coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

Tira esse rótulo aí

Quero poder usar saia longa e curtir rock pesado. Quero usar terno e pular alegre ao som do reggae. Quero que parem de rotular tudo a torto e a direito - me deixem livre para ser o que eu quiser e quando eu quiser, que coisa.


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Coisa mais chata esse negócio de rótulo. Mandam a gente ser isso, ser aquilo, pertencer a um grupo ou outro. Dizem que isso define nossa personalidade. Eu digo que é falta dela. Quem disse que eu tenho que eu tenho que ter rasta para gostar de reggae, usar suéter para ouvir banda hipster, me vestir de preto para curtir um rock? Quem disse que as patricinhas são fúteis, os atletas fortões são burros e os jogadores de futebol, pagodeiros?

Se eu fosse americana no ensino médio, ia acabar almoçando sentada no pátio da escola, porque não caberia em nenhuma das mesas com as panelinhas já fechadas. Afinal, eu sou aquilo que quero ser, no momento que me convém. Olha que coisa magnífica, cada dia que surge é um novo ciclo e a gente pode ser o que quiser. Um dia eu coloco uma saia longa de hippie, mas canto Sabotage. No outro, estou com a roupa da academia, toda suada, lendo Bukowski. Tem dia que estou de salto alto, óculos de nerd-com-cara-de-importante, paletó (tá, eu nunca uso paletó, mas enfim), e estou lendo gibi da Mônica. Quando me perguntam o que eu gosto, digo que gosto de música boa, ué. Quando perguntam meu estilo, respondo que depende do meu humor do dia. Por que me enquadrar em algo?

Ah, estilosos das bandas indies, vocês sabem cantar aquelas músicas pops chicletes, vai. Ah, cara do rap, vai dizer que você nunca cantarolou um pagodinho? Menina Cult do Dostoiévski, vai dizer que você nunca leu Diário da Princesa? Eu tenho a coleção completa aqui. Vocês aí que estão lendo esse post e pensando uh, que menina sem personalidade, não sabe o que quer da vida, respondo como o velho Raul: é mais legal ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Tentem variar um pouco, sair da caixa, experimentar novas possibilidades. Se não der certo, voltem para as suas panelas no outro dia, afinal temos milhares de dias pela frente para sermos o que quisermos. Mas digo uma coisa, panelas diferentes, sabores diferentes. E a mesma coisa todo dia, é chato, chato.


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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