coqueluche

muito para ser efêmero, pouco para ser eterno

Fabiane Pianowski

Curiosa e digitalmente hiperativa, acredita que toda informação deve ser compartilhada. Atraída pelo que não é canônico, busca arte e cultura nos interstícios do cotidiano

Tropicalia, o filme de Marcelo Machado

O diretor brasileiro Marcelo Machado com o seu documentário Tropicália cria uma importante referência para o tema, recopilando imagens de arquivo em uma espetacular montagem.


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No 16º Festival de Cinema Espanhol de Málaga foi apresentado o documentário brasileiro Tropicália, dirigido por Marcelo Machado (2011). Neste documentário encontramos imagens de arquivo, entrevistas e muitas canções dos polêmicos anos 60. Boa parte do filme está feito a partir de fotografias animadas com grafismos e uma montagem incrível.

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O filme repassa os momentos marcantes da Tropicália e busca ressaltar o ideário tropicalista que motivava os artistas da época e que se colocava como algo além do reducionismo que o termo "tropicalismo", com seu "ismo", significa. Neste sentido, apesar de estar centrado na música, não deixa de traçar relações com as artes plásticas (origem do nome a partir da obra de Helio Oiticica), cinema, teatro e televisão, essa última um elemento que se mostrou fundamental para a concretização e difusão do movimento tropicalista ao público brasileiro, era a época dos festivais da música popular brasileira.

helio-oiticica_obras_f_028.jpg Tropicalia, Helio Oiticia, instalação, 1967.

O diretor organiza o discurso em uma miscelância espetacular, muito adequada ao tema que aborda e aí encontra-se um dos elementos de êxito da sua obra. Constrói e desconstrói a narrativa a todo instante, mantendo o espectador alerta, instigado, curioso e ao mesmo tempo confuso com a quantidade de informação que tem que digerir. É um filme para se ver inúmeras vezes.

Muitas interpretação pouco conhecidas são resgatadas, de forma que o filme torna-se mais um importante documento sobre o tema. No entanto, apesar da menção ou intenção de mencionar todas as referências importantes da Tropicália, o documentário centra-se nas figuras de Caetano Veloso e Gilberto Gil e é provável que esse fato seja um dos pontos frágeis do filme, que poderia ter valorizado os personagens mais desconhecidos do grande público mas não por isso menos importantes. Nesse sentido, por exemplo, apesar de magnífica, sobra a interpretação de Asa Branca por Caetano Veloso na França.

Para saber mais sobre a Tropicália acesse: tropicalia.com.br


Fabiane Pianowski

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