Débora Cerveira

Formada em moda e amante do universo das artes.
Apaixonada por literatura e colecionadora de sonhos.
Maluca por natureza.

Vivienne Westwood, a estilista punk.

Vivienne Westwood, estilista britânica conhecida por sua postura irreverente, deixou o punk para trás, amadureceu seu olhar na moda e até hoje, aos 72 anos, continua questionando temas sociais e políticos.


pelo mundo da moda - vivienne wetwood.jpg Imagem do livro: "Pelo Mundo da Moda – Criadores, grifes e modelos”, Lilian Pacce

Vivienne Westwood nasceu em 1941 em Glossop, Inglaterra, filha de mãe tecelã e pai sapateiro e cresce apaixonada por essas duas áreas.

Aos 17 anos muda-se para Londres e vai estudar Moda, na Faculdade de Arte de Harrow e começa a nutrir ideia de ser designer de joias, infelizmente, ela acreditou que não levava jeito para o mundo das artes, abandonou a ideia e virou professora de escola primaria, pois acreditava na segurança e na estabilidade dessa profissão. Casou-se pela primeira vez com o homem que daria seu sobrenome e nome artístico, que foi mantido até hoje, Derek Westwood.

Foi só mais tarde, depois de divorciar-se que se entregou às artes e conheceu o homem que foi de extrema importância para sua vida e carreira, Malcolm McLaren, produtor da banda punk Sex Pistols. Casaram e juntos abriram a loja "Let's it rock" e viraram sócios, lá ela tinha liberdade para criar e visava o público da periferia de Londres. Com isso, eles reanimaram a juventude underground dos anos 50.

Chamada de estilista punk, por vestir a camisa não só da Sex Pistols, mas também de outras bandas, Vivienne, ajudou a trazer de volta o movimento que substituía o "love and peace" pelo "sex and violence", foi ela que transformou o punk em moda.

Com muita roupa feita de látex, couro e muitas camisetas, a loja mudou de nome e virou "Too fast to live, too young to die", mas depois de alguns processos e muitas mudanças, a loja passou a chamar-se "Sex". Apesar de mudar diversas vezes de nome, a loja nunca mudou de ponto, desde 1981 ela fica localizada na King´s Road em Londres e hoje virou referência histórica e turística.

Em 1982, ela vai à Paris e é a primeira estilista a desfilar na capital francesa muitos anos depois de Mary Quant. Já com um olhar um pouco mais amadurecido do mundo da moda, a estilista começa a se ligar à história da moda e do mundo e passa a criar cada vez mais a partir de temas polêmicos e sociais.

Fruto do casamento com McLaren, Joseph Corré, seu segundo filho, seguiu o caminho da mãe e atualmente, é dono de uma das maiores lojas de lingerie de Londres, a Agent Provocateaur. Um pouco mais tarde, ela se divorcia novamente e casa-se com seu terceiro e atual marido Andrea Kronthaler.

Quando o movimento e a tendência punk começam a entrar em decadência, a estilista também o deixa para trás e começa a se redescobrir, reinventar e se fortificar como criadora. Nesse momento, seu nome fica cada vez mais forte e ela começa a colocar na passarela, formas e volumes que são vistos e associados à ela rapidamente, cria peças como o “minicrini”, corsets singulares e diversos acessórios.

Vivienne também nutriu ao longo de sua carreira outra paixão, a de criar sapatos, gosto herdado do pai, ela produziu imensas plataformas que são pontos de admiração pelos apaixonados por sua arte. Um deles, foi o responsável pela queda da modelo Naomi Campbell na passarela de um de seus desfiles.

Moda 150 anos - vivienne westwood2 copy.jpg Imagem do livro: Moda: 150 anos, Charlotte Sheerling.

Provocadora, questionadora e irreverente a estilista é até hoje associada ao punk e ao new wave, gosta de causar polêmica e ser lembrada por sua atitude inconformada, como quando colocou suas modelos com o bumbum de fora na passarela. Ou quando ela protestou, em 2005 após o Governo Britânico aprovar a lei antiterrorista, usando uma camiseta com a frase "Não sou terrorista, por favor, não me prenda”. Também foi a responsável por colocar na passarela a modelo Carla Bruni, usando (apenas!) casaco e biquíni de pele.

Moda 150 anos - vivienne westwood3.jpg Imagem do livro: Moda: 150 anos, Charlotte Sheerling.

Mesmo sendo conhecida por atacar o establishment e ironizar a monarquia, ela recebeu em 1991 o prêmio de estilista britânica do ano e aos 64 anos o título de “Lady” pela Rainha Elisabeth II da Inglaterra.

Aos 72 anos, seus trabalhos mais atuais são duas linhas de acessórios, uma feita com lixo reciclado do Quênia, num projeto que empregou muitas pessoas em Nairóbi e criou várias bolsas criativas e a outra em que ela criou vários chaveiros em formato de pênis (!. Em seu último desfile (Verão/2013), ela chamou a atenção para as diversas mudanças climáticas que estão acontecendo no mundo, no final, ela apareceu para encerrar o evento com uma maquiagem de guerra e com um cartaz escrito: "Climate Revolution".

652688-westwood.jpg "Climate Revolution" Imagem do site theaustralian.com

Com sua atitude excêntrica e singular, contribuiu imensamente pelo mundo da moda, primeiro por relançar e fortificar um movimento cultural importantíssimo como o punk, por criar maravilhosamente bem e ser inspiração para outros estilistas e amantes do mundo da moda e das artes até hoje e por questionar temas que são extrema importância não apenas para a moda, mas também para o mundo, como a sustentabilidade e o consumo em excesso (tema que critica intensamente).


Débora Cerveira

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