Débora Cerveira

Formada em moda e amante do universo das artes.
Apaixonada por literatura e colecionadora de sonhos.
Maluca por natureza.

Martin Margiela, o estranho criador

Martin Margiela é um dos estilistas mais admiráveis de todos os tempos, com criações únicas e hábitos bem diferentes dos outros criadores.


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A marca de Margiela nasceu em 1988 e era chamada, naquela época, de Maison Margiela. Era um período em que a moda vivia tempos de esplendor, os logos das marcas ampliados estampavam calças, camisetas e casacos, porém, o criador da Maison, diferentemente dos outros sempre se recusou a utilizar a imagem de suas peças dessa forma.

Para ele não havia estrelas e por isso, baniu a palavra "eu" de seu vocabulário. Se fosse necessário falar de suas criações, utilizava a palavra "nós", se referindo sempre ao seus funcionários e ajudantes, como uma equipe. Até mesmo suas modelos ele tornava indecifráveis e irreconhecíveis. Uma das principais características de seu show. margiela1.jpg

Se formou na Academia Real da Antuérpia e em sua primeira coleção, o estilista decompôs diversas peças e as virou do avesso, com as costuras para fora, o resultado final era visto apenas quando já estivesse na passarela, pois a roupa se adaptava ao corpo da modelo.

Ele tinha uma linha de criação sustentável, sempre que podia reutilizava peças que já haviam sido feitas e descartadas. Ele as descosturava e depois montava outras completamente diferentes. Por exemplo o colete abaixo que foi produzido com tênis brancos reciclados e desconstruídos.

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Longe das câmeras e sem assinaturas, Margiela criava suas peças com uma proposta menos comercial do que os outros estilistas. Sempre foi muito admirado por suas criações e por isso, seus produtos nunca tiveram dificuldade para entrar no guarda roupa de suas clientes.

Contra a sociedade descartável, o estilista mantinha o tom desconstrutor e artístico em sua identidade. Expôs suas criações em inúmeras espaços como a bienal de Arte e Moda de Florença, em 1996, onde podia-se conferir que até peças comuns como trenchcoats eram diferentes pelas mãos de Margiela.

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Entre outras exposições estão a do Instituto de Moda da Antuérpia, quando completou 20 anos de marca, onde seu surrealismo poderia ser conferido com uma passagem pelo tempo e a "Radical Fashion" no Victoria and Albert Museum em Londres, 2001.

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Imagens retiradas do livro: Moda 150 Anos - Estilistas, Designers, Marcas. Seeling, Charlotte


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