culturiar

Culturiar é uma neologia, um verbo que exemplifica o nossa curiosidade sobre a cultura.

Mário Lúcio

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da Grande São Paulo...

As Helenas de Maneco

Chega ao fim o ciclo de uma personagem.


Caro público noveleiro de plantão, a resenha de hoje será sobre uma mulher recorrente nas obras de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida (Maneco), a famosa Helena. Digo famosa porque já virou um lugar comum uma novela do horário nobre da Tv Globo, em que Manoel Carlos é o autor, com uma atriz fazendo um papel de Helena. Ao longo dos anos algumas atrizes eternizaram esse nome em interpretações fantásticas, só que como tudo que é bom, dura pouco, chega ao fim o ciclo de Helenas. Maneco divulgou no seu Twitter que essa novela “Em Família” seria a última com uma personagem de nome Helena, aliás, a escalação de elenco foi brilhante, começando o rodízio por Lílian Lemmertz em “Baila Comigo” e encerrando com sua filha, Júlia Lemmertz. Várias pessoas já tentaram decifrar o porquê desse nome nas novelas de Maneco, alguns dizem que pode ter sido um trauma de infância, outros que seria a mãe do autor ou uma ex-namorada, ou até mesmo Maneco teria se inspirado em Helena de Tróia. A verdade amigos leitores o Sr. Manoel Carlos não tem Helenas em sua vida, com exceção de uma obra chamada Helena adaptada do livro de Machado de Assis para a TV Tupi, ele tinha apenas 18 anos e afirma que foi um grande marco na carreira, depois disso utilizou-se do nome Helena para protagonizar suas novelas. As Helenas de Maneco possuem particularidades e características específicas, nem todas são iguais, assim como as mulheres brasileiras, cada uma de um estilo. Em sua grande maioria, as personagens assumem um papel de guerreira, o ato de dar a volta por cima numa situação difícil. Um exemplo disso é a Helena interpretada por Vera Fisher em “Laços de Família” que teve que lidar com a filha sendo namorada do homem que ela estava apaixonada e depois de alguns meandros da trama ter que encarar um quadro de Leucemia da filha. Logo nos lembramos de uma das cenas mais brilhantes da TV Brasileira em que a atriz Carolina Dieckmann raspa o cabelo para dar um ar mais real ao momento ali vivido. Manoel Carlos também foi o responsável por colocar a primeira protagonista Negra no horário Nobre, privilégio da eterna Xica da Silva, Taís Araújo. Em “Viver a Vida”, Taís viveu uma modelo internacional que se apaixonava pelo pai da sua rival nas passarelas. Já na novela “Felicidade” teve Maitê Proença no papel de Helena tratando de um assunto que hoje é comum, mas em 1991 ainda tinha gente que olhava torto, a abordagem da mãe solteira e a sua luta diária. Em “Mulheres Apaixonadas” foi à vez de Cristiane Torloni, uma mulher que se via num triângulo amoroso, típico Machadiano. Falar de Helenas e não falar de Regina Duarte é uma heresia, a tri campeã do papel e a que mais consegue encarnar o que o autor escreve, Regina viveu três Helenas distintas umas das outras e com histórias de muita garra. A namoradinha do Brasil fez sua primeira Helena em “História de Amor”, uma mulher sofrida que só. Em “Por amor” teve o prazer e até mesmo a missão difícil de contracenar com a própria filha Gabriela Duarte que fez o papel de filha da Regina na novela, uma trama que teve em minha opinião uma das maiores vilãs da teledramaturgia do horário das 21h, a poderosa Branca interpretada por Susana Vieira. Por fim o autor deu a Regina à oportunidade de ser sua última Helena em “Páginas da Vida”, onde o tema Síndrome de Down ficou em evidência.

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Muitas pessoas não lembram, porém, houve ainda quatro Helenas nas obras de Manoel Carlos, em 1952 Jane Almeida viveu a Helena de Machado de Assis. Isabela Garcia ainda pequena viveu a menina órfã em “Água Viva”, novela de Gilberto Braga, mas que teve colaboração de Maneco, Maria do Carmo Soares na minissérie “O cometa” e por fim na minissérie “Presença de Anita” Helena Ranaldi fez seu homônimo.


Mário Lúcio

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