cultivando palavras

Que tudo que eu quero não fique apenas no pensamento, mas que possa vir tornar-se realidade

Túlio Santos

"Odiamos o que quase somos."

"Não me abandone jamais"

Ruth, Kathy e Tommy são amigos de infância e vivem em um internato no interior da Inglaterra. Eles são clones humanos destinados a doar seus órgãos até a morte. Ao deixarem a proteção da escola, os três amigos terão que lidar com seus medos, amores e o futuro que os espera.


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Todos nós nascemos para morrer. Isso é óbvio. Mas por mais que analisem, procurem ou tentem explicar a nossa existência neste mundo, acredito que nunca vamos entender o porquê.

Baseado no romance do escritor Kazuo Ishiguroe, surge então a longa-metragem "Não Me Abandone Jamais", uma história que nos impulsiona para a existência de jovens que estão no mundo a favor de uma ciência vanguardista e louca que prega a aniquilação de uns em benefício de outros.

No filme aparece várias escolas, mas centra-se mais na que aparece os personagens principais, os amigos Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley) são apenas algumas dessas crianças que vivem trancafiadas e longe da realidade num regime educacional rigoroso que as prepara para um futuro amargo. A ficção científica é inserida aqui com muita sutileza. O que importa, realmente, é ver como aquelas pessoas solitárias crescem esperando por um destino que não pode ser mudado. Um destino que esses personagens são criados para doarem órgãos. Lex Garland cria para seus personagens um universo fantasioso. Quando a professora Lucy (Sally Hawkins) é demitida após conversar sobre o futuro das crianças numa de suas aulas fica claro que não há outra escolha.

Os personagens não possuem opiniões próprias, vivem em prisão de liberdade numa plena ditadura. Eles não se questionam e apenas aceitam o seu destino. A vida desses três principais personagens toma caminhos bastante dramáticos, mas sempre cientes que não passam que "brinquedinhos" dos médicos. É uma trama bastante melancólica que vai desde os personagens à música.

A protagonista Kathy compreende e aceita a sua missão. Tommy vive convicto que tudo possa mudar um dia; enquanto que Keira é mesquinha, que teme a solidão, mas não aceita o seu fado. Ao longo do filme notamos que existe um triângulo amoroso entre eles, mas que posteriormente, depois de ter aceitado seu destino, Keira separa-se de Tommy deixando o caminho livre para Kathy, que o amava desde sempre.

A palavra chave desse filme é solidão, a incapacidade que temos perante a nosso destino, à nossa vida. E Mostra-nos o quão importante é fugir de nós mesmos. Uma história de amor, dor, tristeza e renovação. O filme é absolutamente fictício, talvez difícil de acontecer, mas tem uma forma de dizer como o amor é um sentimento sublime, indestrutível, mesmo tendo uma melancolia e uma certa frustração. A vida é cheia de frustrações. E o amor é o único sentimento que nos torna humanos.


Túlio Santos

"Odiamos o que quase somos.".
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