cinema esgoto e outras mentiras...

Porque a arte sai do ego e vai pro ralo...

Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro...

O novo "velho" Godzilla

O novo Godzilla está nas mãos de um experiente diretor em relação a monstros, Gareth Edwards; que realizou uma obra completa, trazendo a metáfora das bombas de Hiroshima e Nagasaki de 1945, referenciando o Godzilla original e ainda produzindo um excelente blockbuster.


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Nos anos 1950 no Japão, o país estava devastado pela 2ª Guerra Mundial e vivendo intensamente os horrores causados pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. A censura ocidental impedia os japoneses de produzirem um filme mostrando os horrores causados pelos estadunidenses; com isso surgiu a ideia de Godzilla; um monstro gigantesco mutante em virtude de testes nucleares, que por onde passa deixa medo e destruição.

Em 2013, o diretor Gareth Edwards, já familiarizado com o tema, por seu filme Monsters (2010), é chamado para dirigir o novo Godzilla. O grande desafio deste filme era utilizar a metáfora do ataque nuclear sofrido em 1945 no Japão, homenagear o filme original de 1954, trazer a temática para a atualidade e ainda produzir um blockbuster.

Edwards não só conseguiu este feito como teve a perspicácia de lembrar-nos do acidente em Fukushima em 2011, onde um terremoto de 8,9 pontos na escala Richter, causou um tsunami que abalou as estruturas da Central Nuclear de Fukushima I, provocando vazamento de radioatividade e contaminando a água do mar.

Na trama uma usina nuclear no Japão é destruída por um abalo sísmico desconhecido que causa um tsunami, onde toda a cidade é abandonada devido ao vazamento radioativo. Quinze anos depois, terremotos com o mesmo comportamento voltam a assombrar a superfície da Terra e logo se descobre os gigantes monstros que vêm assombrar a tranquilidade do ser humano.

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O diretor não julga Godzilla e seu inimigo natural como seres malévolos, mas sim como seres naturais em sua cadeia alimentar, como o ser humano e as formigas, que as pisa e não sente remorso. Ele demonstra seus tamanhos em movimentos lentos, respeitando suas escalas, e vai expondo Godzilla através de silhuetas e sons que na sala de cinemas com sistema ATMOS cria um hiperrealismo impressionante; aliás o cuidado com o som foi um dos principais impactos desse longa metragem, que deve ser visto com sistema próprio para tal. A trilha sonora referencia, e muito, as músicas de filmes de suspense e terror dos anos 1950, o que nos trás uma nostalgia ainda maior ao ver Godzilla rugindo.

Godzilla não poderia estar em melhores mãos que de Gareth. Seu longa nos põe em perigo, fragilidade e medo, nos lembra do nosso passado assombroso e diverte, como todo bom filme.


Gustavo Halfen

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