano me soa inadequada mas não consigo encontrar outra que se encaixe- o que quero dizer é que ele conseguia ver nos ursos algo há mais do que nós vemos, ele era seu amigo, ele foi por 13 verões seu companheiro seu observador, e porque não dizer que, se de alguma forma ele se modificou através do contato e do convívio com esses animais, em algum plano acredito que os animais tenham também se modificado convivendo com ele. Acredito que de alguma forma ele os cativou, tanto que chegavam perto dele e nada faziam, passavam muito tempo juntos, e eles, os ursos, não o atacavam.

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Prefiro pensar que o tempo que passou com eles, foi uma viagem netuniana, uma fuga do mundo que insiste em classificar, e rotular tudo e todos, e de comum acordo, assim como o pequeno príncipe, que voltou para o seu planeta com a ajuda da cobra, Timothy, voltou pra casa com a ajuda do seu amigo urso.

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Herzog, fez o documentário com seu olhar analítico e racional, eu assiste mas enxerguei um lindo e jovem príncipe urso, porque o "essencial é invisível aos olhos, só é possível vê-lo quando enxergamos com o coração"- Antoine de Saint Exupery


Ruth Sasaki

Assistir um filme, ou ler um livro, é deixar de ser quem sou e viver em um novo corpo, uma nova pele, e ter novas e diferentes sensações e sentimentos. Escrevo para dividir essas personagens com pessoas viciadas em experimentar outras formas de sentir. .
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