culturiar

Culturiar é uma neologia, um verbo que exemplifica o nossa curiosidade sobre a cultura.

Mário Lúcio

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da Grande São Paulo...

Preconceito na Infância

Tema recorrente na atualidade, a injúria racial também afeta as crianças, projetos para reafirmação da identidade do negro servem como luta contra os pré conceitos da sociedade.


Em 2005 numa escola pública do município de Hortolândia no interior de São Paulo, um aluno negro que ficou revoltado por ter sido chamado de “macaco” por um aluno branco, agrediu o colega e ainda disse para a diretora da escola EMEF Jardim Nova América, Andréia Borelli, que se ele pudesse cairia num balde de cândida para ficar branco. Após esse episódio na escola, foi criado o Grupo Cultural Kukina Dia Jindanji (do dialeto angolano banto, significa “grupo dança de raiz”), um projeto sociocultural para mostrar aos negros locais que tinham a necessidade de se reafirmarem enquanto membros de uma sociedade que teoricamente deveria ser igualitária. Um trabalho para que as pessoas como um todo pudessem ter informações sobre a cultura afro-brasileira, sendo assim podendo reconhecer, valorizar e transmitir a história dos povos africanos por meio de cursos de dança, percussionismo, capoeira, oficinas de marcenaria e serralheria, além de atividades de apoio estudantil com mini biblioteca e orientação pedagógica.

002_edited.jpg Os idealizadores desse projeto são a Sra. Eunice de Souza (conhecida como Mãe Dango), responsável pela Organização Cultural, Social e Beneficente de tradições Afro-brasileiras “Inzo Musambu Hongolo Menha” – Casa Arco-íris; seu filho Helberth de Souza Gomes (conhecido como Kasumbe), educador e oficineiro da Secretária de Cultura de Hortolândia e completando o trio está a Psicopedagoga Andréia Marize Borelli que agregou com sua experiência vivida como diretora naquele episódio. O grupo Kukina também teve que enfrentar o preconceito, logo no começo alguns moradores da comunidade se indignaram e acusaram eles de fazer “Macumba” nos fundos da escola, chegou-se ao ponto de alguns instrumentos e roupas terem sido queimados e quase colocando o grupo ao fim. Após esse episódio lamentável o grupo só começou a ser respeitado com o apoio da Secretaria de Cultura da cidade que resolveu escolhe-los para apresentações em eventos municipais, há de se ressaltar que o projeto não é apenas de dança, mas também de palestras e seminários.

Paralelamente, Andréia agora como Coordenadora Pedagógica da escola EMEF Villagio Ghiraldelli também em Hortolândia, organizou em Abril desse ano de 2014 juntamente com alguns professores uma exposição em celebração aos 10 anos da escola com o tema afro e indígena. Assim os outros professores poderiam ter uma facilidade maior de tratar disso com os alunos e seguindo a lei 11645 de 2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Apesar de existir essa lei, muitas escolas não só nessa região do interior paulista como em todo o Brasil não seguem essa determinação e situações de injúria como a que aconteceu com aquele menino negro em 2005 se repetem a cada dia.

Segundo o dicionário Aurélio:

Pre.con.cei.to sm 1. Ideia preconcebida 2. Suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões, etc.

A questão entre crianças com relação ao preconceito já foi citado pelo Psicólogo Kenneth Clark (1914 – 2005), que investigou juntamente com sua esposa os efeitos psicológicos da segregação das raças em estudantes negros no final da década de 30, principalmente quanto à autoimagem. Criaram uma espécie de teste com bonecas negras e brancas para indicar a consciência das crianças, tendo em vista as referências e diferenças raciais e consequentemente suas atitudes com relação a isso. As crianças escolhidas tinham de 3 a 7 anos de idade e a experiência teve quatro bonecas de aparência idêntica, exceto pela cor da pele. Clark pedia que esses alunos apontassem qual boneca mais gostava e com qual gostaria de brincar, qual tinha a cor mais bonita e qual a mais feia. As crianças negras optavam claramente pelas bonecas brancas, rejeitando as outras bonecas de cor escura, essa atitude pôde ser entendida como uma indireta autorrejeição.

images644646.jpg A conclusão do casal é de que a segregação de raças na sociedade daquela época influenciava no pensamento também das crianças, elas escolhiam as bonecas brancas por saberem que na vida real os brancos também eram os escolhidos e tidos como os melhores, os aceitos perante um todo, e que o pensamento não era só de adultos como também dos filhos. Hoje em dia as mídias sociais, a imprensa escrita ou falada escancaram o tema preconceito. Caso como o do goleiro Aranha que foi xingado por parte da torcida do Grêmio, é apenas uma ínfima porcentagem de todo um pré conceito enraizado no cerne da sociedade brasileira. Deixando claro que está previsto segundo o 3º parágrafo do artigo 140 da lei 9459/97 que se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem tem como pena a reclusão de um a três anos e multa. O combate a esse preconceito realmente deve ser ensinado desde pequeno, ser mostrado que o julgamento pela cor de pele é inconcebível e sem sentido perante as leis dos homens que nos colocam no papel de cidadãos e como estes devemos respeitar uns aos outros.


Mário Lúcio

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