coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

O Serviço de Castello Branco

Algumas músicas apenas tocam, outras te tocam. Foi assim que me senti quando ouvi Castello Branco pela primeira vez, tocada profundamente por sua visão tão especial sobre o ser, sentir e amar. O convidei para poder partilhar um pouco de sua obra conosco. Ser é transcender , crer-sendo sempre.


castello-branco_647x430.jpg

Existem músicas que você escolhe ouvir, existem músicas que escolhem você. Meu primeiro contato com o trabalho do músico Castello Branco foi assim, em uma tarde qualquer do meu serviço, encontrei o álbum Serviço dele, e no momento que sua voz - que é ao mesmo tempo suave e forte - começou a cantar sobre o ser, sentir, amar, e outras tantas coisas, não consegui mais parar de ouvir. Na música Crer-Sendo, ele diz que não há porque amar senão para semear conhecimento. Convidei ele para poder partilhar um pouco mais conosco sobre sua maneira única de enxergar e viver o mundo; e embora a gente tenha se falado pela internet, pude sentir toda a energia e força das suas palavras. Afinal, ele é todo coração, e quem faz as coisas com amor consegue transcender esse sentimento para o mundo, seja em música, imagens ou texto.

Lucas Castello Branco foi criado em um monastério, onde teve seu primeiro contato com a música. O núcleo de Serviço Crer-Sendo trabalha com a unidade do ser, outras maneiras de sentir as energias do mundo. “Não foi uma escolha inicial. De menino, minha mãe começou o serviço, foi com ela e com as outras mães que comecei a viver esse modelo diferente de vida. Alimentação macrobiótica, estudo do ser, partilhas, a consciência através da convivência. Permaneci lá dos meus três anos – não lembro nada antes do núcleo – até meus dezessete anos”, explica Castello.

Criação é algo bastante pessoal, surge do nada, surge de muitas coisas. Do silêncio e do caos, da família e da solidão. Observador, Castello Branco se inspira com tudo que há em sua volta, utiliza-se dos muitos lugares que passa e das vidas distintas cruzam seu caminho para transformar em música algo que muitas vezes nem percebemos. “Costumo dizer que minha maior inspiração são meus amigos e minha família, mas hoje já tem sido a rua. Hoje, a rua é minha maior fonte, onde enxergo todos os tipos de comportamentos, conversas. Chego em casa e me entrego a uma ingênua vontade de mudar alguma coisa, de dizer que sinto aquela dor e que de alguma forma eu poderia confortá-la. É isso que me mantém no caminho”, compartilha. E o que a rua tem mostrado para Castello? “Uma realidade com carência de cura”.

Permita SER

cast.jpg

Da língua portuguesa, permissão significa ação ou efeito de permitir; autorização. Pedir permissão é por muitas vezes entendido como algo negativo, como um bloqueio. Castello enxerga de outra forma, para ele a força que traz essa palavra pode confundir quanto ao seu significado. “Tenho feito um estudo com a base no ato da Permissão. Creio que as pessoas ainda não entenderam o que é se permitir, permitir-se. A palavra confunde tudo, sim e não quer dizer muita coisa mais. O nosso ser, o modo, é totalmente guiado e só pode fazer algum resultado real em nossas personalidades quando essa questão fica resolvida”, ele explica.

Permita-se. Permita SER. Músico, poeta – e, por que não, escritor? Como diz na música “As Minhas Mães”, há tanta verdade em Castello... verdades que, além de sonoras, ele divide conosco também na escrita. No próximo ano, ainda sem definir data de lançamento, Castello lança um livro. A ideia da publicação começou a aparecer no final de 2013 como pensamentos soltos, sem uma forma definida ainda. O dia decisivo foi 28 de abril deste ano, que segundo ele, tudo mudou e ficou bastante claro. “É um livro de poesia. Não uso letra maiúscula e os textos não têm título. Isso porque não me sinto iniciando nada, muito menos terminando. Os pensamentos começaram a vir daquela forma e daquela forma o expus”, diz.

Mas música e literatura não são diferentes? Para Castello, as artes são bem casadas. “Tão diferentes, mas tão a mesma coisa, como homem e mulher”. E não é?

O livro estará disponível no site do artista, onde também possui todo o álbum para download.

Com todo amor, Obrigada.


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/musica// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Cristina Souza
Site Meter