cinema em prosa

Ensaios de uma amante da sétima arte

Michele Ramos

Nunca recusa café. Usa a arte pra fugir da vida

Para Sempre: o amor pode ter uma segunda chance?

Já pensou no quanto os últimos cinco anos da sua vida contribuíram para você ser o que é hoje? E se, de repente, eles sumissem de sua memória? Baseado em fatos reais, “Para Sempre” é um filme sobre possíveis recomeços e descobertas sobre o amor e sobre si mesmo.


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Parece, mas não é um filme baseado em um livro do Nicholas Sparks e nem é tão previsível quanto.

No filme “Para Sempre” (2012), pouco tempo depois de casar-se, Paige (Rachel McAdams) acorda de um coma devido a um acidente de carro e não se recorda dos últimos cinco anos de sua vida (a lesão que sofreu no cérebro os apaga de sua memória).

Durante esses cinco anos, Paige cortou laços com a família, abandonou a Faculdade de Direito, terminou um noivado, iniciou um curso na escola de Artes, passou a trabalhar como escultora e casou-se com Leo (Channing Tatum). Quando acordou do coma, ela não se lembrava de nenhuma dessas mudanças e tampouco do amor que sentia por Leo.

O filme é baseado na história real de Kim e Krickitt Carpenter e no livro que relata os acontecimentos que sucederam o acidente ocorrido em 24 de novembro de 1993, no qual Krickitt teve a perda da memória.

new-photo1-300x272.jpg Kim e Krickitt Carpenter

Assim, acompanhamos, durante o enredo, a saga de Leo para encontrar na nova Paige a mulher que ama e conquistá-la novamente. Contudo, Paige, ao acordar, volta a ser quem era cinco anos antes em sua vida. Não reconhecia as roupas que usava, os livros que lia, os restaurantes que gostava.

Cinco anos.Quantas coisas podem mudar nesse período de tempo? Será que em cinco anos escapamos de ser quem somos? Se não conhecêssemos determinadas pessoas, coisas, lugares, encontraríamos um caminho que nos levaria a ser quem somos hoje? "O fato é…cada um de nós é a soma dos momentos que já tivemos. E de todas as pessoas que já conhecemos. E são esses momentos que se tornam nossa história”, afirma Leo.

para-semrpe-4.jpg Cena do filme "Para Sempre"

Torna-se inevitável a comparação do filme “Para Sempre” com “Como se fosse a primeira vez” (2004), com Adam Sandler e Drew Barrymore, uma vez que ambos retratam perda de memória e reconquista do amor da mulher amada. Entretanto, “Para Sempre” não se encaixa na categoria “comédia romântica pastelão” de Hollywood. O longa até conta com certo clichê, mas não de forma exagerada e totalmente previsível. Além disso, sensibiliza ao mostrar o drama de um homem que, de repente, percebe-se não reconhecido pela esposa, com quem era encantadoramente feliz.

"Eu me comprometo a amá-la seriamente, em todas suas formas. Agora e para sempre. Prometo que nunca vou esquecer que esse é um amor para toda a vida. E sempre sabendo na parte mais profunda da minha alma, que não importa que desafios venham a nos separar, sempre encontraremos um caminho de volta para o outro”, são os votos de Leo no casamento com Paige.

TheVow-trailer1.png Cena do filme "Para Sempre"

Leo afirma que essa fase da vida deles seria como ler um livro preferido pela primeira vez, já que os momentos iniciais do amor dos dois foram os melhores da vida dele. Essa seria, então, a chance de viver um amor único pela segunda vez. Enquanto isso, Pagie sente-se completamente perdida e não compreende sua nova vida em todos os sentidos. Como amar um homem que parece perfeito, mas a quem não reconhece como objeto do seu amor?

Já é difícil definir quem somos com a memória intacta, quiçá com uma lacuna de cinco anos de existência nesse mundo.

“Pra Sempre” nos leva a refletir no que de fato o amor é capaz e no conjunto de todas as experiências que fazem a gente ser o que a gente é.

Os momentos de impacto definem quem somos”.


Michele Ramos

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