coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

MANUAL MODERNO DE COMO CONSEGUIR UM AMOR

Como assim você ainda não sabe como conquistar seu amor? Se você tá aí sozinho(a) é porque não está fazendo a coisa certa! Clica aqui no texto que eu te ensino como!


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Você está cansado de ficar sozinho? Cansado de criar expectativas e se deparar com a triste realidade de terminar os sábados procurando um match no Tinder? Quer saber quais regras e truques são necessários para manter o parceiro interessado? Está afim de alguém e não sabe como impressionar? Não vê a hora de mudar o status do Facebook e postar frases melosas do Caio Fernando Abreu e/ou da Clarice Lispector? Não se preocupe: existem os coachs do amor! Vá para o próximo parágrafo e saiba como sair dessa triste vida que é a solidão.

Caro leitor(a), se você ainda está aqui e seu coração latente anseia por uma resposta, pegue um café, se aconchegue e vamos conversar. Precisamos conversar. E o assunto é sério, talvez doa um pouco, mas pera lá, não me condene: não sou coach do amor. Não vou te dar dicas genéricas sobre o que você deve ou não fazer, muito menos te ensinar quais cartas do baralho você precisa sacar para sair dessa, porque – ao contrário dos absurdos que li por aí – o amor não é um jogo.

Minto. Quero te dar um conselho sim: seja você. Apenas isso, seja. Já falei aqui que amor é, e talvez a dúvida tenha pairado sobre sua cabeça, seja: é o que afinal das contas? É, apenas é. Do mais puro jeito de ser. E do ser. Se eu pudesse refazer o dicionário, trocaria o ‘pertencer’ por ‘pertenSER’, para ver se assim entra na cabeça cabeça das pessoas que o amor não é enclausurar, tomar para si, monopolizar, é extravasar, fluir, crescer, sem ter, só ser, nesse sentido de é, entende?

Mas queremos conceito, pra tudo. Rótulo pra tudo. Nessa de se preocupar em caber em algo, se enquadrar em alguma coisa, confundimos tudo e deixamos o nós virar nó, daquele difícil de desatar. E então, onde era para ter ar, laço, espaço, só criam-se estilhaços, que nos cortam lá no fundo. Aí a gente bota a culpa no mundo, veja afinal de contas tudo como está.

Ah, desculpa, mas nós somos esse mundo. E enquanto quisermos procurar respostas para saber como amar, quem amar e como segurar esse amor, jamais amaremos. Porque o amor é liberdade. Olha que engraçado, essa palavra combina com libertinagem, tem muita gente usando essa de propósito e colocando culpa na maldade alheia. Que coisa mais feia!

Faz jogo não. Que jogar? Então se joga, nesse sentido de entrega, de partilha, de descoberta. Descobre a si mesmo – sabe essa solidão que parece cutucar lá no fundo? Deixa ela ganhar imensidão! Ser sozinho não é problema, nem dilema, nem drama, ser sozinho é uma dádiva! Só pode compartilhar (porque amor é isso, dividir, multiplicar) quem compreende a si mesmo. Para que fazer o outro de depósito de suas mágoas e seus medos? Entende primeiro a ti. Como se faz isso? Estando sozinho.

Que a única regra desse amar seja não ter regras, que o único jogo seja o dos lençóis espalhados pelo chão, que os únicos nós sejam aqueles que significam nós dois, ou três, ou mais, que seja! Que seja. Mais amor, por vontade, sem favor.

Artigo escrito por mim, publicado originalmente aqui.


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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