Marco Magalhães

Escritor, poeta, roteirista. Humano, afinal

Deus ama, o homem mata - Entendendo os X-Men em uma HQ

O que podemos aprender com uma das melhores e mais aclamadas aventuras dos queridos mutantes da Marvel?


"Deus ama, o homem mata" é uma história publicada em 1988 (no Brasil), escrita por Chris Claremont (que alguns anos antes nos brindou com Dias de um futuro esquecido) e desenhada por Brent Anderson. Na trama, o reverendo William Stryker, não satisfeito em comandar um grupo de extermínio de mutantes, chamado de Purificadores, se utiliza de passagens bíblicas diante de câmeras de televisão e auditórios lotados para justificar o extermínio de uma raça que, por razões pessoais, considera uma afronta aos desígnios de Deus. Os Purificadores, embora secretos, agem sob a proteção da Cruzada Stryker, um grupo religioso que conta com vários fiéis que compartilham da crença intolerante de seu fundador.

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O maior trunfo dos X-Men não é reunir, em anos de história, diversos dos melhores heróis já criados para as histórias em quadrinhos, mas sim, de maneira metafórica, discutir temas sociais tão palpáveis quanto o papel das páginas das revistas. O que os mutantes combatem está vivo hoje, em cada esquina: o medo daquilo que aparenta ser diferente. Para quem está acostumado a ler as histórias do grupo, é perceptível que os momentos de ação existem aos montes, mas o que sempre fica em primeiro plano é a eterna dicotomia social entre humanidade e mutantes. Enquanto os humanos, guiados por lideres preconceituosos, intransigentes e amedrontados com as possibilidades de uma nova raça, são doutrinados a odiar e temer um pequeno grupo de pessoas diferentes deles sem razão aparente, os segundos fazem o possível para conscientizar sua contraparte de que a sua presença não trará malefício nenhum à humanidade e se afirmarem como parte integrante da sociedade, por mais que Magneto e seus acólitos da Irmandade dos Mutantes se esforcem para deixar claro que acreditam ser a espécie dominante e, por consequência, a que sucederá (pela força) a raça humana.

Caçados, cada vez mais odiados pela opinião pública, e sem a liderança de seus principais mutantes, Kitty Pride, Wolverine, Colossus e Noturno se desdobram para continuar vivos e levantar a voz contra o genocídio mutante que o reverendo Stryker trabalha para atingir. O resultado é umas das melhores histórias fechadas dos X-Men, servindo de base, anos depois, para o segundo filme dos mutantes, lançado em 2003.

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Vale a pena comentar as cores de Steve Oliff, que fogem do colorido habitual dos quadrinhos de super-heróis, deixando o quadrinho sóbrio e carregado de seriedade, como uma história como essa exige.

Leitura indispensável.


Marco Magalhães

Escritor, poeta, roteirista. Humano, afinal.
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