coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

O Infinito do agora retratado na arte de Dogz

Esbarrar com o trabalho de Dogz - seja nos muros de Florianópolis ou retratado em um quadro na parede - te faz navegar entre as infinitas possibilidades que a arte desperta. Em uma conversa leve, o artista abre as janelas para falar sobre suas inspirações e processo de criação.


_DSC4754.JPG Fotos: Cristina Souza Uma rua chamada Servidão das Borboletas já é uma poesia por si só – não poderia ser lugar melhor para abrigar quem respira arte. Assim como borboleta, que em grego chama-se pisiquê e significa alma, o Ateliê do artista Douglas Augusto – conhecido como Dogz – é puro coração, representado em cores vibrantes, spray, acrílico, tinta óleo e aquarela. Natural de Florianópolis, Capital de Santa Catarina, Dogz iniciou há pouco tempo na arte – criou sua primeira tela em 2oo9, na época com 19 anos – mas sua veia artística esteve sempre pulsante, seja na música, gingando capoeira, surfando ou alegrando muros e paredes das cidades e das casas.

Apesar de desenhar desde criança, inspirado em sua tia, Douglas só descobriu que queria viver da arte após visitar uma exposição. Desde então, não parou mais. “Eu tinha amigos que já estavam nesse meio e queriam fazer algo. Até que um dia fui numa exposição e fiquei hipnotizado, viajei nas obras e senti que era isso que queria pra mim – por ser algo relativamente simples de fazer, afinal é amplo livre e te permite infinitas possibilidades ”, conta. Uma vez tocado pela arte, Dogz começou a buscar referências, se aprofundar sobre as técnicas e absorver aprendizagens. “Digo que noventa por cento do que fiz de bom na vida veio de aproveitar bons conselhos. Não falo que deu certo porque é um processo, não há correto ou errado. A arte te da oportunidades, se tu não aproveita talvez perca a chance, mas se tu absorve tudo se multiplica ”, ressalta o artista.

Navegante do Agora

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Ás vezes é o tema principal, às vezes está onipresente, mas o peixe estará retratado de alguma forma na maioria dos trabalhos de Dogz. “Nas minhas obras mais recentes tenho usado de forma mais aparente, ele tem uma simbologia bem forte para mim por causa da sua memória. Alguns peixes não tem memória longa, não pensam nem no passado nem no futuro, vivem sempre o presente. Gosto dessa ideia de que ele vive em um eterno agora, para passar essa reflexão. Algumas pessoas estão sempre pensando no futuro ou apegadas ao passado e não enxergam o momento, as oportunidades”, explica.

E não há como ficar alheio ao cruzar com o trabalho de Dogz – as cores vibrantes, formas que parecem saltar dos quadros ou dos muros permitem diversas interpretações e remetem à um misto de coisas – assim como o que há em seu âmago antes de virar traços. “Nenhuma obra existe sem uma que saiu antes, uma leva a outra. Quando estou fazendo um quadro meio que me livro dele e dou oportunidade para criar outra coisa. Se não tivesse feito isso iria ficar parado, ocupando um espaço em minha cabeça. A arte é também um desabafo de ideias, que se não são colocadas para fora ficam te cutucando. Quando crio, sinto que deixo aquela energia, aquele pensamento. Sempre que olho aquilo que já foi feito sinto novamente tudo que pensava naquela hora ”.

A rua é uma Tela Livre

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Mais do fazer sua mensagem ganhar imensidão, pintar os muros da cidade permite para o artista uma grande troca de aprendizagens. “A rua é um portfólio aberto, ela é importante tanto para divulgar seu trabalho quanto para evoluir a questão do ego. Não é porque uma pessoa não gostou que está ruim, não é porque alguém achou lindo que está bom. Os espaços públicos te possibilitam várias interações - eu adoro a opinião das pessoas, se você fizer um comentário sobre determinado trabalho, com certeza eu vou relevar o que me falou. Nada está pronto, está feito até eu achar que está bom, mas sempre podemos ir além”. Para Dogz, cada interpretação que um trabalho diferente desperta serve como inspiração para a criação de amanhã. “Talvez isso seja uma das coisas mais importantes para o artista, se libertar daquela pressão se ter que passar a mesma coisa sempre. Ter esse contato com o público é ótimo porque tu escuta muitas opiniões, as pessoas participam bastante dos processos, observando, comentando. É ótimo poder ouvir, esse é o grande aprendizado. Ás vezes tem algo que tu não gosta e tem gente que ama, é legal saber que cada obra tem uma cabeça certa ”, ressalta.

É preciso estar nu de amarras e conceitos pré-estabelecidos para expor o sentimento em um lugar em que passam milhares de pessoas todos os dias. “Para estar principalmente na rua tu tem que se libertar, estar livre de querer saber tudo, sair só com o otimismo para atrair coisas boas. É do nada para muitos lugares, é questão de desapego, sem pensar tanto no resultado final. Eu nunca deixo de sentir a magia da arte, quando faço gosto de fazer por inteiro, dedicar energia. Todos meus trabalhos são captações dos meus melhores momentos, é isso que quero retratar”, compartilha o artista.

Para navegar nessa energia vibrante de cores e sentimentos, visite a página de Dogz e também seu instagram.


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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