cultivando palavras

Que tudo que eu quero não fique apenas no pensamento, mas que possa vir tornar-se realidade

Túlio Santos

"Odiamos o que quase somos."

A estrela que subiu para o céu para marcar sua eternidade lá em cima

“Ela tinha uma mágica, era maravilhosa. Todos queriam casar com ela, mas ela não queria ser domesticada. Adorava sua liberdade, tinha uma casa linda, que amava, com uma piscina, onde fazia seus exercícios.” – Joana Allen, amiga.


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Ainda de colo, com exatamente dez meses, pisa em terras tropicais a queridíssima e eterna Carmen Miranda, que saiu de Portugal para viver no Brasil, tornando-se então uma luso-brasileira. Desde muito pequena, Carmen revela os seus sinais e talentos para a música e a dança. Estudou em colégio de freiras e aos 14 anos já trabalhava como vendedora em lojas. Carmen não voltou mais a seu país natal, onde foi homenageada com a criação do Museu Municipal Carmen Miranda em Marco de Canaveses, no Porto. Mais tarde, em 1929 Carmen foi apresentada ao compositor Josué de Barros e não foi preciso muito para Carmen brilhar e mostrar seu talento nos palcos. Gravou os primeiros discos. O grande sucesso veio com a marcha "Pra você gostar de mim" conhecida por "Tai", escrita especialmente para Carmen. Em 30 de Outubro realizou sua primeira turnê internacional em Buenos Aires. Carmen foi a primeira artista multimídia do Brasil. Cheia de talento, não só cantava, dançava e atuava, mas sabia, intuitivamente, transitar com desenvoltura pelo que viria a se tornar a indústria cultural.

Desbravadora, foi a maior estrela do disco, do cinema, da rádio, dos teatros, da mídia e dos cassinos brasileiros. Mais tarde, o que viraria boneca de papel e desenho animando da Disney, foi um ícone no movimento das mãos e quadris, estilizou as baianas, uma mulher sempre sorridente e tão copiada e amada por todos.

Ela eternizou os mais importantes compositores de seu tempo da música brasileira, de Lamartine Babo a Ary Barroso, de Dorival Caymmi a Pixinguinha, investiu na gravação de marchinhas de carnaval e sambas, que tratava de cantar à sua maneira, muitas vezes trocando a letra das músicas, acrescentando uma bossa própria, um jeito de sublinhar as palavras com seus muitos erres vibrantes. Em relação a sua vida pessoal, Carmen vivia rodeada pela família e era muito querida pelos amigos. Ela não teve filhos, mas foi uma mulher de grandes amores. É até hoje a única latino-americana a gravar pés e mãos no cimento da calçada da fama de Los Angeles. Protagonista de uma carreira meteórica, Carmen conseguiu uma projeção internacional como nenhuma outra artista do país, primeiro na Argentina e outros países da América Latina e depois nos Estados Unidos, Europa e em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, cantou em português para um público que não entendia uma palavra do que ela dizia e no cinema americano, teve a imagem presa à caricatura da mulher latina, ciumenta, irritada. Mas foi com muita tristeza e pena que Carmen Miranda resolveu ir descansar. Massacrada, atordoada, por inúmeros compromissos de trabalho, pílulas para dormir, para acordar, ela que levou nossa brasilidade para o mundo, morreu na madrugada de 5 de Agosto de 1955, após a gravação de um programa de televisão em Los Angeles, com apenas 46 anos. Carmen foi única, irreverente e jamais poderá ser igualada. Era ela a sensação e ninguém poderá ser como ela.


Túlio Santos

"Odiamos o que quase somos.".
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