coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

Leo Fressato e as canções sobre o amor

O amor está sempre em pauta - mas que bom poder senti-lo através das canções de Leo Fressato. Singelas, fortes, como um grito ou um sussurro: Nesta entrevista Leo conta um pouco mais sobre suas inspirações para colocar para fora todo esse amor que o atinge desde sempre. Permita-se ser atingindo também.


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Bor.bo.letar – Tornar-se borboleta, voar livremente, abrir os braços, fechar os olhos e sentir. Esse verbo talvez não exista no nosso dicionário, mas ele fez parte do meu vocabulário no momento que a música Borboletinha, de Leo Fressato, começou a tocar coincidentemente na cozinha. Aquele que deu o play me fez abrir os braços e borboletar pelo ambiente, entre cebolas picadas e a fumaça do fogão; afinal diz quem é você pra me dizer pra não voar?

E se eu sou borboleta, Leo é mesmo vendaval – um sopro forte de sentimentalismo retratado de forma tão intensa e bela nas suas canções. Exagerado, assim como Cazuza, uma das suas grandes referências; mas também tenro como uma canção de Lô Borges, outro ícone que faz parte das suas inspirações. Brasiliense de nascença, ainda criança mudou-se para Curitiba, cidade conhecida por seu clima frio e dias cinzas, mas que foi palco para todo esse furor que vem de dentro do artista. Leo vive a música desde seus dez anos, quando compôs sua primeira canção de amor, tema que perdura em todas as suas criações até hoje. Formado em artes cênicas, não deixa de lado a dramaturgia na hora de subir no palco, talvez por isso suas canções mexam tanto conosco – não são apenas letras bonitas e melodias agradáveis, mas todo o conjunto composto por uma energia que vem de seu coração cheio de amor, intenso como a sua voz e o seu jeito, intenso como deve ser esse sentimento.

O amor, sempre o amor

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Seja nos antigos poemas ou nos recentes artigos, o amor esteve e sempre estará em pauta. Leo, que escreve sobre ele desde criança, conta que esse é seu jeito de sobreviver às avalanches, de por para fora os gritos do coração. “Nas composições o que muda? Eu mudo. E se eu mudo a canção muda junto, pra bem ou pra mal. Quando criança eu era mais romântico, mais platônico. Hoje entendo o mundo que vivemos e a dificuldade de amar que as pessoas em geral sentem. Hoje sei que os amores acabam de fato, por exemplo, antes era só metáfora, poesia, agora é fato. Tenho uma canção daquela época chamada "Vida Inteira". Eu sempre fui artista. Não existiu esse processo de escolher trabalhar com isso. Simplesmente sempre foi essa a vontade. Teria acabado na música de qualquer jeito. Talvez tivesse outra profissão... mas ainda assim eu seria compositor. Não tem como fugir”.

Mas e essa banalização do sentimento retratada nas canções que mais fazem sucesso aqui no Brasil? Para o ele, o problema das músicas banais é que somos uma sociedade banal. “Quem se importa mais em usar um tênis horroroso como um Nike Shox por status, do que com a ética e o respeito? Se ingerimos tanto lixo... É porque somos uma sociedade cheia de lixo. Simples assim. Estamos refletindo o que somos naquilo que ingerimos”, ressalta. Mas, em relutância a todo enlatado que nos enfiam goela a baixo, existem aqueles despertam para o que há de bom no nosso cenário musical, que buscam a inspiração no que há ao nosso redor, no que temos de mais bonito, e nos grandes nomes da MPB, que deixaram um ótimo legado para essa nova geração da música brasileira - assim como Fressato. “Ouvi muito Milton e Lô Borges atravessando de Curitiba a Brasília de carro quando criança. E isso influencia muito. Acho que a inspiração vem da literatura, do teatro, da fotografia, das plantas, das montanhas e de tudo que há no mundo e que me toque”.

Na estrada

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Encontrar um espaço na mídia brasileira não é fácil. Mais que inspiração, é preciso muita transpiração e uma vontade que ultrapasse as negativas que se ouve tanto no caminho. Ser diferente pode ser um grande empecilho – ou até mesmo um degrau, como foi para Leo. “Olha, eu ouvi durante a minha vida inteira que eu era desafinado. Lutei pra provar meu valor. E descobri que o que tenho de melhor é justamente aquilo que esta fora do padrão. As pessoas tem que ter coragem de serem elas mesmas. De escreverem seu caminho da maneira mais autêntica e verdadeira possível. O melhor que podemos ser é... Sermos nós mesmos”, aconselha.

E sabe qual a maior recompensa para quem insiste no que acredita? Saber que aquilo que à primeira vista poderia parecer somente um anseio pessoal é algo muito maior que isso. “É muito lindo saber que os meus sentimentos são compartilhados com as pessoas. Histórias bacanas tem mil. Casamentos resolvidos, rancores dissolvidos, gente que quase morreu e que teve força pra lutar pela vida por causa das minhas canções. É lindo e gratificante. Faz a gente sentir que faz sentido continuar o trabalho, mesmo com todas as dificuldades de se ser artista num país que não valoriza a cultura” ressalta.

Leo continua 2015 compartilhando as suas Canções para o Inverno Passar Depressa com seu público, além de se engajar em outros projetos. “Estarei com um espetáculo de teatro entre março e abril. Chama-se "Amanhã Sou Outro" baseado na obra de um autor chamado Qorpo Santo. A agenda ainda está bagunçada porque estou nesse projeto que tem me tomado muito tempo. Espero gravar um disco novo ano que vem, mas sem planos concretos ainda”.

Enquanto o novo álbum não vem, é possível curtir e baixar o álbum de Leo na sua página oficial. Não são apenas canções para o inverno passar depressa, mas também para acalentar corações em desalinho, ou fazer você borboletar por aí.

(Para Handy, que me ensinou a borboletar)


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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