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muito para ser efêmero, pouco para ser eterno

Fabiane Pianowski

Curiosa e digitalmente hiperativa, acredita que toda informação deve ser compartilhada. Atraída pelo que não é canônico, busca arte e cultura nos interstícios do cotidiano

Palau Güell: a obra-prima de Antoni Gaudí

A frutífera parceria entre a riqueza e o poder de Eusebi Güell com o engenho e a genialidade de Gaudí transformou para sempre a paisagem da cidade de Barcelona. O Palau Güell marca o início dessa união e constitui-se a obra-prima da trajetória do famoso arquiteto catalão.



gaudi_guell.jpg Antoni Gaudí (esquerda) e Eusebi Güell (direita), amigos e idealizadores de boa parte da bela e funcional arquitetura de Barcelona

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Eusebi Güell (1846-1918), filho do industrial Joan Güell i Ferrer (1800-1872), foi um empresário que possuía não só uma sólida formação econômica e jurídica, como uma grande formação cultural. Foi um dos defensores dos ideais do catalanismo e um audaz empresário que soube multiplicar a riqueza da família. Em 1871, Eusebi Güell casou com Isabel López i Bru, filha do Marquês de Comillas, com quem teve dez filhos. Isabel, assim como Eusebi, era filha de um indiano, assim chamados os empresários que fizeram fortuna nas Américas, precisamente em Cuba. Além disso, Güell foi um grande mecenas das artes e das letras catalanas, sendo o arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926) a principal referência do seu mecenato.

palau guell fachada.jpg Palácio Güell, obra-prima de Gaudí, marco de origem do frutífero encontro do arquiteto com o rico empresário

Antonio Gaudí, nascido em Tarragona em 1852, chegou a Barcelona em 1870 para estudar arquitetura na Universidade de Barcelona. O Palau Güell é a primeira grande obra arquitetônica de Gaudí e constitui um marco não só na sua trajetória, como na história da arquitetura universal.

7528145424_85aa69f7a5_z.jpg Em um espaço bastante pequeno para um Palácio, Gaudí consegui criar espaços diáfanos e luminosos, enganando assim os nossos sentidos.

Na etapa posterior o trabalho de Gaudí coincide com o surgimento do Modernismo Catalão (que não possui nenhuma relação com o que chamamos de modernismo no Brasil) e dos movimentos paralelos (Jugensdstil, Art Nouveau, Liberty Style etc.) e torna-se uma referência mundial não só por representar um estilo determinado, mas sobretudo por realizar uma obra única, sem comparação. Aos setenta e quatro anos, em 10 de junho de 1926, Gaudí morreu depois de ser atropelado por um bonde diante da Sagrada Família, obra que deixou incompleta.

palau_guell_entrance.jpg A leveza das formas orgânicas dos metais é uma das características de Gaudí

Güell toma conhecimento do trabalho de Gaudí em Paris, em uma das exposições mundiais comuns no final do século XIX. Gaudí, jovem arquiteto, recém saído da universidade com apenas 26 anos recebe o encargo, de forma que o Palácio Güell pertence a primeira etapa da obra de Gaudí porque se caracteriza pela vontade de romper com o academicismo e com os ecletismos medievais que predominavam na obras arquitetônicas europeias. Foi a primeira obra em que pode empreender sua própria expressividade formal e espacial. A arte e arquitetura hispanomulçumana é uma clara referência, sem cair, no entanto, em recuperações historicistas.

cupula salao principal.jpg O Palácio Güell era residência da família, mas também era um espaço de concertos musicais e por isso a acústica foi um elemento fundamental na edificação do palácio. A cúpula do grande salão, que representando o firmamento seja de dia, seja de noite, é um dos engenhos de Gaudí para conseguir transformar este espaço em um local adequado às audições musicais da família.

O arquiteto utilizou os materiais da região para os revestimentos: pedra das pedreiras da família, cerâmica e o tijolo a vista típico do modernismo catalão. A natureza é a fonte inspiradora das formas orgânicas que encontramos em todo o edifício.

escada_palauguell.JPG Todo o hall de entrada é revestido de pedra do Garraf, pedreiras propriedade da família. Como era o local onde entravam as carroças o chão tem um revestimento que parece ladrilho de pedra, mas na verdade é madeira, que foi utilizada para abafar o ruído dos cascos dos cavalos.

O palácio foi residência particular da família Güell no final do século XIX e início do XX, sendo o único exemplo de arquitetura doméstica realizado integralmente por Gaudí e que não sofreu modificações posteriores no que tange à aspectos essenciais da construção.

palau_guell_persianas.JPG Gaudí criou um engenhoso sistema de persianas que permitia regular a entrada de luz em todo o Palácio.

Declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1984 em reconhecimento a seu valor universal excepcional como peça chave na renovação da arquitetura em escala mundial, atualmente restaurado, após vários anos de obras, o Palácio Güell está aberto a visitação, o que recomenda-se a todos que visitem ou vivam em Barcelona.

PalauGuell_cavalaricas.jpg As colunas fungiformes das cavalariças impressionam pelo seu tamanho e desenho, com elas Gaudí cria um espaço amplo, ventilado e iluminado, perfeito se pensamos que se trata do subsolo do edifício.

A visita permite conhecer do porão ao terraço. Começamos pelo antigo estábulo e suas grandes colunas fungiformes de tijolo a vista e terminamos no terraço desfrutando das vinte chaminés insólitas, que por motivo do restauro contou com artistas locais para sua recuperação, como o pintor Robert Llimós, responsável pela escolha das cores do recobrimento de uma delas. Palau-Guell-Barcelona.jpg As vinte chaminés do terraço tem formas e cores distintas, criando um espaço de fantasia que alegra ainda mais o ensolarado céu de Barcelona.

Para saber mais sobre a união entre Güell e Gaudí assista o vídeo a seguir (em catalão).

Fabiane Pianowski

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