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Porque a arte sai do ego e vai pro ralo...

Gustavo Halfen

Pós graduando em Cinema de pela UTP. Gustavo escreve para dois blogs e é colaborador do site Pipoca Moderna. Além de ser biólogo, poeta, compositor, pintor, escritor, blogueiro...

Jodorowsky's Dune: o maior filme de todos os tempos

O maior filme de todos os tempos existe! Mas nunca foi lançado, foi o projeto megalomaníaco criado por Alejandro Jodorowsky, que contava com a participação de Pink Floyd, Orson Welles, Salvador Dalí, entre outros.


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Imagine como seria o maior filme de todos os tempos, a maior produção de ficção científica da história, um filme que levaria o espectador à transcendência.

Agora imagine que este filme teria os melhores especialistas no assunto pra fazê-lo; a direção de Jodorowsky, mestre do surrealismo transcendental no cinema, storyboard de Moebius, atuação de Orson Welles, Salvador Dalí, Mick Jagger, efeitos especiais de Dan O'Bannion. Pois bem....esse filme existe, e tem circulado na forma de storyboard os estúdios de Hollywood desde 1975, influenciando filmes como Star Wars, Alien, Flash Gordon, Blade Runner, Prometheus, entre outros. Ou seja, tudo que veio depois de 1975 pode-se dizer que teve de certa forma influencia de Duna, o filme nunca realizado.

Está é a estória contada pelo documentário Jodorowsky’s Dune, dirigido por Frank Pavich, que estreou em Cannes no ano de 2013.

Jodorowsky foi um dos precursores de um movimento teatral chamado Pânico, no México, na década de 1960 e dirigiu seu primeiro longa metragem em 1968, Fando y Lis, que foi recebido com muitas críticas negativas devido ao conteúdo instigante que irritava os espectadores. Anos depois, após outras experiências cinematográficas, ele conseguiu dinheiro suficiente para fazer um filme do seu jeito, além do apoio de ninguém menos que John Lennon, que distribuiu seus filmes anteriores pelos EUA. Aí veio sua obra prima, A Montanha Sagrada, que conta a odisseia de uma espécie Jesus Cristo de outra dimensão, onde ele conhece mestres de outras galáxias que lhe ensinam a transcender a matéria para obter a felicidade suprema. O filme foi um sucesso no mundo chegando a ser o segundo filme mais assistido do ano, na França, ficando somente atrás de James Bond.

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Com excelente reputação e carta branca do produtor Michael Sedoux, a ambição de Jodorowsky foi ao extremo, baseado na obra literária Duna, de Frank Herbert, ele decidiu criar um filme que ia além de arte, ele queria criar uma obra sagrada, com um conteúdo que elevasse o espírito dos telespectadores, e para isso decidiu ir atrás de seus “guerreiros” (como os chamou) que garantiriam que suas ideias fossem postas na película de forma impecável.

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Para câmera, captação de imagens e storyboard ele contratou Moebius, desenhista de HQs; para trilha sonora ele convenceu o grupo inglês Pink Floyd, que terminava suas gravações do disco Dark Side of the Moon; para atuação ele conseguiu ninguém menos que Mick Jagger, Orson Welles e Salvador Dalí, este último só aceitou se fosse o ator mais bem pago do mundo.

Com todas as cartas na manga, e o storyboard pronto, Jodorowsky partiu para Los Angeles em busca de uma produtora para patrocinar o filme que custaria 15 milhões de dólares, valor extremamente alto para a época. Todas as produtoras acharam sua obra impecável, porém inviável, pois além do elevado orçamento, Jodô queria que o longa tivesse 12 horas de duração.

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A briga entre produtores e artistas na área cinematográfica remete desde o inicio da história do cinema, onde ambos os lados cedem para atingir-se um meio termo. Infelizmente na época, devido ao seu ego inflado e seu temperamento genioso, Jodorowsky não queria ceder à nenhuma produtora, e o trabalho foi engavetado. Porém o storyboard andou e ainda anda pelas mãos das pessoas nos grandes estúdios, influenciando obras direta e indiretamente. Só nos resta agora esperar que algum diretor megalomaníaco e fã de Jodorowsky, pegue seu trabalho e concretize de fato sua façanha cinematográfica.


Gustavo Halfen

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