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Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro...

El Bella Vista: filme uruguaio traz metalinguagem em uma crônica da sociedade atual

Em uma ficção dentro de um documentário, El Bella Vista conta a estória de um prédio que abrigou três ambientes contraditórios entre si; sede de um clube de futebol, um prostíbulo de travestis e um centro de catequese. Referências de Novelle Vague, sexo, religião e futebol, fazem deste prédio uma metáfora da sociedade atual em transformação.


El Bella Vista é um filme difícil de definir o gênero, sendo um longa dentro de outro, El Bella é um documentário ficcional de um acontecimento verídico. E o pior (ou melhor): os personagens foram interpretados pelos próprios protagonistas da história real.

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El Bella Vista foi sede de um clube de futebol homônimo, na pequena vila de Durazno, no Uruguai; com a extinção do time, o prédio foi vendido, e lá, fez-se um prostíbulo de travestis, bastante frequentado pelos habitantes da cidade. Após alguns anos de sucesso, a casa noturna foi fechada pelo presidente do extinto clube, que não admitia tamanho paganismo na sua antiga sede futebolística. Logo, de um bordel, a casa tornou-se um centro de catequese de crianças.

Com um roteiro inteligente, El Bella... vai nos apresentando a história em forma de belas fotografias, onde as cores se derretem criando uma diferente textura e aguçando os sentidos do espectador, com um cuidado especial que nos dá vontade de pausar o filme e imprimir as imagens. A preocupação com a iluminação do longa, nos fascina: idosos possuem brilho nos olhos e marcas de experiência nos rostos, e travestis são iluminados por luzes neón.

O documentário sobre o prédio acaba tornando-se um centro de reflexão sobre a sociedade atual no mundo. Futebol, religião, prostituição, homossexualidade, estão intimamente ligados por um ambiente que os abrigou carinhosamente e fez-se deles sucesso, cada um em seu tempo.

O mosaico da sociedade contemporânea no interior, é documentado explorando a questão do preconceito, mas também enfatiza o amor e a necessidade que todos temos de amar e ser amado.

O longa conta com depoimentos dos personagens protagonistas, e adapta à uma ficção. Em cenas vividas pelos personagens, a diretora uruguaia, Alicia Cano Menoni, referencia o clássico da Novelle Vague, Pierrot Le Fou, com rompimento da narrativa, nos lembrando que mesmo sendo um ficção, a realidade é onipresente.

Tudo se interliga dramática e compassadamente em El Bella Vista, em uma mistura de ficção e documentário, de fotografia e pintura, de atuação e vivência.

Direção: Alicia Cano Menoni Ano: 2012 País: Uruguai, Alemanha

Curiosidade: O personagem Frederico não foi encontrado para participar do longa. Portanto somente este, foi protagonizado por um ator.


Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro....
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