coffee is my boyfriend

Pegue um café e sente aqui. Vamos falar sobre a vida.

Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro.

QUANDO O RITMO QUE TOCA NA SUA ALMA É DIFERENTE

Não dançar a mesma trilha sonora do mundo é um tanto caótico - Ao invés de compartilhar, passamos a maior parte do tempo justificando o motivo do nosso ritmo é outro. Ser circular num mundo quadrado é uma destoante canção.


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Somos todos diferentes. Existe um universo dentro de cada um – gostos, anseios, medos, desejos e por aí vai – porém já nascemos dentro de um contexto determinado, um sistema que nos cataloga e exige que estejamos nele. Ao longo das nossas vidas passamos por variados ciclos, fazemos escolhas e renúncias que vão dando o tom da nossa história – mas, conforme o local de nascimento, o meio e a doutrina que segue nossa família, somo colocados em determinado caminho. Acontece que nem sempre o que nos é ensinado é aquilo que toca o nosso coração, e ouvir os batuques da alma é uma dança um tanto caótica – queremos nos movimentar conforme a nossa música, mas parece que o ritmo do mundo é outro, que ecoa mais alto que celular de funkeiro sentado no último lugar do ônibus.

Gosto de flutuar na valsa do meu tempo, mas o mundo grita em um refrão pesado que tempo é dinheiro, que estou perdendo tempo por não ter um ‘trabalho de verdade’, que já foi o tempo de terminar a faculdade senão vou ficar sem tempo de fazer uma pós, e após isso como terei tempo para ter dinheiro para comprar roupas maravilhosas antes que não de mais tempo de conquistar um marido e filhos casa cachorro parcelas crediário carro do ano? Quando tento explicar que meu ritmo é outro, que vibro em outra frequência, distorcem minhas palavras feito ondas sonoras de um rádio antigo que não deve ser sintonizado – Desligar o refrão chiclete que está em descompasso meu ritmo faz com que eu tenha que estar o tempo todo me explicando, justificando, comprovando que não é porque os acordes que me despertam são outros, que eles são necessariamente errados: São só diferentes.

Me perguntam porque não termino a faculdade. Me perguntam se não vou deixar o cabelo crescer. Me perguntam cadê o namorado. Me perguntam se já não está na hora de parar de me tatuar. Me perguntam se eu não vou ‘arranjar um emprego de verdade’. Me perguntam se já não passou da hora de ‘sossegar’. As perguntas não são sobre minhas escolhas, quais os motivos de eu estar nelas, mas sempre porque não estou dentro daquilo que projetaram pra mim. E quando tento falar, sou só mais uma rebelde que quer chamar atenção e não sabe nada do mundo. Mas que mundo é esse, afinal?

O meu mundo é diferente. E quando falo sobre ele, não estou querendo te forçar a fazer parte – quero apenas espaço para poder dançar o meu ritmo, poder me expressar livremente, sem ter que ficar me justificando o tempo inteiro. Se for para falar, que seja para compartilhar o que é belo pra mim, o que me toca, o que me faz rodopiar de olhos fechados no meio da sala, sem ter que ficar inventando passos para acompanhar um ritmo que me incomoda. E não é porque não sigo seus passos que não sei onde quero chegar: É apenas em um lugar diferente. Me deixa dançar.


Cristina Souza

Escrevo porque respiro. Ou seria ao contrário? Vejo poesia em tudo, e tudo que eu faço coloco o coração no meio - e um gole de café, é claro..
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