cinema esgoto e outras mentiras...

Porque a arte sai do ego e vai pro ralo...

Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro...

"O amante da rainha" um filme de época com temas atuais...infelizmente.

O amante da rainha (Em kongelig affaere), filme dinamarquês que se ambientaliza no século XVIII, traz à tona a luta por ideais de liberdade, igualdade e justiça; até hoje ainda não conquistados pela sociedade...infelizmente.


o amante da rainha poster.jpg

Adaptado do livro de Bodil Steensen-Leth e baseado em fatos históricos da Dinamarca, “O amante da rainha” é um romance de época que põe em ênfase o iluminismo e sua influência no país nórdico.

Em meados do século XVIII, quando o Iluminismo estava em ascensão por toda a Europa, o jovem rei da Dinamarca, Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard) casa-se com sua prima Caroline Mathilde (Alicia Vikander). Christian tem tendências esquizofrênicas, sérias dificuldades de socializar-se e, acaba contratando o médico Johann Struensee (Mads Mikkelsen) para cuidá-lo. Johann torna-se uma espécie de conselheiro de Sua Majestade. O médico do Rei simpatiza com o Iluminismo, assim como Caroline, e não demora para que ambos apaixonem-se e utilizem da confiança do Rei, em seu médico, para manipulá-lo e trazerem as ideias Iluministas para a Dinamarca.

o-amante-da-rainha-cena-3.jpg

Em filmes épicos, é notável prevalecer diante de todo o contexto histórico da época, o romance proibido; e isso não muda em “O amante da rainha”, porém aqui, por muitos momentos, o previsível relacionamento platônico, dá lugar para a ambientalização e a importância do Iluminismo em uma época tomada pela fé cega da religião e imposição da nobreza perante os camponeses. Vemos no médico Struensee, uma chama de esperança para popularização das idéias iluministas na sociedade. “Um homem nasce livre e em todo lugar encontra-se algemado.”; a frase de Rosseau é a chave da identificação do médico como interventor na política da Dinamarca da época.

Ao insistir em vacinar o filho do rei contra a varíola, Johann cita que a doença não é seletiva: “ataca tanto reis e rainhas, como camponeses”; neste momento temos nosso protagonista trazendo a visão do futuro para dentro da sociedade tomada pela sombra da religião. Em um próximo instante, um sacerdote levanta as mãos para o céu e agradece a Deus pela saúde do futuro herdeiro do trono, logo Struensee se impõe: “Deus não teve nada a ver com isso!”.

o-amante-da-rainha.jpg

Com influência de seu médico, o rei Christian vai trazendo para a Dinamarca os ideais iluministas: proibição de tortura, universidade para todos, diminuição das horas de trabalho dos camponeses e abolição da censura. Em pouco tempo o Conselho que, perdendo poder, se volta contra o Rei, utiliza-se da imprensa livre para manipular a população e derrubar o cargo do médico, criando um escândalo diante do romance da rainha com Struensee.

Embora a estória se passe no século XVIII, fica explícita a comparação da corrupção e a manipulação midiática com os dias atuais, fazendo com que o romance de época torne-se um filme político. “O amante da rainha” coloca à tona os princípios do iluminismo na atualidade, revelando que até hoje a sociedade reluta contra tais ideias de liberdade, igualdade e justiça.

O amante da rainha (Em kongelig affaere); Direção: Nicolaj Arcel; País: Dinamarca, Suécia, Republica Tcheca; Ano: 2012


Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro....
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @obvious //Gustavo Halfen