Débora Cerveira

Formada em moda e amante do universo das artes.
Apaixonada por literatura e colecionadora de sonhos.
Maluca por natureza.

Polka Dots

Um processo criativo que nasceu de um obstáculo: a esquizofrenia e o TOC de Yayoi Kusama a transformou em uma das artistas mais originais da arte contemporânea.


b360-insider-yayoi-kusama-2.jpgYayoi Kusama com uma de suas obras

Yayoi Kusama é uma criadora japonesa nascida em março de 1929, portadora de esquizofrenia ela usou o seu transtorno mental para fazer arte. Hoje com 84 anos, ela é avaliada como uma das maiores artistas contemporâneas.

Seu trabalho chamado de Polka Dots carrega toda sua história, paixão e obsessão. Considerada arte pop, ela constrói suas obras com muito surrealismo, utilizando diversas técnicas artísticas como a pintura, colagem, esculturas e artes performáticas.

Yayoi-Kusama-in-Yellow-Tree-Furniture1.jpgInstalação Yellow Tree Furniture

A artista sofre de esquizofrenia desde pequena e como ela mesma conta, sua vida sempre foi atormentada por visões e alucinações estranhas: bolinhas e pontos. Aos 10 anos, ela passou a transformar isso em arte, mas também em um TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Sua obsessão ultrapassou o campo da arte e se reflete também na forma como ela se veste.

Sua vida sempre foi muito conturbada, além das alucinações, tinha também problemas familiares. Nascida em uma família bastante rígida, sua mãe não aceitava seu lado artístico e sempre a agredia fisicamente por isso. O que pode ter agravado o seu problema mental.

Yayoi morou em Nova Iorque e trabalhou com grandes nomes da arte moderna e contemporânea, entre eles Andy Warhol, mas ao contrário dele, a japonesa fugiu do trabalho comercial e mergulhou na vanguarda. Também nessa época ela dedicou-se a sua marca própria chama de ‘Kusama Fashion’.

Sempre a frente de seu tempo, Yayoi lutou por causas como a campanha contra a guerra do Vietnã e os diretos dos homossexuais na sociedade.

Quando seu problema mental se agravou, a artista teve que ser internada em um centro psiquiátrico em Tóquio, onde permanece até hoje por vontade própria, mas mantém seu apartamento como ateliê.

Instalação Fireflies on the Water.jpgInstalação Fireflies on the Water

No ano passado realizou uma parceria com a Louis Vuitton e criou diversas estampas para suas peças. Juntos desenvolveram a coleção intitulada de ‘Infinitely Kusama’ que trouxe uma atmosfera alegre e divertida para a marca.

Louis Vuitton and Yayoi Kusama by Angelo Pennetta and Katie Grand from LOVE on Vimeo.

Ela possui algumas obras muito surpreendentes como a ‘The obliteration room’, uma sala completamente branca, onde os visitantes recebem adesivos em forma de bolinhas coloridas para interagir e colar em todos os lugares.

TateShots: Kusama's Obliteration Room from Tate on Vimeo.

Sua mostra já passou por diversos países e em Buenos Aires foi recorde de público. A mostra que caminha para o Brasil, passando pelo Rio de Janeiro (outubro até janeiro no CCBB), Brasília (também no CCBB) e São Paulo (a partir de 21 de maio do próximo ano, no Instituto Tomie Ohtake), tende a ter o mesmo sucesso.


Débora Cerveira

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