coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

Extraordinário

Não julgue um livro pela capa. Nem um menino pela cara. Eis o recado - muito bem dado - desse livro que não poderia ter outro título.


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O que mais gosto num livro é a sensação que ele me desperta durante sua leitura. Não é à toa que quando são meus, eles são bastante rabiscados - destaco trechos que por algum motivo me significam algo. Livro bom, para mim, é aquele que não consigo parar de ler, ao mesmo tempo em que não quero chegar ao final porque não quero que acabe. E, quando finalmente termina, abraço ele contra o peito com um suspiro profundo que significa muita coisa. É essa minha melhor crítica sobre livros: esse é só mais um, esse me despertou para algo, esse eu abracei. E, o que devo dizer sobre “Extraordinário”, de R.J. Palacio, é que seu nome não poderia ser diferente. Li em um dia e meio.

A história gira em torno da vida de August, um garoto de dez anos que poderia ser comum, mas um problema de nascença o difere de todas as outras crianças: Uma doença muito rara o sentenciou a ter um rosto incomum, diferente de tudo que já foi visto. O livro narra um pouco da vida de Auggie e seu primeiro ano em uma escola, como ele se sente com todo o preconceito que sofre desde que nasceu e com todos os olhares de repugnância que recebe toda sua vida, além de mostrar o ponto de vista também de alguns familiares e amigos. Uma leitura leve, com palavras fáceis e personagens adoráveis, uma história simples e profunda ao mesmo tempo. Quantas vezes fomos aquelas pessoas que desviam o olhar, mesmo que sem querer, para algo incomum? Aliás, por que tudo tem que ser baseado primeiro na aparência?

Já me imaginei em um mundo onde todos fossem cegos. Se não pudéssemos selecionar as pessoas por sua aparência, como seria? Quais fatores seriam determinantes para que escolhêssemos quem entra na nossa vida? Não sei. Mas imagino que teríamos que nos conhecermos mais. Nos aprofundarmos mais. O mundo anda tão raso, ninguém mais mergulha de cabeça para descobrir se algo ou alguém é ou não legal, é ou não interessante. Primeiro, selecionamos a cara mais bonita, a blusa mais maneira, o tênis mais descolado. Isso são apenas coisas não são? Quando começamos a ‘coisificar’ tudo?

Esses questionamentos aumentaram conforme lia sem parar. Padeci com o sofrimento do personagem, que queria ser – veja só, comum – para poder sentir-se bem. Me emocionei diversas vezes com sua força de vontade e coragem, com o amor incondicional de seus pais, e senti raiva de mim e do mundo por sermos tão cruéis. As pessoas querem ser extraordinárias: As mais belas, mais ricas, cheias de si, enquanto muitas pessoas como o personagem fictício August, só querem ser comum, passarem despercebidos. Isso os faz extraordinários porque eles cativam as pessoas pelo que realmente vale – o que você é, não o que aparenta.

Gostaria que todo mundo pudesse ler esse livro.

“A grandeza não está em ser forte, mas no uso correto da força... grande é aquele cuja força conquista mais corações”.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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