coqueluche

muito para ser efêmero, pouco para ser eterno

Fabiane Pianowski

Curiosa e digitalmente hiperativa, acredita que toda informação deve ser compartilhada. Atraída pelo que não é canônico, busca arte e cultura nos interstícios do cotidiano

O Quintana que (quase) ninguém viu

A coletânea de ensaios de "O Quintana que (quase) ninguém viu" traz um novo olhar sobre os "quintanares", tornando-se uma publicação indispensável aos amantes e estudiosos da obra do poeta gaúcho Mario Quintana.


MARIO6.JPG foto: Dulce Helfer

Mario de Miranda Quintana (1906-1994), conhecido como o “anjo poeta”, nasceu prematuramente em Alegrete (RS). Seus pais, Celso e Virgínia Quintana, responsabilizaram-se por sua alfabetização. Em 1919, foi estudar no Colégio Militar de Porto Alegre, publicando seus primeiros textos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos alunos dessa escola. Obteve o primeiro lugar no concurso literário do Diário de notícias de Porto Alegre com o conto “A sétima personagem” (1926) e a publicação de um de seus poemas na revista carioca Para todos (1927).

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A partir de 1929, passou a viver em Porto Alegre e a trabalhar no jornal O Estado do Rio Grande; em 1932, como tradutor para a Editora Globo; em 1935, na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, onde conheceria Cecília Meireles. Seu primeiro livro, A rua dos cataventos, foi publicado em 1940 e o último, Velório sem defunto, em 1990. Em 1960, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos organizaram sua Antologia poética. 20 anos depois, receberia o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra.

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Apesar da extensão e qualidade de sua obra o reconhecimento da mesma ainda é parcial. Poucos conhecem a poesia de Quintana e restringem-se a alguns "versinhos" que hoje circulam pela rede, muitos dos quais nem pertencem à obra do autor mas são assim divulgados pela comum relação entre o equívoco e a ignorância.

"Há críticos que, em vez de me julgarem pelo que sou, julgam-se pelo que eu não sou. É como quem olhasse um pessegueiro e dissesse: ' Mas isso não é um trator'". (Mario Quintana, Caderno H)

No entanto, alguns pesquisadores fazem questão de resgatar, estudar e valorizar a poesia quintanesca a fim de mostrar àqueles que julgam mal a obra do poeta a qualidade que a caracteriza. Nesse sentido, a partir da década de 60 Mario Quintana passou a ser reconhecido tanto por seus pares como pela crítica como um dos poetas brasileiros de maior interesse. E, a partir dos anos 90, a crítica tem proliferado através da publicação de teses, dissertações e ensaios sobre a obra do poeta.

o quintana que quase ninguem viu.png

Como afirma Solange Yokozawa, "não muitos trabalhos trazem uma mirada original sobre os “quintanares”, optando por retomar e desenvolver proposições sobre o poeta; exercício crítico que também tem a sua importância. Outra é, entretanto, a proposta do livro O Quintana que (quase) ninguém viu, organizado por André Luis Mitidieri, Denise Almeida Silva e Lizandro Carlos Calegari. [...] O corpus eleito é constituído por uma parcela bastante difundida da obra de Mario Quintana, salvo as quadras que não foram selecionadas pelo poeta para terem vida em livro, mas pouco considerada pela crítica. Nisso reside um dos grandes méritos desta publicação. Também o modo de ler esse corpus propõe-se inovador, como poderá comprovar o leitor ao percorrer os capítulos do livro".

O livro "O Quintana que (quase) ninguém viu" reúne, sem hierarquias, docentes universitários de diferentes procedências e alunos talentosos, mostrando a generosidade e o espírito judicioso dos organizadores. "Os ensaístas retiram do trabalho metamórfico de reescrita do poeta interpretações inovadoras, refutando, ao mesmo tempo, posições arraigadas da crítica quintanesca, a saber, sua alegada despreocupação com o social, seu refúgio no individualismo, na infância, ou a pseudossimplicidade de sua poética" (Maria da Glória Bordini). É portato leitura mais que recomendada aos amantes e estudiosos dos "quintanares".

Para adquirir o livro acesse André Luis Mitidieri

Assista ao curta Anjo Malaquias, disponível em Curtas Gaúchos Especiais.


Fabiane Pianowski

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