coisas que pairam

Música, fotografia, design e outras coisas que pairam

Dimitry Uziel

é designer gráfico, colecionador de madrugadas, fragmentos, imagens e estranhos sons.

Uma década d`O Teatro Mágico

Como foi o show comemorativo de dez anos do Teatro Mágico.
15 de novembro de 2013
(texto e fotos)


Alguns eventos não têm data de validade carimbada na embalagem. Esse, que você dará início em instantes, caro leitor, é um deles. Em novembro de 2013, minha esposa e eu, ficamos incumbidos de registrar, em forma de foto e texto, o show d'O Teatro Mágico. Talvez você se pergunte o motivo de eu estar apresentando essa resenha somente agora por aqui. Mas, na época, ela foi publicada em meu antigo blog e, assim como outras (que irei postar aqui futuramente), resolvi compartilhar na Obvious.

dimitry 5.jpg Foto © Dimitry Uziel

Dimitry Uziel - 17 de novembro de 2013

Dezoito dias após Fernando Anitelli se apresentar com suas Claves da Gaveta, no Cine Joia, eis que a trupe completa, com suas faces pintas, surge para uma comemoração sem igual no belo, porém, longínquo espaço HSBC Brasil.

Recordo-me, com certa nostalgia, da primeira vez que assisti a uma apresentação d’O Teatro Mágico, que, se não me falha a já gasta memória, acontecera em 2007, em uma Virada Cultural, aqui em São Paulo. Foi ali que descobri que a música nacional havia tomado rumos distintos, várias variáveis, paralelas, se desprendendo da mesmice Pop, de bandas que ainda estavam em alta na época, como: Capital Inicial, Ira! e alguns estilos jovens que prefiro nem citar nomes. Mas é óbvio que lá atrás, muitos já haviam feito novas descobertas com enorme maestria, um exemplo disso é o próprio Chico Science. Mas enfim, voltemos ao espetáculo.

Os shows desta persona (Fernando Anitelli e Cia.) cheia de caras e bocas são dignos de aplausos incessantes, mesmo àquele que pouco aprecia, mas sabe avaliar um bom espetáculo.

A data era 15 de novembro de 2013, e já passava das 22h00. A primeira campainha toca, para deixar o público alerta, em alvoroço, mas ainda não era a hora. Algumas sombras se moviam por debaixo da grandiosa cortina que parecia querer esconder algo de imenso valor em suas dependências. Poucos minutos depois, o segundo alerta (mais uma campainha). Agora, o público sem conseguir se conter, inundou o espaço com gritos que ecoavam e não cessaram até que... “Sem horas e sem dores, respeitável público pagão, bem vindo ao Teatro Mágico!” A velha e já conhecida voz anunciava a entrada da trupe em seu majestoso picadeiro. A visão superior deixava-nos deslumbrar de uma pequena constelação feita de inúmeras câmeras digitais e celulares. Enfim... As cortinas descobrem seu tesouro e, o público que lotava cada milímetro do HSBC Brasil, se derrete em delírio, gritos e aplausos.

dimitry1.jpg Foto © Dimitry Uziel

Como prometido, o “elenco” estava maior do que nunca. Após tantas trocas de integrantes, creio que o Teatro Mágico tenha perdido um pouco da sua estabilidade nesse entra-e-sai de músicos, mas não perdeu sua essência, sua magia, tampouco a amizade com os velhos. Sendo assim, quase todos que já passaram pela trupe e a deixaram para seguir seus caminhos, fora d’O Teatro, na noite de 15 de novembro, mostraram sua presença em participações especiais, recitando, cantando e tocando canções que fizeram parte do primeiro e do segundo álbum (Entrada Para Raros e Segundo Ato). Mas, obviamente, o repertório não se limitou a esses dois discos; músicas novas entraram para o setlist, músicas do terceiro e quarto álbum (A Sociedade do Espetáculo e Recombinando Atos). O ápice da noite?! Ainda tenho minhas dúvidas se foi em Cidadão de Papelão, Ana e o Mar ou O Anjo Mais Velho. Minha análise foi feita a base de gritos (rs).

ka 5.jpg Foto © Ka Uziel

Pelo que ficou bem explicito, a ideia não era ser apenas mais um show. Afinal, ali se comemorava uma década de carreira, então, nada mais justo do que tornar aquele evento uma verdadeira festa, e assim foi o que ocorreu. Entre gargalhadas, palhaçadas, muita música e participações especiais, Fernando Anitelli e boa parte da trupe fez o público se recordar dos primeiros shows — quando o contato com os fãs era ainda maior (já que o número era menor naquela época) —, descendo do palco e se misturando a multidão ou, como o próprio Anitelli diz: Juntando tudo numa coisa só.

Apesar de O Teatro Mágico possuir um grande e considerável número de fãs jovem-adolescentes como público, — talvez por parecer algo mais “inocente” e não tão... Digamos: visceral — não peca quando quer abraçar gerações mais velhas. — Algumas pessoas negam a beleza, mas a poesia é explicita. E, é claro que uma obra completa de um autor, talvez possa não satisfazer o leitor. Mas uma ou outra poesia deve tocá-lo de alguma forma. — E o TM entra para a lista dos que agradam a gregos e troianos, exceto xiitas (rs).

Quando se trata de Fernando e sua trupe, o show nunca termina quando desce a cortina... O público vai se esvaindo, dispersando, mas os mais fieis sempre aguardam para um abraço, um autógrafo, um rápido papo, uma foto. Após o término, muitos fãs tiveram acesso ao camarim, outros (aqueles que sempre são quase enxotados pela segurança das casas de shows) foram recepcionados próximo ao estacionamento. Por fim... Mais uma noite sem voltar para casa. Afinal, o Teatro Mágico insiste em fazer shows em horários que os desprovidos de automóveis ficam "a ver navios". Mas, como os anteriores: valeu a Pena.

ka 1.jpg Foto © Ka Uziel

ka 4.jpg Foto © Ka Uziel

ka 3.jpg Foto © Ka Uziel

dimitry 2.jpg Foto © Dimitry Uziel

ka 6.jpg Foto © Ka Uziel

ka 7.jpg Foto © Ka Uziel


Dimitry Uziel

é designer gráfico, colecionador de madrugadas, fragmentos, imagens e estranhos sons..
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