coisas que pairam

Música, fotografia, design e outras coisas que pairam

Dimitry Uziel

é designer gráfico, colecionador de madrugadas, fragmentos, imagens e estranhos sons.

Quando deita os olhos ao mar a Bela Infanta

A Bela Infanta é uma daquelas bandas que possui o poder de nos levar a planícies inimagináveis...


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Com toda a certeza, em algum momento de sua vida, você já se pegou parado, com o olhar vidrado, talvez diante de uma janela, num dia chuvoso, quando deita os olhos ao mar, ou, até mesmo, sentado, totalmente imóvel, sobre a cama desarrumada, ao som de uma banda que lhe desperta sensações inexplicáveis, inebria, entontece. Isso já lhe ocorreu, não é?!

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Em Joinville, Santa Catarina, existe um quarteto que causa esse tipo de experiência até mesmo nos mais atentos e munidos de escudos contra viagens-sonoras, transes prolongados.

Há, aproximadamente, dois anos atrás fui arrebatado violentamente pelas delirantes melodias da Bela Infanta. E, quando digo “arrebatado”, estou querendo ir mais além; transbordar. Não é, de imediato, uma entrega voluntária, você é forçado a pairar e, vagarosamente sobrevoar seus mais íntimos pensamentos, suas lembranças, seus devaneios e Planícies desconhecidas.

Imagine fragmentos soltos no ar, cacos de vidro espalhados pelo chão, que, de modo inexplicável, se unem como num insano e maravilhoso quebra-cabeça. Esses fragmentos são os três EPs da Bela Infanta: Branco, Às vezes os pássaros não voam para o mesmo lado no inverno e Apenas Cinco. Eles se completam perfeitamente bem, como numa dança delicada que não têm a menor pretensão de terminar tão cedo.

Nascida no sul do Brasil, proferida por locutores de rádios escocesas, indicada em listas francesas, divulgada em coletâneas argentinas, acolhida por amantes paulistas, a Bela Infanta é uma daquelas coisas que pairam e, lentamente te seduz, como o sol que rompe a barra da noite, ou o corpo que envelhece sem pedir permissão.

P.S. A Bela Infanta foi uma das dez bandas que entrou para o Tributo ao Cocteau Twins, que já foi citado em uma das minhas matérias anteriores, aqui na Obvious.


Dimitry Uziel

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