Constantino Oliveira

Na eterna busca de si mesmo, escreve para poder se ver mais de perto.

À procura de um mentor

Desde o conceito original de Homero e Fénelon, passando pelos modelos acadêmicos de mentores até a idealização do modelo ideal de Nietzche, se compreende que o ser humano tem a necessidade de visualizar referenciais de conduta e valores para orientar os seus caminhos e ajudar nas suas escolhas.


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A palavra mentor nos é apresentada, originalmente, na Odisseia de Homero. Conta o autor que, devido à ausência de Odisseu por mais de vinte anos de sua terra natal, o seu filho decidiu sair a sua procura. Assim, Atena, deusa da sabedoria, aparece para Telêmaco, personificada de um fiel amigo de Odisseu, Mentor, para guia-lo nessa viagem.

Porém, só no século XVIII, a palavra mentor toma as características que as entendemos hoje. Isso se deu, de forma muito direta, pela forte proliferação do livro As Aventuras de Telêmaco, de Fénelon. Nesse livro, o autor recontar a viagem do jovem Telêmaco, a procura do seu progenitor, passando por diversos lugares, cujo percurso é o meio fundamental para o seu aprendizado pessoal e moral. Diferentemente do livro de Homero, o Mentor de Fénelon tem o papel de protagonista no seu trabalho. Ele é o grande sábio e tutor que vai guiar e ensinar o jovem príncipe. Segundo Albert Cherel, esse livro foi o mais impresso, comentado, imitado e traduzido por toda a Europa no século XVIII.

Assim, a palavra mentor começa ser delineada nos dias atuais, de forma genérica, como alguém que serve para nos aconselhar e nos guiar em diversas áreas de nossas vidas. Mas foi a partir de um importante artigo da pesquisadora social Kathy Kram, no início da década de 80, que o conceito de mentor começa a ser estudado de forma mais robusta nas pesquisas acadêmicas para modelos de aprendizagens pessoais e organizacionais. Vários autores, a partir desse trabalho, afirmam que um mentor serve de modelo para nossos ideais, proporciona desenvolvimento pessoal e crescimento dos objetivos estabelecidos.

De uma forma ou de outra, utilizamos referências e modelos pessoais quando queremos tomar decisões. Mesmo aqueles que criticam a idéia do mentor, têm modelos personificados de condutas e valores para agir em determinadas situações. Dale Carnegie, por exemplo, que havia escrito uma biografia sobre Abraham Lincoln e o admirava muito, dizia que quando aparecia algum problema, tirava uma nota de cinco dólares (que tem a imagem de Lincoln) do bolso e se perguntava: “como Lincoln resolveria este problema? Que faria ele no meu lugar?”

Até o mais céticos dos filósofos compreendeu a importância de modelos a serem seguidos e adotados. Nietzche utilizou o termo “super homem” para designar um ser superior aos demais que era o modelo ideal para elevar a humanidade. Esse ser se elevaria acima da mediocridade e sua existência se deveria mais ao esforço e a educação, do que pela seleção natural. Os mentores que escolhemos, com maior ou menor intensidade, determinaram as escolhas que fazemos e que caminhos que iremos trilhar.


Constantino Oliveira

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