coqueluche

muito para ser efêmero, pouco para ser eterno

Fabiane Pianowski

Curiosa e digitalmente hiperativa, acredita que toda informação deve ser compartilhada. Atraída pelo que não é canônico, busca arte e cultura nos interstícios do cotidiano

As carrancas de barro de Ana

Das mãos calejadas de uma louceira surgem as surpreendentes carrancas de barro de Ana das Carrancas. A cultura do Brasil acompanha a imensidão do seu território e personagens como Ana são os responsáveis pela sua riqueza e diversidade.


donaana06.jpg Fotografia de Marcelo Reis Ana Leopoldina Santos, conhecida como Ana das Carrancas ou Dama do Barro, nasceu em Ouricuri, no Estado de Pernambuco. Filha de mãe louçeira, aprendeu a moldar o barro ainda criança para ajudar no sustento da casa. Em busca de uma vida melhor, migrou para Petrolina. Porém ali, tampouco a vida estava fácil, nos anos sessenta a região sofria uma crise de escassez de barro, obrigando muitas louçeiras a buscar outras alternativas para viver. Ana encontrou nas margens do Rio São Francisco o barro e a inspiração para sua arte, as carrancas típicas da embarcações que navegam pelo rio. donaana07.jpg Fotografia de Marcelo Reis

A partir de então as carrancas começaram a protagonizar a produção da artistas, são peças antropozoomórficas, de aspecto rústico e estilo próprio, com o detalhe de terem os olhos vazados; uma homenagem que Ana fez ao marido, deficiente visual, ricas em variedade. 47810013.jpg Fotografia de Marcelo Reis Nas carrancas de Ana, há uma variação no material e forma, mas não perde o zoomorfismo. Há sempre em suas carrancas uma mistura de animal e homem; leão, jaguatirica, cavalo, guará e etc. Numa galeria de tipos que segue o ritmo da sua própria imaginação. Há um lento processo na transformação do seu trabalho. A exemplo dos olhos das primeiras carrancas que eram arredondados e depois foi se alongando. O cabelo, varia a forma de trabalho pra trabalho. Também notamos suas carrancas em forma de cinzeiros, vasos, mesas, barcos, numa combinação bastante original.(CENTRO DE CULTURA ANA DAS CARRANCAS, 2009) 0046-centro-de-artes-ana-das-carrancas.jpg Quando levou suas primeiras carrancas para serem vendidas na feira, foi motivo de piada dos outros comerciantes. No entanto, não demorou muito para que o trabalho de Ana fosse reconhecido e hoje suas peças estão em galerias, museus e coleções particulares, tendo sido premiada e homenageada em várias ocasiões. Atualmente parte de sua obra pode ser vista no Centro de Cultura Ana das Carrancas em Petrolina, coordenado pelas duas filhas da artista, Maria da Cruz e Ângela Lima, ambas ceramistas dão continuidade ao trabalho da mãe. donaana10.jpg Fotografia de Marcelo Reis Do dia 2 de agosto a 4 de outubro o SESC Petrolina apresenta a exposição "Os olhos cegos do rio" dedicada a artista na sala que leva o seu nome. O interessante é que a exposição foi pensada também para os deficientes visuais e possui recursos de áudiodescrição e braile, criando este vínculo entre os que não podem ver e as suas peças "cegas".

Para saber mais sobre a vida de Ana das Carrancas assista:

Para conhecer um pouco sobre as carrancas do Rio São Francisco, assita:


Fabiane Pianowski

Curiosa e digitalmente hiperativa, acredita que toda informação deve ser compartilhada. Atraída pelo que não é canônico, busca arte e cultura nos interstícios do cotidiano.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/Poéticas// @destaque, @obvious //Fabiane Pianowski
Site Meter